segunda-feira, 29 de março de 2010

Muitos minutos de silêncio

México 70

Por Armando Nogueira*

E as palavras, eu que vivo delas, onde estão? Onde estão as palavras para contar a vocês e a mim mesmo que Tostão está morrendo asfixiado nos braços da multidão em transe? Parece um linchamento: Tostão deitado na grama, cem mãos a saqueá-lo. Levam-lhe a camisa levam-lhe os calções. Sei que é total a alucinação nos quatro cantos do estádio, mas só tenho olhos para a cena insólita: há muito que arrancaram as chuteiras de Tostão. Só falta, agora, alguém tomar-lhe a sunga azul, derradeira peça sobre o corpo de um semi-deus.

Mas, felizmente, a cautela e o sangue-frio vencem sempre: venceram, com o Brasil, o Mundial de 70, e venceram, também, na hora em que o desvario pretendia deixar Tostão completamente nu aos olhos de cem mil espectadores e de setecentos milhões de telespectadores do mundo inteiro.

E lá se vai Tostão, correndo pelo campo afora, coberto de glórias, coberto de lágrimas, atropelado por uma pequena multidão. Essa gente, que está ali por amor, vai acabar sufocando Tostão. Se a polícia não entra em campo para protegê-lo, coitado dele. Coitado, também, de Pelé, pendurado em mil pescoços e com um sombrero imenso, nu da cintura para cima, carregado por todos os lados ao sabor da paixão coletiva.

O campo do Azteca, nesse momento, é um manicômio: mexicanos e brasileiros, com bandeiras enormes, engalfinham-se num estranho esbanjamento de alegria.Agora, quase não posso ver o campo lá embaixo: chove papel colorido em todo o estádio. Esse estádio que foi feito para uma festa de final: sua arquitetura põe o povo dentro do campo, criando um clima de intimidade que o futebol, aqui, no Azteca, toma emprestado à corrida de touros.

A festa brasileira no gramado do Azteca

Cantemos, amigos, a fiesta brava, cantemos agora, mesmo em lágrimas, os derradeiros instantes do mais bonito Mundial que meus olhos jamais sonharam ver. Pela correção dos atletas, que jogaram trinta e duas partidas, sem uma só expulsão. Pelo respeito com que cerca de trezentos profissionais de futebol se enfrentaram, músculo a músculo, coração a coração, trocando camisas, trocando consolo, trocando destinos que hão de se encontrar, novamente, em Munique 74.

Choremos a alegria de uma campanha admirável em que o Brasil fez futebol de fantasia, fazendo amigos. Fazendo irmãos em todos os continentes.Orgulha-me ver que o futebol, nossa vida, é o mais vibrante universo de paz que o homem é capaz de iluminar com uma bola, seu brinquedo fascinante. Trinta e duas batalhas, nenhuma baixa. Dezesseis países em luta ardente, durante vinte e um dias — ninguém morreu. Não há bandeiras de luto no mastro dos heróis do futebol.

Por isso, recebam, amanhã, os heróis do Mundial de 70 com a ternura que acolhe em casa os meninos que voltam do pátio, onde brincavam. Perdoem-me o arrebatamento que me faz sonegar-lhes a análise fria do jogo. Mas final é assim mesmo: as táticas cedem vez aos rasgos do coração. Tenho uma vida profissional cheia de finais e, em nenhuma delas, falou-se de estratégias. Final é sublimação, final é pirâmide humana atrás do gol a delirar com a cabeçada de Pelé, com o chute de Gérson e com o gesto bravo de Jairzinho, levando nas pernas a bola do terceiro gol. Final é antes do jogo, depois do jogo — nunca durante o jogo.

Que humanidade, senão a do esporte, seria capaz de construir, sobre a abstração de um gol, a cerimônia a que assisto, neste instante, querendo chorar, querendo gritar? Os campeões mundiais em volta olímpica, a beijar a tacinha, filha adotiva de todos nós, brasileiros? Ternamente, o capitão Carlos Alberto cola o corpinho dela no seu rosto fatigado: conquistou-a para sempre, conquistou-a por ti, adorável peladeiro do Aterro do Flamengo. A tacinha, agora, é tua, amiguinho, que mataste tantas aulas de junho para baixar, em espírito, no Jalisco de Guadalajara.

Sorve nela, amiguinho, a glória de Pelé, que tem a fragrância da nossa infância.

A taça de ouro é eternamente tua, amiguinho.

Até que os deuses do futebol inventem outra.

* Coluna publicada por Armando Nogueira no dia seguinte à conquista do tricampeonato do Brasil, na Copa do Mundo de 1970. Mais do que um mestre, Armando Nogueira é uma inspiração para todo jornalista que se preze. No meu caso, foi o primeiro colunista com o qual tive contato, quando ainda criança lia as colunas dele nos jornais. Armando morreu hoje, aos 83 anos, de câncer - vejam só - no cérebro. Deixará saudades. Muitas.

terça-feira, 23 de março de 2010

O homem do caralho (imensamente) gigante

Desculpem-me os leitores mais sensíveis. Confesso que minha ausência diante do blog mais amado do Brasil, o TSN, tem relação com uma espécie de traição. Virtual, ok, mas uma traição. Estava a viver uma relação bilateral com o Twitter, a tentar entender com um pouco mais de profundidade essa nova (pelo menos para mim) ferramenta de comunicação. Mas qual não fora a minha surpresa quando, sentando em uma longínqua mesa de bar, ouvi uma narrativa deveras peculiar. Seria um absurdo, assim, não deixar de descrevê-la neste espaço e relaxar com as tweetagens.

O que irão descobrir a seguir, portanto, não passa da mais pura verdade. As fontes ouvidas dispõem de imenso crédito perante as autoridades locais. Reúnem todas ilibada reputação. Trata-se, enfim, da história de Robertinho. O rapaz, nascido nos idos dos anos 1970, rompera o universo a chamar a atenção dos mais ordinários. Robertinho viera ao mundo a romper paradigmas. O médico obstetra que fizera o parto da mãe do nosso protagonista fora o primeiro a sentir alterações na nova ordem mundial: confundira o cordão umbilical com o pau de Robertinho. Desconfiara, meio desconcertado, que seria impossível um bebê ganhar a luz com uma jeba de 26 cm!

O pobre doutor, enfim, quase cortara o megaübercaralho do menino por pura distração. A enfermeira que lhes salvaram o couro. A mãe do garoto também estranhara o dom do primogênito. Afinal, nem o pai tinha um corrimão daquele tamanho. O progenitor, aliás, ficara meio desconfiado da paternidade. Fora preciso a participação mais do que especial do tio avô do menino para salvar a pátria e o derramamento desnecessário de sangue alheio. O velho Tenório tivera de baixar as calças em plena maternidade para revelar o tamanho da pica de 31cm. Só assim o sujeito largou o facão ao lado do berço do filho e acreditou que o “defeito” encontrava explicação no outro lado da família. Mesmo assim, a presença de um médico fora requisitada por conta das alterações cardíacas do homem.

Robertinho, como todos puderam perceber, reencarnara com um cacete de elefante. Infelizmente, porém, o presente de Deus não lhe trouxera a felicidade esperada. Apesar de os amigos o invejarem ao longo dos vestiários da vida, o trato com a mulherada não era o dos melhores. Robertinho só comera (ou conseguira convencêla a) a primeira garota aos 19 anos. E mesmo assim depois de jurar de pé junto que só colocaria a cabecinha. “Nem a metade, Robertinho, nem a metade, porra!”, dizia uma aflita vizinha de 35 anos e recém-divorciada. Nessa época, o caralhón king size de Robertinho atingia masculinos 38cm.

A situação, entendo, pode parecer engraçada à primeira vista. Mas meus entrevistados me garantiram que Robertinho vivia um drama. Não conseguia convencer nenhuma moça a dar para ele. Era um rapaz boa-pinta e tal, mas, ao baixar as calças, vira inúmeras ex-futuras parceiras correram dele como leões marinhos se escondem do tubarão branco no sul do continente africano. Nem mesmo respeitadas garotas de programa ou reconhecidas atrizes pornô encaravam tamanha empreitada. Teve uma vez que os amigos ofereceram R$ 1 mil a uma dessas moçoilas, mas ela fugira do campo de batalha ao descobrir o tamanho do artefato do inimigo. Àquela altura, aos 25 anos, Robertinho atingira o auge da extremidade: 46cm. Coisdilôco.

O gigantismo de Robertinho também lhe provocara estragos sociais. Chegou uma hora que não queria mais ver ninguém, principalmente mulheres. Dedicara-se, então, a pesquisas solitárias (o famoso cinco contra um). Também usava parte do tempo para estudos e conclusões. Acreditava, enfim, que, se tinha um caralho alucinadamente gigantesco, precisaria de uma boceta alucinadamente gigantesca. Mais do que óbvio. Mas não tão simples assim. Afinal, parecia que a raça humana não estava evoluída a ponto de comportar uma jeba proeminente como aquela. Robertinho era, por princípio, contra escatologias zoofílicas. Não podia sequer se imaginar a comer uma égua ou uma elefoa. Só a visão do ato lhe provocava sérias repulsas.

A salvação do sujeito viera pela Discovery Channel. Por indicação de uma amiga assaz solidária, descobrira um documentário sobre uma tribo na remota Islândia. Em um determinado momento, o narrador contava, com um certo ar de constrangimento, que mulheres do tal grupo tinham receptáculos capazes de aguentar um pau proporcional ao de um mamute. A explicação, detalhava o trabalho, vinha de séculos anteriores, quando os homens da região desenvolveram supercaralhos ao abusarem sexualmente de morsas fêmeas durante os longuíssimos retiros em busca de comida para o clã.

Coisa de louco, mais uma vez. Mas capaz de salvar a vida da então predestinada abstinência de Robertinho. A conversa no boteco, enfim, terminou com a leitura de um e-mail enviado pelo agora homem mais feliz do mundo. Em poucas linhas, Robertinho descrevia a imensidão das vaginas das mulheres locais e a destreza delas com o espaço desmedido. Apelidou cada uma de Mulher-Maravilha, pelo poder e força das superbocetas. “São de foder, meus amigos, são de fuder!”, relatou um empolgado Robertinho. Não seriam por menos, meu caro.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Grávida, sexy e louca de tesão

Rafaela estava grávida havia cinco meses e meio. Incentivada pelos colegas de trabalho, planejou durante aquelas últimas duas semanas um ensaio fotográfico dela e de Ana Lúcia, aquela coisinha mais linda que crescia na barriga. Conversou com um amigo e recebeu a indicação de um ótimo fotógrafo, amigo dele, especialista em fotografia publicitária, mas que também fazia esse tipo de trabalho quando indicado por amigos.

Vicente era fotógrafo havia oito anos. Solteirão, curtia fotografar pelo mundo – safáris, galápagos, pessoas, favelas. Mas ganhava a vida mesmo com publicidade. Modelos, campanhas, jogadores, artistas. Bonitão, barba sempre por fazer, avesso às gravatas, daqueles que usa all star com blazer. Dono de um MacBook, evidentemente.

Marcaram a sessão para aquela tarde de sábado, no estúdio de Vicente. Rafaela levou consigo o maridão, Walter, empresário, bem-sucedido, relativamente mauricinho, sem muito tempo para afagos e desprovido do dom do carinho do dia-a-dia. Mas um sujeito fiel, sério. Partidão.

Chegaram por volta de 16h. Fizeram algumas fotos iniciais com o casal. Aquela coisa de mão na barriga, sorrisos, olhares. Família feliz. Por volta de 18h, Walter avisou a esposa que precisava trabalhar. O restaurante da família estava prestes a abrir e ele teria de se ausentar do restante do ensaio.

As fotos continuaram. Rafaela mudou de roupa uma, duas, três vezes. Vicente estava adorando o ensaio. Empolgado, bolava mil coisas para as fotos ficarem cada vez mais lindas e cativantes. Na quarta troca de roupa, Rafaela surgiu no estúdio com um belíssimo baby doll que o marido adorava. Seria a surpresa daquele ensaio para Walter.

Vicente adorou aquela cena. Rafaela, feliz, grávida, com um baby doll sexy. Pele bronzeada, cachos louro-dourados. Sorriso abundante. A modelo imediatamente se tornou musa.

- Isso, linda. Assim mesmo. Belezaaa... Tá linda. Sorri mais um pouquinho. Isso. Maravilha. Espetacular. Ana Lúcia nem desconfia que a mãe dela seja tão linda, hein?

Os dizeres de Vicente encantavam Rafaela. Desacostumada a grandes carinhos, carente no período de gravidez, ela relaxava cada vez mais e se sentia cada vez mais à vontade. Vicente colocou um sofá de dois lugares no estúdio para pegar algumas tomadas diferentes de Rafaela. Deitou-a no móvel vermelho-sangue.

- Tá linda. Agora, deixa a alça cair um pouquinho mais. Isso. Como se fosse se despir...

Rafaela nem percebeu quando a alça caiu um pouco a mais e um pedacinho do mamilo direito começou a aparecer. Vicente imediatamente se excitou com aquilo.

- Vai, linda. Agora, puxe o baby doll um pouquinho. Deixe a lente ver essas pernas lindas e saradas.

Vicente começou a tirar fotos cada vez mais sexies e próximas. Aliás, próximas não só por meio do zoom da câmera, mas fisicamente mesmo. À essa altura, ele suava. Ardia em tesão por aquela grávia sexy em seu estúdio.

Ao notar a aproximação de Vicente, Rafaela começou a notar os detalhes do corpo do fotógrafo enquanto ele a clicava. Começou a sentir calafrios ao pensar em si mesma nos braços daquele gavião. Na foto seguinte, incentivada por ele, Rafaela estava com o seio direito à mostra, cara e jeito sexies, pernas de fora. O fotógrafo posicionara-se bem em cima dela. Ele, de pé, a fotografava embaixo, deitada.

De repente, Vicente tirou a máquina do rosto. Olhou-a nos olhos. Sentiu dor nas entranhas ao perceber a forma intensa com a qual Rafaela o encarava. Intensamente. Ofegante. Ciente da presença do pecado ali tão próximo. Vicente não pensou duas vezes.

Beijou-a com intensidade e furor. Rafaela deixou-se levar por aquele fotógrafo envolvente e sedutor. Vicente beijou os seios fartos pela gravidez como quem mergulha num oceano de águas profundas e refrescantes.

Havia dois meses Walter não transava com a esposa. Excesso de cuidado, falta de tesão, trabalho, rotina. Não importa. Ela estava ávida por ser amada, comida, trepada, carinhada, abraçada, beijada. E chupar. Ah, como ela queria chupar um homem com aquele tesão acumulado. E foi o que fez com Vicente. Ali, de pé, no estúdio, ela pôde devorá-lo. Delícia.

O baby doll permitiu que não fosse necessário nem o despir dos corpos. Vicente apenas se posicionou estrategicamente e penetrou aquela grávida de cinco meses e meio como nunca fizera com mulher alguma. Nem grávida e nem não-grávida. Ela uivava. Os seios pululavam. Ela pedia para que metesse cada vez mais forte e mais rápido. Chegaram a um orgasmo mágico em poucos, mas intensos, minutos.

Acabara ali o ensaio fotográfico mais louco da carreira de Vicente. E o único da vida de Rafaela – agora feliz, comida, satisfeita, pronta para voltar ao lar.

Estamos no Twitter.

E também no Facebook.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Agora, no twitter

Atendendo aos pedidos provenientes da China, do Uzbequistão, da Argentina, de Tuvalu e da Islândia, estamos no twitter.

Para nos seguir, basta procurar por "joselitando_tsn" ou linkar www.twitter.com/joselitando_tsn.

Por meio deste medíocre site de microblogs, informaremos os seguidores sobre atualizações neste espaço - o melhor e mais requisitado veículo de comunicação interplanetária.

Sem mais,

Zethi,
Felipe,
Goutas.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Um sonho aos 17 anos

Juan queria me contar uma história. Olhou-me com profundidade e logo depois sorriu, com um olhar maroto inconfundível. Parou por uns instantes e me disse: “eu já sonhei com esse momento”. Eu respondi com um pouco de indiferença: “ah, é?”, como quem não está muito interessada no que vai ouvir. Mas ele ignorou minha apatia e continuou: “sim, quando eu tinha dezessete anos. Sonhei que fazia amor com uma mulher ruiva e ela estava assim. Ela estava em cima de mim, com os cabelos no meu rosto. Tinha os olhos iguais aos seus. Era você”.

Diminuí o movimento de vai-e-vem e olhei bem nos olhos dele. Eram olhos de menino, cílios meio loiros, meio ruivos, mas tão abundantes que formavam uma moldura inigualável para aquelas duas amêndoas que me encaravam. Parei por um instante. Aproximei meu rosto do dele, as amêndoas se esconderam atrás das pálpebras. Meus lábios queimavam de desejo só de sentir a respiração dele.

Com os olhos arregalados, para não perder um segundo daquele momento, encostei minha boca na dele, mordisquei o lábio inferior e, com uma sensação angustiante e insaciável, comecei a beijá-lo. Minha língua percorria toda a sua boca. Eu sugava a saliva dele e a sua língua me buscava com a mesma intensidade e vontade. Ainda parada, senti meu corpo inteiro arrepiar, meu rosto ardia, meu corpo tremia, um tremor interno e incontrolável.

Juan me envolveu com seus braços, eu sentia seus dedos percorrendo cada milímetro da minha pele. O corpo dele começou a se movimentar lentamente embaixo do meu e, em poucos segundos, estávamos, de novo naquele frenético movimento.

Levantei-me um pouco e me sentei em cima dele. Os olhos fechados. O coração disparado, meu sangue, quente, fervendo, percorria todo meu corpo com uma velocidade incrível. Eu podia sentir cada reação química e interna que tinha.

Juan tirou as mãos da minha cintura e levou-as até meus seios. Encheu a palma de cada mão com meus seios suados e sensíveis. Apertou-os com firmeza, mas ao mesmo tempo com uma suavidade, como se estivesse alisando as pétalas de uma flor. Quando tocou os dois mamilos e começou a massageá-los, não aguentei e explodi numa onda de desejo, tesão e orgasmo que me fez perder os sentidos por alguns segundos. Suas mãos já estavam nos meus braços. Segurou-me com firmeza e prensou o seu corpo junto ao meu.

Senti o jorro de gozo entrando em mim. As amêndoas se esconderam mais uma vez. A boca semi-aberta soltou um som abafado e logo depois um suspiro. Entreguei-me ao cansaço e à dormência que insistia em percorrer o meu corpo. Deitei no seu peito e fechei os olhos. Não tinha forças para pensar em mais nada.

Participação especial da leitora Blue Velvet, que, se perder a timidez, poderá ser uma colaboradora contumaz do mais famoso, amado e fantástico blog do planeta.

terça-feira, 9 de março de 2010

Amor (mais que) adolescente, FINAL

- E você pode me contar detalhes do sonho?, perguntou Jonas.

- Não sei se é apropriado para o horário, retrucou ela.

Ele não precisava de mais detalhes. Sabia do que se tratava. Respondeu apenas que também havia sonhado com ela recentemente. Fizeram as contas e perceberam que uma das noites de lembranças durante o sono havia sido a mesma. Sonharam-se reciprocamente ao mesmo tempo.

Chegou o dia 12 de fevereiro e ele embarcou para NY. Ficaria na casa de uma amiga, a Camila. O dormitório de Amanda na faculdade não a permitia receber visitas. Na primeira noite, foram todos pra uma baladinha e terminaram na casa de Camila tomando mais algumas. Por obra do destino, uma tempestade incrível impediu que Amanda voltasse para casa - ela não tinha carro e a caminhada até o dormitório era de seis quarteirões.

“Dorme aqui”, sugeriu Camila, para quem a relação de Amanda e Jonas era apenas de amizade. Só poderia dormir no mesmo sofá-cama onde dormiria Jonas. E assim aconteceu. Quando a anfitriã foi dormir, Amanda e Jonas continuaram conversando por horas a fio, no escuro absoluto da sala da casa da amiga.

Falaram dos respectivos relacionamentos. Falaram sobre a família e ambos e muitos outros temas. Mataram a saudade. Antes de dormir, ela se acomodou sobre o peito do amigo, que lhe fazia um carinho no cabelo. Beijou-a na testa. Foi retribuído por um abraço. Beijou-a no olho. O abraço ficou mais intenso. Ele levantou um pouco o corpo e beijou Amanda na boca. Um beijo delicado, terno, amoroso.

Beijaram-se mais duas vezes e chegaram à conclusão de que era a hora de parar. No dia seguinte, nova balada. Mas desta vez não conseguiram se segurar. Escondidos dos amigos presentes no The Irish Pub, nº 839 da Sétima Avenida, beijaram-se várias vezes durante aquela noite. Declararam suas saudades. Beijavam fogosamente. Riam da situação maluca na qual estavam metidos. Isso se repetiu naquela noite e na seguinte.

Na última noite, seguiram o mesmo ritual. “Hoje, eu quero fazer amor com você de qualquer jeito”, disparou ele, às 3h, na casa de um amigo em comum, onde rolava uma festinha particular. Ela disse que era tudo o que mais queria. Não podendo levá-lo para o dormitório, teve uma ideia. Saíram pelas ruas de Nova York e chegaram a um albergue próximo. Já passava das 4h.

Alugaram um quarto vazio, com uma cama de casal e uma de solteiro. Entraram no quarto. Olharam-se. Paqueraram-se. Se existe uma coisa que Amanda gostava em Jonas era na sua pegada. Forte, intensa, safada. Encostou-a na parede com firmeza, como uma mulher merece ser encostada. Desnudou-a despudoradamente com a boca e as mãos gulosas. Estava frio. O corpo dela se cobria de pelinhos louros arrepiados. Um tesão interplanetário. Transaram gostosamente duas vezes seguidas, por horas, amando-se com a saudade de um amor adolescente.

De manhã, ele acordou e já era hora de partir. Despediram-se. Deram um abraço apertado e Jonas seguiu de volta para Ribeirão Preto. Meses se passaram. Ela voltou de Nova York. Começou a se reestabelecer na Califórnia brasileira. Retomou o ritmo normal de namoro. Jonas também mantinha um relacionamento há algum tempo. Um belo dia, Amanda fez a ligação mais difícil de sua vida.

- Alô, Jonas?

- Oi, Amandinha. Tudo bem? Que saudade. Como estão as coisas? Namorado, família, todos bem?

- Tudo excelente. No trabalho também está tudo caminhando. Preciso te contar uma coisa importante.

- Claro, minha linda. Diga.

- Vou me casar. Eu e Cardoso ficamos noivos. A festa será no início do ano que vem.

Um pequeno silêncio se seguiu ao telefone. A informação atingira o estômago de Jonas. A voz tensa de Amanda ao dar a notícia era a senha para a importância daquela chamada telefônica. Jonas fingiu felicidade.

- Parabéns, minha amiga. Quero muito que vocês sejam felizes, sinceramente. Cardoso é um cara maneiro e tem todas as condições de lhe fazer feliz. Parabéns!

- Preciso também te falar outra coisa. Você era o padrinho mais óbvio do casamento, mas não posso lhe convidar, por motivos óbvios, né? Você me entende?

- Claro. Seria muito estranho. Estarei lá para nos embriagarmos juntos.

Os meses se passaram. Um dia, de madrugada, Jonas acordou de um sonho com Amanda. Sentou-se à frente do computador e escreveu uma longa carta. Disse tudo o que sentia por ela. Que era a única mulher na vida com a qual se via casado. Pela qual havia feito planos. Que amara verdadeiramente. Que visualizava como a mãe dos filhos dele.

Ao ler a carta, Amanda gelou. Avaliou se o casamento com Cardoso era a coisa a certa, se a felicidade não estava apontada para Jonas. Mandou um SMS para o amigo. “Não sei nem o que dizer”, foi tudo o que conseguiu escrever. Tremia ao digitar as letras e enviar a mensagem.

Recebeu a resposta prontamente.

“Não precisa dizer nada, meu amor. É apenas para você saber tudo o que eu sinto. Te amo. Nos vemos no casamento. Beijo especial.”

Nunca mais tocaram no assunto. Ainda são muito amigos. A história deles está guardada em algum lugar no fundo de seus corações e nas lembranças. O amor adolescente, é claro, estará sempre lá.

FIM.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Amor (mais que) adolescente, parte 4

Na avaliação de Jonas, em algum momento alguém se machucaria. Era um amor muito louco o sentido pelos dois. Uma coisa de melhor amigo, misturada com amor adolescente, com expectativas de uma vida, com inseguranças de um futuro. Não suportaria vê-la com outro um dia depois de fazer amor com ela, por exemplo. Tomou a decisão mais difícil e conflituosa de sua breve vida: dar um basta naquele “momento”.

“Um de nós dois vai se machucar muito e poderia arruinar qualquer história de vida que possamos vir a ter”, disse a Amanda. Ela, contrariada, “entendeu” a iniciativa do amigo-peguete-paixonite-seja-lá-o-que-for.

Depois deste dia, voltaram a ficar uma ou duas vezes esporádicas. Mas a história, de fato, tivera uma interrupção. Continuaram amigos. Com um leve distanciamento no início, mas nada que abalasse anos e anos de amizade. Encontraram-se solteiros na balada vez ou outra. Pintava um clima, uma sensação de algo a acontecer. Até que Amanda reatou o namoro e Jonas começou outro relacionamento.

A relação de amigos retomou o caminho de antes. Jonas, apaixonado pela nova namorada, começou a sentir que talvez não conseguisse viver nenhum relacionamento no planeta com Amanda tão presente em sua vida. Mas não dava bola para essa desconfiança. Ficaria louco se o fizesse. Tratou de viver intensamente a vida com Inara, a nova namorada.

Dois anos se passaram e Amanda optou por passar um tempo fora. Uma pós em Arquitetura na Columbia University, NY, faria muito bem à carreira dela. Especializar-se-ia em Urban Design (http://www.arch.columbia.edu/programs/urban-design). O namorado de Amanda ficaria no Brasil. O namoro dos dois seria mantido à distância até que ela voltasse.

Dois dias antes da partida dela, combinaram de comer alguma coisa no Serjão Lanches, tradicional lanchonete de Ribeirão, na João Fiúsa, nº 1297, no bairro de Sumaré. Deram um longo abraço, desejaram-se boa sorte, declararam o amor de sempre. “Vou te visitar”, prometeu Jonas.

Nos meses seguintes, conversaram no MSN diversas vezes. O papo era sempre tranqüilo, divagavam sobre saudade, sobre morar fora, sobre o curso dela, os novos amigos, a cidade fantástica de Nova York, pela qual ela estava completamente e enlouquecidamente apaixonada. “I´m a new yorker”, brincava.

Seis meses se passaram e Jonas mandou um e-mail para Amanda. "Estou a caminho. No dia 12 de fevereiro estarei aí, escreveu, por e-mail. Vá avisando aos nova-iorquinos que a cidade vai tremer por cinco dias." No dia seguinte, em conversa por MSN, a amiga demonstrou toda a felicidade do mundo pela visita. Ela estava num dia frágil, com saudade do Brasil. O papo seguiu por horas, quando ela revelou um segredo:

- Nas últimas duas noites, sonhei com você, disse ela.

Continua amanhã à tarde...

sexta-feira, 5 de março de 2010

Amor (mais que) adolescente, parte 3

Entraram na suíte do Village Motel. Começaram a se beijar e logo estavam na cama. Ele esparara aquele momento por anos a fio. Desde a adolescência, perguntava-se sobre o corpo, o cheiro, a textura, a beleza, a forma, o jeito, o toque do corpo de Amanda. Beijos, mãos, carícias. As coisas não aconteceram com a fluidez de um casal completamente íntimo. Apesar de melhores amigos, de conhecerem cada detalhe da vida do outro, não havia intimidade de toques, de gestos, de preferência. Descobriram-se naquela noite.

Jonas, tenso com a ideia de precisar agradá-la, não conseguiu relaxar completamente. Viveu intensamente cada um daqueles muitos minutos em que ficaram naquela suíte. O detalhe dos seios, a barriguinha, os toques, os carinhos, a boca dela no corpo dele, o gosto intenso das partes mais deliciosas do corpo de Amanda. Procurou fixar tudo na mente para jamais se esquecer. Não sabia se voltaria a tê-la em seus braços.

Deixou-a em casa às depois das 5h. No caminho de volta pra casa, pegou o celular e ligou para o Fábio, irmão e melhor amigo. Ao ouvir a voz sorumbática de Fábio, Jonas disse poucas palavras:

- Há alguns anos, quando saímos de uma boate, eu lhe prometi que se um dia eu ficasse com a Amanda, você seria o primeira a saber, lembra?

- Claro, me lembro – respondeu Fábio, ainda grogue, naquela madrugada de quarta para quinta.

- Não vou te dar detalhes. Você sabe que eu respeito as mulheres que amo. Mas é só pra te avisar que eu fiquei com ela. E foi a coisa mais linda do mundo.

- Caralho, moleque, fantástico. Fico muito feliz.

Desligaram o telefone e Jonas seguiu para casa. No dia seguinte, trabalhou loucamente no escritório. Por volta de 15h30, o telefone tocou. Era Amanda.

- Oi, tudo bem?

- Tudo ótimo, meu amor, e com você?

-Tudo perfeito.

­- Você dormiu bem?

- Sim, dormi como uma pedra, e você?

- Não consegui dormir direito.

- Mas porque, lindo?

- Eu tava eufórico. Foi a trepada do século, disse Jonas, em tom de brincadeira, citando a famosa frase de Michael Douglas em Instinto Selvagem.

Naqueles próximos três meses, viveram uma vida intensa. Ela solteira. Ele solteiro. Por essas razões malucas do destino, não namoraram. Os dois haviam saído de namoros longos, com finais complicados. Talvez quisessem curtir a solteirice. Mas não faltaram momentos especiais. Declarações de amor. Ligaram-se de madrugada atrás de carinho e amor. Passaram noites em motéis. Transaram na casa dele, sobre o sofá do quarto e na cama. Provocaram-se com mensagens via celular.

Certa feita, no fim do ano, na ocasião da festa à fantasia de Ribeirão, os dois tinham meio que combinado de se encontrar lá. Por causa do trabalho, ele não pode ir. Chegou em casa à meia noite e estava completamente destruído. A saudade dela, no entanto, o consumia. Mandou uma mensagem. Cadê você? Estou na festa. Posso te buscar para ficarmos juntos? Deve.

Coisa de 40 minutos depois, ela já o esperava na porta da festa. De costas para os carros, virada para dentro do salão, ela conversava com um colega de trabalho quando sentiu um leve toque em sua mão. O perfume de Jonas rapidamente tomou de assalto o ar respirado por Amanda. Ela sentiu aquele frio na barriga típico de quando se é pego de surpresa pela pessoal especial. Virou-se e viu Jonas chegar de mansinho e beijá-la gostosamente. Com a saudade de um amor adolescente.

Aquela coisa incerta faria com que os dois se machucassem...

Continua na segunda-feira. Sim, este é o texto mais longo da história do TSN...

quarta-feira, 3 de março de 2010

Amor (mais que) adolescente, parte 2

Amanda namorava e não queria chifrar o namorado. Levemente empurrado e ciente do arrependimento da moça, Jonas parou tudo imediatamente. Se abraçaram. Nunca mais falaram sobre o tema. Continuaram amigos como se nada houvera. Veio o vestibular, a faculdade e todas as aventuras da época. Ela optou por arquitetura na Unaerp. Ele atirava-se na carreira jurídica na USP Ribeirão.

Jonas passou a faculdade solteiro. Um namorico ou outro ocorreram, é verdade, mas basicamente passou o tempo todo solteiro. Amanda sempre namorava. A amizade continuava incrivelmente forte. No Natal, ele sempre dava uma passadinha na casa dela, para dar um beijo na família e um abraço na amiga. Curiosamente, nunca saíam com os respectivos. Os encontros eram sempre apenas dos dois. Nunca conversaram sobre isso. Tacitamente, um não gostaria que o outro ficasse íntimo do namorado(a) alheio(a). Só encontravam os respectivos nos respectivos aniversários. Não havia como escapar.

Entre 2003 e 2004, Jonas arrumou uma namorada muito especial. Apaixonara-se perdidamente. Foi uma loucura. Um amor avassalador que entrou em crise. A namorada, Carina, era por demais ciumenta. Curiosamente, nesta mesma época, Amanda estava no fim de um longo relacionamento. Machucados e frágeis, os dois marcaram uma bebedeira. Precisavam extravasar.

Jonas passou no Pingüim, comprou algumas boas garrafas da melhor cerveja da casa e levou Amanda para frente do Palácio Rio Branco, sede da prefeitura de Ribeirão. Tomaram uma, duas, três. Conversaram sobre a vida, sobre futebol, sobre cerveja, sobre balada, sobre as famílias, sobre o futuro, sobre o céu, sobre política, sobre o gosto dela por lasanhas, sobre as dores no joelho dele, sobre tudo. Lá pelas tantas, quando Jonas fechou os olhos prolongadamente ao comentar o vento gostoso que voava àquela hora, sentiu um leve toque em seus lábios. Um singelo, delicado, tímido e inesquecível selinho.

Ele manteve os olhos fechados por mais dois ou três segundos. Ao abri-los, olhou fervorosamente para Amanda e beijou-a como nunca havia beijado qualquer mulher em sua vida. Um beijo intenso, ofegante, gostoso, demorado e, sobretudo, recheado de uma paixão adolescente, ainda que ambos já tivessem ali uns 23, 24 anos.

Beijaram-se fervorosamente por bastante tempo. Acaloradamente. Até que uma viatura da guarda municipal chamou a atenção do casal. “Vamos sair daqui? Ir para outro lugar?”, convidou Jonas. Amanda topou. Quando chegaram no carro, ela o interrompeu e disse: “Você se importa se algo a mais não aconteça hoje? Não sei se vou conseguir. Não quero que você fique chateado”.

Jonas não se importou. Disse à amiga e paixão de toda a vida que nunca ficaria chateado com ela. Que só o fato de estar a beijá-la já fazia dele o homem mais feliz do planeta. E que se algo tivesse de ocorrer, seria no tempo e na hora certa.

Seguiram para o Village Motel, localizado na Avenida Brasil, 2685, Ribeirão Preto. Pediram a suíte Nove e Meia Semanas de Amor e entraram.

Continua nesta sexta-feira...

terça-feira, 2 de março de 2010

Amor (mais que) adolescente, parte 1

O ano é 1994. Ela tem 15 anos e é a menina mais linda do colégio. Amanda é modelete adolescente, curte o período de início do velho e bom segundo grau em Ribeirão Preto. Namora um cara um pouco mais velho há coisa de um ano. Primeiro amor.

Jonas vivia a mesma fase. Era um moleque normal do colégio. Também tinha 15 anos e estava solteirão da silva. É uma época horrível para um homem. Só pensa em sexo, não come ninguém e bate punheta de 3 a 5 vezes ao dia.

Ele e Amanda se conheceram por acaso. Um grupo de amigas dele caiu, por coincidência, na sala dela. Certo dia, na saída de uma prova de biologia, quando os alunos discutiam excitadamente sobre a dificuldade do teste, Jonas diz que a prova dele fora fácil. Amanda espreitou-se na roda da conversa e o questionou: “Fácil? Que isso?! A da minha sala foi superdifícil”. Começaram a conversar e viraram amigos.

Ele se apaixonou por ela imediatamente. Perdidamente. Amor, literalmente, à primeira vista. Ela tinha 1m75, cabelos louros, seios fartos, pernas charmosamente finas e bumbunzinho honesto. Olhos castanhos claros e um sorriso poético. A paixão, claro, era no maior estilo adolescente. Meio platônico, meio tímido, com músicas românticas antes de dormir.

Jonas e Amanda começaram a ficar muito, muito amigos. Foi o jeito encontrado por ele para estar próximo dela. Ela amava Jonas, como amigo. Falavam-se ao telefone por horas a fio à tarde, depois da aula. Coisa de adolescente.

No segundo ano, Jonas foi pra Austrália fazer intercâmbio. Pensava em Amanda todo santo dia. Ela continuava a namorar. E eles trocavam cartas (afinal, era 1995 e a internet como a conhecemos desabrochava), com declarações de saudade. Quando da partida, um presentinho dado por ela ao amigo tornou-se um talismã, um porto seguro e uma lembrança decisiva do Brasil.

Um ano mais tarde, Jonas voltara ao Brasil. A saudade de Amanda era insuportável. Ela havia terminado o namoro, mas já havia iniciado outro. Jonas vivia a vida dele. Tinha namoradas, affairs, pegações, apaixonava-se por outras. Mas sempre com Amanda na cabeça. E sempre com ela por perto.

Um belo dia, Amanda chamou Jonas para casa dela. Estava em crise no namoro, meio tristonha. Ela nunca havia experimentado maconha na vida. Disse ao amigo confidente que gostaria de experimentar. Ele fingiu conhecer do tema – embora fosse tão neófito no tema quanto ela –, arrumou um baseado e ascendeu no quintal da casa dela. Ficaram doidões, riram, falaram bobagem... e deram um beijo. Voraz. Que durou 2 minutos e foi interrompido por ela. Chorando, ela pediu para que parassem.

Continua amanhã...