sexta-feira, 18 de junho de 2010

Estádio Ellis Park: O Brasil já está preparado para sediar a copa

O Brasil já está preparado para sediar a Copa de 2014. Sério. Não precisa fazer nada. O Ellis Park, onde eu fui assistir a Brasil x Coréia do Norte, na última terça-feira, está recauchutado, mas em muitos pontos é pior até mesmo do que o nosso simpático Estádio Mané Garrincha, aí em Brasília.

O acesso ao estádio é tosco que nem no Morumbi ou no Mineirão. Nada de metrô ou ônibus fácil. Porra nenhuma. Tem que chegar perto e ir andando mesmo. Beleza, faz parte. O pior mesmo é lá dentro.

Para começar, o espaço entre os assentos é ridículo. Se isso é uma norma da FIFA, então beleza. Até aqueles númerozinhos que o GDF colocou aí pro jogo da Eliminatória de 2006 contra o Chi chi chi le le le tinham maior largura do que a cadeira onde você fica sentado. O acesso às caderias é outro martírio: todo mundo espremido e uma rampa igualzinha à do Mané.

Outra merda é o banheiro. Nos dois que eu fui, tinha três privadas e nenhum mictório. Fui mijar e levei 25 minutos na fila. Como malandragem sul-africana concorre com a brasileira fácil, vi a galera arrancando o cartaz que indicava que o banheiro feminino era feminino e invadiu o espaço destinado às moças. Tudo bem, se for ver, acho que 5% das pessoas no estádio, nesse dia, eram mulheres. Nem devem ter dado falta.

Fui comprar uma cerva em temperatura ambiente (na hora do jogo estava fazendo dois graus negativos aqui em Joburg) no intervalo e levei simplesmente trinta minutos. Perdi de 10 a 15 minutos do segundo tempo. Não devo ter perdido muita coisa, é verdade.

Ah, quando começou o jogo, ainda tinha vários assentos livres. “Há, a FIFA não conseguiu vender todos os ingressos”, diria rapidamente um incauto. Conversa. Vendeu sim. O que rolou é que faltou luz poucos minutos antes de começar a pelada. E aí as catracas eletrônicas não conseguiram registrar o ingresso. Isso foi resolvido rapidamente e logo as 54 mil pessoas que tinham que estar ali chegaram aos seus lugares.

A falta de luz ainda provocou cenas engraçadas, como um dos telões sendo resetado com aquela famosa tela azul de pau da Microsoft, com o inicio do Windows. Em seguida o telão foi desligado e metade dos holofotes de um lado do estádio ficaram apagados até o fim do jogo. Nada que comprometesse a iluminação, mas, sem dúvidas, algo tosco.

Dito tudo isso, ver um jogo ali foi bem divertido, apesar do frio desgraçado. Os sulafricanos são interativos demais e a felicidade é visível em todos os cantos. A copa é uma grande festa e a vuvuzela (principalmente as que trouxemos, que você não precisa soprar) são um mecanismo de integração absurdo. Pena que para os locais o chop acabou mais cedo, como diria um amigo meu.

Mas isso é tema para um outro post – tambem fui ver Africa do Sul x Uruguai.

Sobre o jogo, algumas consideracoes:

* Importante agora e vencer. O time vai melhorando com o andar dos jogos, tenho certeza.

* Robinho muito bem. Maicon idem.

* Luis Fabiano jogou mal demais. Kaka foi ridiculo.

* Daniel Alves tem lugar nesse time.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Vuvuzelas que quebram protocolos


Demorou, mas pegou com força. O povo sul-africano respira copa do mundo, só fala nisso o tempo todo. Adora qualquer oportunidade de falar no assunto e, sobretudo, de interagir com os torcedores de outros países, que não param de desembarcar na África.
Esse é o cenário que eu e meus comparsas vimos ontem no aeroporto, nas ruas, nos shoppings e em todos os lugares pelos quais passamos em Joanesburgo. Logo ao desembarcar, dei de cara com um grupo de torcedores do Chile, que se exibiam com monociclo no saguão do aeroporto. Não demorou muito para aparecerem vários camaroneses soprando suas vuvuzelas.
Aliás, as irritantes cornetas são um vício em todos os lugares. E, ao contrário do que se possa imaginar, os sul-africanos ficam impressionados e adoram rir e ver as pessoas tomando sustos quando aquele instrumentozinho chato é assoprado. No aeroporto, o clima é totalmente sem-noção: seguranás, aos nos virem com a corneta, se aproximavam e pediam para soprar também. O pessoal da imigração e da alfândega faziam piadas e comentários sobre a copa.
Mais tarde, ao andarmos pelas ruas do bairro de Kensington (sim, caminhamos dois quilometros aqui sem nenhum problema, ao contrario do que se alerdeia por ai), uma senhora gordinha da Suazilândia nos viu e quase implorou para soprar a vuvuzela (sem trocadilho) de um dos meus amigos. Dentro do shopping center onde fomos almoçar, o segurança, em vez de reclamar, também se aproximava e rachava de rir quando ouvia o barulho. ˜Brasil our second team. Brasil gonna win today two zero˜, diziam a maioria deles, sobre o jogo contra a Coréia do Norte.
Na pensão onde estamos hospedados, um povo do Cabo Verde, de Angola e do Zimbábue só falam em copa, ficam encantados com as ridículas perucas e ornamentos que estamos carregando para lá e para cá.
Ainda no aeroporto, dei de cara com um simpático famoso jogador de tênis, que esperava humildemente atrás de mim na fila para retirar os ingressos. Discreto, tive de olhar duas vezes e ainda perguntei, de maneira quase idiota: ˜Ei, você é o Guga?˜. Ele riu e disse: ˜Sim, amigão. Vamos vencer hoje˜. Troquei uma rápida ideia com ele, que nem sabia qual moeda era utilizada na África do Sul e ainda pediu dicas de como se deslocar até o hotel onde ele ficaria. Depois pedi pra namorada dele tirar uma foto minha com o eterno ídolo brasileiro. Mais tarde, depois do jogo, ainda encontramos eles comendo no McDonalds, completamente incólumes. Muito gente fina o camarada.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Operação Batalha na Savana

Batalha na Savana: resumo do primeiro dia da missão. Vitória do Brasil; emoção indescritível no hino, sentimento de orgulho por ser o país mais querido - disparado - em Dubai e na África do Sul; curtição do clima de Copa do Mundo; diversão com as vuvuzelas; impacto com cultura muçulmana (em Dubai); impacto com a recepção calorosa e alegre dos sul-africanos. Incrível tudo isso.

Tô com muito pouco acesso a internet e computador. Poderei apenas mandar pequenos relatos!

Beijos.

domingo, 13 de junho de 2010

Dubai

Eu e o companheiro Theo Saad estamos um pouco (sic) bebados. Sao 3h28 em Dubai. Vimos os dois jogos de hoje no meio shopping do mundo: o Dubai Mall. Os animais fizeram uma pista de patinacao e um telao inacreditavel. Coisa de quem nada no dineheiro (apesar da crise). Inacreditavel. Nao sei o que acontece, mas minha camera nao baixa fotos no cpu. Parece que a proibicao de birita eh ampliada pra fotos no cpu.

em Joburg a gente atualiza.

Abracos

quinta-feira, 10 de junho de 2010

BREAKING NEWS: Redação do TSN se muda para a África do Sul

Sim, sei que muita gente não gosta e entra aqui esperando ler outras coisas. Mas, já dizia Galvão Bueno, “é Copa do Mundo, amigo”. Não tem o que fazer. Não tem pra onde correr. Não adianta espernear. Não adianta xingar os veículos de comunicação. Não adianta vir com papo-cabeça de que não podemos deixar o futebol encobrir o mundo real – foda-se o mundo real. Não, nada disso.

Então, meus amigos, paciência. Nos próximos dias e semanas, este espaço será abastecido com textos (e fotos, se Romário, digo, Deus quiser) enviados diretamente da África do Sul.

Afinal de contas, como disse um desses aí outro dia, “o futebol disparado é a coisa mais importante dentre as coisas que não têm nenhuma importância no mundo”. 

Sem mais para o momento.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

O peido e o equilibrista

Criatura singela, o Artêmio. Trintão reservado, colega de muitos e amigo de poucos, prefere o aconchego do lar ao frenesi das ruas. Funcionário público de carreira, só ousa deixar a segurança de casa para ir ao trabalho. Não gosta de aventuras. Odeia calúnias. E rejeita qualquer situação que o deixe constrangido. Artêmio, sujeito conservador e representante fiel do Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), tem 37 anos. Mas parece 57.

Mesmo diante de tantas manias e cuidados, Artêmio não conseguiria escapar de um episódio que mudaria ainda mais a relação de pavor com o mundo. O pior de dia da vida dele começa em uma longínqua manhã fria, iniciada como tantas outras. Artêmio acordou as 6h02, espreguiçou-se demoradamente, calçou os chinelos de couro legítimo, arrastou-os até o banheiro, mijou bonito, lavou o rosto e escovou os dentes. Pegou o jornal, preparou o café da manhã com ovos, salsichas e bacon. Pela primeira vez em 15 anos, acrescentou ao ritual do desjejum uma dedicada vitamina feita com abacates gentilmente cedidos por um colega de repartição. "São lá da chácara", avisou Peixoto.

Artêmio, econômico nas palavras, saiu de casa a assoviar Garota de Ipanema. Estava especialmente feliz e, assim, meio distraído, logo alcançou a parada de ônibus. A poucos minutos da chegada do transporte, no entanto, a sorte do servidor público começaria a mudar. O apontar da condução coletiva coincidiu com o primeiro sinal do que se tornaria em cinco minutos o rebolation de uma magistral caganeira. Mas a leve pontada inicial trairia o discreto Artêmio. Foi por causa dela - e só dela - que tudo deu errado depois que ele criou coragem para seguir viagem.

Até então, o devoto funcionário do poder público federal acreditava que o bostão em erupção poderia ser resolvido com um peidinho honesto e imperceptível. Isso se fosse necessário, pois o local de trabalho ficava a 25 minutos dali. Era esperar um pouco mais e largar a obra barrenta no discreto banheiro dos serviços gerais. Simples assim, pensou ele. Artêmio pagou a passagem, avançou a catraca, estufou o peito e rapidamente se dirigiu para os fundos do busão. Aconchegou-se ao lado de uma mulher assaz simpática. A moça cedeu a ele o lugar ao lado do corredor, o que obrigou Artêmio a um abafado “obrigado, senhora”.

O que ele não esperava, porém, eram as três fisgadas repentinas que se seguiram ao primeiro sinal de relaxamento social. A barriga estufou, e Artêmio só não soltou um gemido mais alto porque se encontrava entre estranhos. Sem alternativa, optou por colocar em prática o plano original. O reservado Artêmio se acomodou um pouco melhor no banco duro do veículo, apertou com as duas mãos a barra de ferro logo à frente, entrefechou os dois olhos e pediu a Deus que tornasse aquele momento imperceptível. O pobre homem talvez tenha orado baixo demais. O peidinho virou peidão ao ressoar no plástico azul, assustou a vizinha de viagem e ainda envolveu o coletivo em uma bolha fedorenta. Não havia ali nenhum ponto de equilíbrio capaz de contornar o problema.

Não bastasse a vergonha, Artêmio calculou mal a quantidade de enxofre expelido e um pedaço liquefeito de merda lhe sujou as cuecas da marca Zorba. Para uma criatura comum, tal situação seria o caos. Para o singelo Artêmio, representava o fim. O sujeito quedou paralisado. Até então, mantinha-se na mesmíssima posição desde a incauta peidorreia. A visão ficara turva, como se tudo ao redor tivesse se tornado preto e branco. Não enxergava um palmo à frente. E uma gota de suor lhe escorreu a face.

O chorume lançado ao ar, obviamente, logo gerou protestos na condução pública. Alguns passageiros exigiram a parada completa da aeronave, o que de bom grado aceitou o motorista. Em segundos, Artêmio se viu abandonado no veículo. Amaldiçoou o ovo, a salsicha, o bacon, o abacate e, principalmente, o solidário colega de escritório. Artêmio, o nobre cidadão, precisava sair dali. Não havia outra saída. Tomou fôlego, levantou-se do banco, ajeitou a roupa como se nada houvera e, com o resto da dignidade que lhe sobrara, desceu do veículo. Não olhou para os lados nem para ninguém. Seguiu com o nariz empinado ao longo da calçada, com as mãos nos bolsos e a sentir os rastros da bosta sujarem os sapatos espartanamente envernizados.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Meio milhão de visitantes

Meio milhão de visitantes únicos, 824.884 page loads, muita emoção. Brigas, elogios, cantadas, e-mails de fãs, tentativas de homicídio e suicídio, festas, glamour, debates, convites presidenciais esnobados, apelos de estrelas para escrever neste espaço recusadas. Sim, tudo isso se passou muito rápido, ao mesmo tempo, durante os últimos EXATOS 5 anos de existência do blog.

Nosso primeiro post? Dia 2 de junho de 2005, quando a formação original deste prestigioso espaço (com André no lugar de Goutas, atual e indispensável titular) postou um "olá" que mudaria a história do bloguismo mundial. A internet jamais foi a mesma. O Google saiu do ar com o lançamento do blog. O Facebook foi imaginado naquele dia - "Como conectar tantas pessoas que tentam acessar o mesmo espaço? é preciso criar uma rede", pensou-se, à época.

Falamos de política. Falamos de mulheres. Falamos de bibas. Falamos de leões. Falamos de futebol. Falamos de caganeiras. Falamos de pés irresistíveis. Falamos de assassinatos. Falamos de sangue no cemitério. Falamos de viagens. Falamos de cidades do mundo inteiro. Falamos de motéis. Falamos de traições. Falamos de corrupção. Falamos de pessoas idiotas. Falamos de amigos. Falamos do Orkut. Falamos do Facebook. Falamos até do BBB. Falamos de roquenrol. Falamos de filmes. Falamos de mãe, pai, filhos, irmãos e até de sobrinhos. Falamos de vômitos. Falamos de porres. Falamos de sexo.

Falamos, enfim, da vida. Felipe, Zé Gotinha e Zethi (e André, nos primeiros poucos meses) fizeram deste espaço uma ode à vida. Uma homenagem ao jeito masculino escrachado de ver o mundo. Com exageros, é verdade. Com idiotices, é verdade. Mas, sobretudo, com bom humor e a vontade sempre contagiante de fazer nossos leitores entretidos - ainda que irritados, foda-se.

Cinco anos de muita emoção.

Como forma de comemoração, seguem 5 textos de destaque de cada um dos 3 escritores do blog (escolhidos por eles mesmos):

Zé Gotinha:

Um bolo de merda


Um vômito, dois vômitos, três vômitos, assim*

As mulheres que dão; e as outras que voam

A Cantada Infalível – 1ª parte

A Cantada Infalível – 2ª parte

O macho alfa

Felipe:

Eu não levo a sério quem nasceu nos anos 80

Orkut: Eu não quero ter um milhão de amigos

Modelos de gestão de relacionamentos

Os repolhinhos

O bairro da Luz Vermelha

Zethi:


As 17 frases mais masculinas do cinema

Como Fazer sua Mulher Feliz com 10 Iniciativas - adote este guia

“Aqui jaz uma mulher que quase não trepou na vida”, diz mulher gostosa, 28 anos, tarada e desesperada

Serviço Surreal de Atendimento ao Consumidor

Começou Ivete, terminou Preta Gil