quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

A maior fusão de todos os tempos


Na maior fusão de todos os tempos, o blog Totalmente Sem-Noção - o mais lido, o mais idolatrado, o mais odiado, o mais comentado portal de todo o planeta - acaba de comprar 82,3% das ações do site de relacionamentos Facebook.

Como somos caras low profile, não vamos intervir no conteúdo, na administração e no formato do Facebook. Embora eles tenham poucos usuários (175 milhões) se comparados ao nosso incrível volume de leitores, não vamos ajudá-los em nada.

Apenas criamos a nossa página no Facebook, que já conta com 92 seguidores ilustres. Se você é leitor e amante deste espaço - ou se o odeia - nos adicione:

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E tem mais. Sugira aos amigos o TSN como um bom amigo para se ter no Facebook. Deixem de ser preguiçosos e façam esse pequeno favor ao Facebook.

Sem mais,

Zethi
Felipe
Goutas

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

A tatoo

Os dois são funcionários do Real Grandeza, localizado na rua Mena Barreto, nº 143, Botafogo, Rio de Janeiro. Ele trabalha no RH. Ela é economista. O rapaz de 30 e poucos anos, batizado de Caio no ascedouro, recém-separado, branquelusco e de cabelo preto encantara Ivana desde a primeira vez que se cruzaram nos corredores. Informara-se sobre o novato, discretamente. Redes sociais, amigos do departamento dele, aquela coisa do dia-a-dia.

Um dia, um e-mail repassado a várias pessoas desaguou num protocolar diálogo virtual. Duas ou três perguntas e nada mais. Dias mais tarde, um cumprimento no corredor e um sorriso. Vinte e quatro horas à frente, outros e-mails internos – agora mais esclarecedores. As conversas ficam mais e mais freqüentes, até o combinado de dois meses atrás: iriam embora ao mesmo tempo.
Foi a senha para uma rápida pegação no carro. Aquela coisa furtiva e escusa, suspiros, mãos, bocas, olhares ofegantes, declarações sem-vergonhas. “Quando te vi pela primeira vez no elevador, fiquei maluco...”

Ela tinha namorado. Ele tinha um rolo sério. Eles sabiam da situação matrimonial alheia. Mas o tesão enlouquecia o “casal”. Começaram a se encontrar em um estacionamento ali na praia do Flamengo, aquele próximo ao Porcão. Estavam loucos para devorarem completamente um ao outro. Mas ela queria o perigo.

Durante dois dias, Caio demorou a tomar coragem. Mas sabia que o plano era infalível. Só ele tem (até hoje) a chave do segundo andar do prédio. Um andar vazio, ainda em análise pelo RH, pela engenharia e pela diretoria do Real sobre a melhor forma de utilizá-lo.

Um e-mail foi suficiente: “Encontre-me no segundo andar, hoje, às 18h15. Só eu tenho as chaves. Você será minha”. Ela respondeu rapidamente, com o jeitinho devassa-debochada que ele adora: “Ui. Estarei lá”. Encontraram-se, pegaram-se, despiram-se, satisfizeram-se, enlouqueceram-se. Era a alcova preferida dos dois.

Certo dia, de madrugada, Ivana acionou o celular de Caio. Era uma sexta-feira. A peguete estava viajando. Ela devia ter brigado com o namorado. “Quero você agora. Estou perto da sua casa, lindo.” Foi a senha para a garota invadir o apartamento dele e se atracarem rapidamente.

Dessa vez, numa cama, com tempo, sem problemas, ela a comeria na sua posição favorita: de 4. Pediu que ela virasse, ele começou a dar belas estocadas na moça, que gemia gostosamente. Foi a primeira vez que Caio vira as costas de Ivana. Ele tomou um susto ao afastar os cabelos dela e se deparar com uma tatuagem: “Alexandre”. O nome do namorado de Ivana estava gravado nas costas dela.

“Vem cá, o nome do seu namorado está aqui na minha frente, viu?”

Ela, safadamente, vira-se para trás e dispara: “Te incomoda? Te faz brochar? Não? Então, por que parou?”

Caio voltou a dar-lhe estocadas e gozou em abundância, indiferente ao nome do macho que comia (e ainda come) Ivana periodicamente. Não era com ele. O problema era dela e do namorado. Continuaram a transar ocasionalmente.

Dia desses, Caio reclamou com os amigos. “Porra, a Ivana não quer mais me dar.” Vejam a ironia do destino. Alexandre, ele mesmo, o namoradão homenageado com a tatuagem, propusera para Ivana: queria morar junto. A moça se sentiu culpada por traí-lo tantas vezes e por desrespeitar aquela tatuagem de forma tão debochada.

“Caio, eu não quero mais. Ele me convidou para morar com ele. Porra, ele pensa em construir uma família comigo e eu dou pro meu colega de trabalho? Eu não consigo mais”, escreveu Ivana, por e-mail, do jeitinho que começaram, na última troca de mensagem do casal.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Promessas e arrependimentos - Parte II (c)

Para ler a primeira parte, clique aqui.

Por Dante Accioly*

Scarlet estava agora diante de um verdadeiro dilema.

a) Apertar o passo e tentar fugir; ou

b) Virar sobre os calcanhares e enfrentar o desconhecido.

Como ainda faltava muito para chegar ao apartamento, ela se convenceu de que as chances de se dar mal eram rigorosamente as mesmas em ambas as hipóteses. Então, estancou sobre as botas e deu uma meia-volta repentina.

Surpreso, o estranho também parou. Estava a poucos metros da garçonete. Mas, antes que ele pudesse insinuar qualquer movimento, Scarlet jogou a bolsa no chão e caminhou decidida em sua direção.

Era um sujeito alto e franzino. Velho. Muito velho. Trazia uns olhos azuis esbugalhados e um queixo minúsculo, quase ausente. Cabelos ralos e desbotados, sob um quepe militar em farrapos.

Scarlet desescondeu alguma coragem não se sabe de onde. Soltou os cabelos ruivos e pôs as mãos na cintura, inquisitiva.

- E aí? O que vai ser?

O velho abriu a boca, mas não disse uma palavra.

A garçonete insistiu:

- E então? Não estou a fim de correr mais três quarteirões até minha casa, seu merda! – gritou. Estou de saco cheio dessa história! O que você quer de mim, afinal?

Ele respondeu de bate-pronto:

- M&M’s, madame.

- Hã?

- M&M’s – ele repetiu. A senhora tem alguns aí, madame?

- M&M’s? Como assim M&M’s? Que diabos de história é essa?

O velho baixou as vistas. Tirou do bolso interno do casaco um papel puído e entregou a Scarlet. Parecia um recorte de revista. Algo tão desgastado que ameaçava se desmanchar ao simples toque.

Ela revirou-se à procura de alguma luz no breu daquela noite. Sem se descuidar do homem que a espreitava, distinguiu no pedaço de papel uma antiga peça de publicidade.

O anúncio trazia a imagem de uma “pin up” com uniforme do Exército, ao lado da legenda “Good Tactitcs. Now, 100% at war!”. Era uma propaganda sobre a distribuição dos chocolates M&M’s entre as tropas aliadas na II Guerra Mundial, nos idos de 1941.

Mas o que mais chamava atenção em tudo aquilo era o desenho da “pin up”. Os mesmos cabelos ruivos e anelados de Scarlet. Os mesmos olhos verdes. As mesmas faces rosadas. As mesmas sobrancelhas em arco. Era simplesmente ela.

- A senhora tem ou não tem M&M’s, madame? – ele repisou.

A garçonete devolveu-lhe o papel. Virou de costas em silêncio, colheu a bolsa no chão e retomou o caminho para casa.

O homem esqueceu-se ali. Imóvel.

Nas noites que se seguiram, Scarlet entregou-se a uma rotina imutável. Deixava o restaurante em Picadilly Circus. Tomava o metrô rumo a Elephant & Castle. Via a leva de trabalhadores e bêbados descer dos vagões. Ficava sozinha até o último ponto. Subia as escadas rolantes. Caminhava até o apartamento. E nem sinal do velho.

Quando chegava em frente ao prédio, ela dava uma última olhada para a rua escura. Vasculhava as sombras à procura do homem. Nada. Nenhum rastro. Então, em um movimento rápido, a garçonete se agachava e escondia sob o capacho da entrada dois pacotes de M&M’s.

Banho quente. Baby doll limpo. Cama.

(E os chocolates não estavam mais lá.)

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* O cabra da peste Dante "Albieri" Accioly domina como poucos a arte da escrita. É mais, porém, do que um jornalista talentoso. Tem alma de repórter, apesar de afastado dos campos de batalha das redações faz alguns anos. O pai da Flora e o homem da Fabíola também torce para o Ceará Sporting Club, o Mais Querido. Adora estar em companhia dos amigos e da família, desde que não o convidem a tocar violão. Amarra-se em usar papetes (lê-se: papéts). E não deixa de degustar uma cachacinha das boas. Mas nunca durante as festas de fim de ano. Atualmente, Albieri também se dedica à arte da fotografia. Confira em: www.entrequadras.blogspot.com.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Promessas e arrependimentos - Parte II (b)

Para ler a primeira parte, clique aqui.

Por Cunhada Gotinha*

Scarlet apressou o passo no mesmo instante em que limpava as lágrimas com indignação. De origem irlandesa, os O´Hara jamais se entregavam ao medo. Estava decidida a chegar em casa. Sem seu perseguidor.

Um incômodo que lhe espinhara o dia inteiro voltou a percorrer as entranhas. O gelo que seguia a trilha vertical do umbigo vinha insistentemente acompanhado da imagem do vulto atrás de si. A sensação de Déjà vu extrapolava a lembrança da experiência de outubro passado para remetê-la ao cheiro de maresia. A impressão não se relacionava com o fato, mas com a figura. Tinha de dar um jeito de avisar o subconsciente que não era hora de trazer lembranças de casa. Isso ainda não era uma experiência de quase-morte. “Ao contrário, estamos lutando pela vida, aqui. Subconsciente retardado, filho duma puta”, murmurou, com raiva.

Atravessou mais uma rua. Só andara uma quadra? Com tantas coisas passando pela cabeça, podia jurar que estaria chegando em casa. Tentou impor um ritmo maior às passadas para, talvez, acompanhar as batidas do coração. Deveria deixar de pensar e focar no problema. Tudo bem, ainda tinha que percorrer mais três quadras até chegar ao apartamento sem se deixar alcançar. Mas... E se acontecesse?

Ele era grande, ela precisaria estar de frente a ele e ter tempo para impulsionar o bico da bota com toda a força contra as partes íntimas do homem. A alternativa restante seria negociar. Forçou a lembrar o que o perseguidor gritara na ocasião: dote, corte, fome... É, com certeza ela devia/deveria se preocupar.

Fome. O pensamento escapuliu do problema atual para introduzir mais um arrependimento em seu já perturbado estado emocional. Agora se arrependia pela escolha do transporte; bastaria comer pão sem manteiga, e só, pelos próximos três dias para compensar o dinheiro que gastasse. Mas não... O medo de quebrar a promessa feita ao sair de Brighton, de não passar fome outra vez, acabara por fazê-la tomar o metrô, quebrando a promessa mais nova, e colocando uma moça já sofrida nas mãos de um perseguidor maluco. E grande. Scarlet pensou que o papel de vítima não lhe ficava bem: “Nhé, nhé, nhé. Pobrezinha o caralho! Anda, que falta pouco”, foi a frase mais motivadora que pôde pensar.

Penúltimo quarteirão. Prometeu fervorosamente que, se escapasse dessa com vida, iria até a capelinha que velara a mãe e rezaria um terço; e um rosário inteiro se escapasse inteira. Será que estava/estaria ficando demente porque se perguntava o tamanho do membro do perseguidor?

No meio do último quarteirão, acabou assaltada pelo arrependimento derradeiro. Não que fosse uma grande revelação ou a pegasse desprevenida. Sabia que ele viria. Jamais deveria ter deixado a conhecida cidade natal para cair nessa brenha escura, que era um dos lados menos abastados dos londrinos. O que, afinal, estivera pensando? E não lembrou. De nada. De ninguém. Nem da viagem para Londres. Mas lembrou de um vulto. Fugira da fome, de comida e dele. Seu último pensamento seria para Rhett...

Chegou à porta do prédio ao mesmo tempo em que seu perseguidor. Não conseguiu entrar. Não conseguiu gritar. Só sentiu o cheiro forte de tabaco nos dedos que lhe cobriram a boca; e o sândalo da loção pós-barba quando o corpo forte a prensou contra a porta fedorenta de ferro e vidro. Tudo cheirava a história, a filme antigo, a passado. Um passado que ela não viveu, e de cuja falta desesperadamente se ressentia todos os dias. Das suas duas fomes, uma era de comida. Ele repetia as palavras proferidas em outubro e o tom de voz era repreensor: ele iria fazer algo que não devia.

E fez. Fizeram. Talvez mais tarde ela se arrependesse por terem pulado a etapa do namoro. Talvez mais tarde ele se arrependesse por ter aberto mão de um casamento vantajoso. Mas a noite de sexo selvagem prometia uma vida inteira de saciedade, sem espaço para arrependimentos.

Meses depois, Scarlet saiu da capelinha e mirou o reflexo do sol no mar de Brighton e se regojizou da boa vida que tinha agora, em todos os sentidos. E todos os seus sentidos levavam a Rhett, que agora se aproximava e tomava a esposa nos braços. O beijo se aprofundou, os corpos se achegaram e uma mão roçou um seio, dissimuladamente. Ao ser repreendido, só uma resposta cabia agora: “Francamente, minha querida, não me importo minimamente.”

Scarlet riu, deliciada. A promessa que fizera um ano atrás, por desespero, agora vinha naturalmente, como uma certeza: “Jamais sentirei fome novamente.”
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* Cunhada Gotinha é a mais tresloucada integrante da Família Gotinha. Trabalha como adEvogada, mas o papel que exerce com extrema dedicação é o de mãe. Tem dois filhotes (João e Maria, igualzinho à fábula), que carregam o sotaque gostoso da fronteira sul-rio-grandese. Cunhada Gotinha, portanto, é uma mulher de res-peito. Casou-se com um "anemal" de 2m de altura, que dá pernada a três por quatro e nem se despenteia. Os loucos e insanos tempos de adolescência, ah, esses ficaram (bem) para trás. A trilogia agora se resume a ranho, suco de uva e videogame. Não necessariamente nessa ordem.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Promessas e arrependimentos - Parte II (a)

Por Maniunka Zakharova*

Por alguns segundos, Scarlet, apesar do nervosismo, calculou friamente qual seria a melhor opção: apertar o passo, correr, gritar ou simplesmente não se render à histeria e à paranóia instaladas desde a última perseguição – alternativa que, naquele instante não parecia muito fácil. Apesar do desespero e das lágrimas que agora já escorriam sem controle dos olhos, sentia-se contraditoriamente racional. Enquanto isso, vislumbrava a sombra de um homem alto, gordo e careca cada vez mais próxima e projetada por um único poste de luz.

Scarlet, enfim, tomou a decisão subitamente. Não poderia mais gastar todas as gorjetas com táxi porque um louco a perseguia. A situação tinha de ter um fim. O pavor, aquele que paralisava sua espinha, esse teve um efeito tão inesperado, que Scarlet, por um momento, pensou ter sido possuída por outra pessoa. Outro ente, outra personalidade tomou conta de seu corpo, a fez virar e, num salto, enfiar a mão na cara do sujeito.

O tempo que o brutamontes levou para se recuperar – do susto, obviamente, porque, se há um defeito que se pode conferir a Scarlet, é a força inexistente – foi suficiente para que ela corresse desabalada por mais um quarteirão e meio. Ainda correndo, vislumbrou por cima do ombro o ogro careca a praguejar algo inaudível enquanto ele enfiava a chave na porta do que parecia ser um prédio habitacional como o dela.

Mas que idiotice, era só um cara entrando em casa após um dia de trabalho. Ainda assustada, mas já sem fôlego, Scarlet decidiu diminuir o passo novamente. Não era tão fácil assim correr de salto alto. Já alcançava a última esquina antes de chegar ao seu quarteirão. Falta pouco.

A garçonete atravessou a rua, com um resquício de apreensão. Ela sentia o corpo inteiro dormente, quase sem controle. A proximidade de casa e de seu banho quente a fizeram, por alguns instantes, se permitir relaxar.

Assim, ela não viu o quê ou quem a atingira na têmpora direita. Não teve tempo de sentir dor antes que perdesse os sentidos a poucos metros de casa.

Scarlet passou muito tempo (talvez horas?) olhando para uma luminária que pendia no teto de quase 4m de altura. Fitou por tanto tempo inconscientemente aquela luz fraca, que seus olhos chegaram a embaçar. Nesse momento, como se estivesse acordando de um súbito devaneio, recobrou a consciência.

Percebeu que já não mais vestia o casaco grosso que usava para aplacar o frio. A temperatura, aliás, lhe congelava os ossos, uma vez que, naquele momento, trajava apenas a combinação que costumava usar por baixo do vestido preto. Nem sinal das botas ou do resto das roupas que lhe foram arrancados.

A corda que circundava tanto os pulsos como os tornozelos dela fez-se presente pela pressão que aplicava nas articulações. A moça olhou para cima e viu a corda que puxava seus braços para cima amarrada em uma das vigas de sustentação do teto do galpão.

Apesar de não ter idéia de como ou por que estava ali, Scarlet tinha um péssimo pressentimento. Era como se aqueles momentos vividos na adolescência tomassem forma novamente. Não que a vida de Scarlet fosse um mar de sofrimento, mas ela já havia passado por situações em que ficara absolutamente vulnerável. E era justamente isso o que mais temia.

A garçonete permanecia em pé, com os braços presos acima da cabeça e os pés atados, quando sentiu a respiração quente de um homem na base do pescoço. Ele já estava lá havia muito tempo. E havia prometido nunca mais encostar nela.

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* Maninuka Zakharova carrega o balé no coração, o jornalismo na profissão e o socialismo na razão. Tem a voz doce, daquelas que transmitem sincera delicadeza. Por dentro, no entanto, pulsa a inquietação. Morou na antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), integrou companhias internacionais de dança, rodou a Europa, aprendeu três línguas e hoje trabalha em uma das maiores agências de notícias do mundo. E isso que mocinha nem chegou aos 30. No cardápio etílico, apenas vodca importada ou Jack Daniels. Não tente oferecer outra coisa. É perda de tempo.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Promessas e arrependimentos - Parte I


Ela havia prometido a si mesma que não repetiria o erro. Depois do último susto, só voltaria para casa, à noite, de táxi ou de ônibus. Jamais de metrô. O problema não se encontrava na estação de Elephant & Castle, a última parada da Bakerloo Line, ao sul de Londres. Mas na distância até o prédio onde morava. Há cerca de dois meses, Scarlet teve de correr cinco quarteirões para chegar em casa em segurança. Um homem a perseguira quase até a porta do edifício e gritara coisas sem sentido ao perceber que não iria alcançá-la. A bela ruiva nem perdera tempo no dia seguinte em uma delegacia, pois não conseguiria descrever sequer as roupas do sujeito. O trauma, esse ficou.

Naquela noite gelada de dezembro, no entanto, Scarlet ficara sem muitas alternativas. A garçonete trabalhava em um restaurante em Picadilly Circus, um dos pontos mais procurados pelos turistas na capital inglesa, mas o baixo movimento da segunda-feira não rendeu gorjetas suficientes para o táxi, um dos serviços mais caros de Londres. Para piorar a situação, se atrasara a ponto de perder o último ônibus direto a Elephant & Castle (clique na imagem abaixo). Vivia, assim, um dilema: ou seguia até Trafalgar Square e pegava um ônibus noturno ou corria até a estação de metrô mais próxima para, talvez, subir no último trem. Ficou com a segunda opção, apesar dos riscos.

Scarlet enfrentara a viagem com suor nas mãos. Estava nervosa, desconfiada e, com angústia, viu se repetir a cena do início ao fim do trajeto. Era sempre assim: a cada parada, uma boa leva de trabalhadores e bebuns descia dos vagões, deixando-a praticamente sozinha até o fim da linha. Suspirou com resignação ao alcançar Elephant & Castle e perceber que, mais uma vez, enfrentaria o caminho até em casa sem companhia. Nessas horas, ela mantinha os cabelos presos em um coque, apesar de os olhos verdes se realçarem ainda mais. Também tentava esconder o volume dos seios com a bolsa, mas, mesmo assim, continuava atraente. Temia provocar frenesi parecido ao da clientela do restaurante, que ficava mais interessada nela do que nos comes e bebes. O patrão não gostava da ideia, mas era uma boa funcionária.

Apavorada, Scarlet seguiu em frente. A jovem subiu a primeira leva de escadas rolantes e estancou no saguão da estação, que dava duas opções de saída. Uma para o leste do bairro, a parte mais habitada da região. O apartamento alugado por ela, desde que trocara a litorânea Brighton pela agitada Londres, ficava no lado oeste. Não tivera muito tempo para procurar algo melhor, pois tinha de arranjar emprego logo. O imóvel ficava a seis quarteirões de distância dali, o que tornava a chegada de táxi ou de ônibus bem mais segura. A parada ficava quase na porta de casa. E os taxistas sempre a aguardavam entrar no prédio antes de desaparecer dali.

A partir do metrô, o caminho até o prédio tinha pouca ou quase nenhuma iluminação. Perto da meia-noite, então, não havia mais ninguém na rua. Sobravam apenas os becos e os prédios descoloridos. Às vezes, a linda garçonete deixava a imaginação correr solta. Via-se como uma atriz em meio a uma cena de filme de suspense. A presença fictícia de câmeras, diretor, produtores e figurantes apareciam como uma forma de amenizar o medo e passar o tempo de uma vez.

Naquela noite, no entanto, Scarlet estava mais nervosa do que o normal. Sentia um aperto no coração, sensação que a acompanhara desde Picadilly Circus. Assim, precisou de cerca de 10 minutos para criar coragem e subir os degraus que a levariam até a rua. Depois de avançar sobre a escadaria da estação, olhou em volta com extrema atenção. Nenhum vulto. Nenhum barulho. Nada. Só ela, a escuridão e o medo de ser atacada por um assassino, um estuprador ou coisa parecida. A lembrança da última tentativa de ataque a fazia tremer até os ossos.

Scarlet enfim tomou fôlego e iniciou a caminhada até o conforto de casa. Era, aliás, só nisso que pensava. Um banho quente, um baby doll limpo e cama... Esboçou um leve sorriso, mas em seguida voltou as atenções aos seis quarteirões que precisava vencer. Passou o primeiro e o segundo cruzamentos sem que nada lhe tirasse a determinação. Ao atravessar a rua e alcançar a terceira esquina, porém, a bela ruiva percebeu que alguém a seguia a poucos metros de distância. O corpo gelou, o coração disparou e uma lágrima lhe escorreu pela face. Eram os primeiros sinais de arrependimento por conta da promessa quebrada.
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N.A.: Promessas e arrependimentos terá três finais. Experiência inédita no Totalmente Sem-Noção (TSN) ofereceu a três leitores do blog mais amado do Brasil o privilégico de dar um fim a um texto escrito por um dos joselitos. Neste caso, a história de Scarlet. Cada parte final será publicada em sequência: domingo à noite (7/2), terça à noite (9/2) e quinta à noite (11/2). Divirtam-se!!!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

TSN no show do Metallica



O Totalmente Sem-Noção (TSN), o blog mais amado do Brasil, se lançou em uma campanha planetária para se fazer conhecido universalmente. Um dos primeiros passos da campanha teve início no último sábado em São Paulo, durante os shows do Sepultura e do Metallica no estádio Morumbi. Os três joselitos - Guilherme Zé Gotinha, Zethi e Felipe Bóris - marcaram presença na dupla apresentação em local priviliegiado. Ainda visitaram os bastidores da dupla apresentação, sendo ainda recebido por James Hetfield e Lars Ulrich. Os dois principais nomes do Metallica não só receberam camisetas promocionais do TSN, como se comprometeram a usá-las na continuação da Death Magnetic Tour. A seguir, um dos trechos do show, em primeira mão aos leitores do blog mais querido do país, do mundo e quicá do universo. Vale ver até o fim!!!