Promessas e arrependimentos - Parte I
Ela havia prometido a si mesma que não repetiria o erro. Depois do último susto, só voltaria para casa, à noite, de táxi ou de ônibus. Jamais de metrô. O problema não se encontrava na estação de Elephant & Castle, a última parada da Bakerloo Line, ao sul de Londres. Mas na distância até o prédio onde morava. Há cerca de dois meses, Scarlet teve de correr cinco quarteirões para chegar em casa em segurança. Um homem a perseguira quase até a porta do edifício e gritara coisas sem sentido ao perceber que não iria alcançá-la. A bela ruiva nem perdera tempo no dia seguinte em uma delegacia, pois não conseguiria descrever sequer as roupas do sujeito. O trauma, esse ficou.
Naquela noite gelada de dezembro, no entanto, Scarlet ficara sem muitas alternativas. A garçonete trabalhava em um restaurante em Picadilly Circus, um dos pontos mais procurados pelos turistas na capital inglesa, mas o baixo movimento da segunda-feira não rendeu gorjetas suficientes para o táxi, um dos serviços mais caros de Londres. Para piorar a situação, se atrasara a ponto de perder o último ônibus direto a Elephant & Castle (clique na imagem abaixo). Vivia, assim, um dilema: ou seguia até Trafalgar Square e pegava um ônibus noturno ou corria até a estação de metrô mais próxima para, talvez, subir no último trem. Ficou com a segunda opção, apesar dos riscos.
Scarlet enfrentara a viagem com suor nas mãos. Estava nervosa, desconfiada e, com angústia, viu se repetir a cena do início ao fim do trajeto. Era sempre assim: a cada parada, uma boa leva de trabalhadores e bebuns descia dos vagões, deixando-a praticamente sozinha até o fim da linha. Suspirou com resignação ao alcançar Elephant & Castle e perceber que, mais uma vez, enfrentaria o caminho até em casa sem companhia. Nessas horas, ela mantinha os cabelos presos em um coque, apesar de os olhos verdes se realçarem ainda mais. Também tentava
esconder o volume dos seios com a bolsa, mas, mesmo assim, continuava atraente. Temia provocar frenesi parecido ao da clientela do restaurante, que ficava mais interessada nela do que nos comes e bebes. O patrão não gostava da ideia, mas era uma boa funcionária.
Apavorada, Scarlet seguiu em frente. A jovem subiu a primeira leva de escadas rolantes e estancou no saguão da estação, que dava duas opções de saída. Uma para o leste do bairro, a parte mais habitada da região. O apartamento alugado por ela, desde que trocara a litorânea Brighton pela agitada Londres, ficava no lado oeste. Não tivera muito tempo para procurar algo melhor, pois tinha de arranjar emprego logo. O imóvel ficava a seis quarteirões de distância dali, o que tornava a chegada de táxi ou de ônibus bem mais segura. A parada ficava quase na porta de casa. E os taxistas sempre a aguardavam entrar no prédio antes de desaparecer dali.
A partir do metrô, o caminho até o prédio tinha pouca ou quase nenhuma iluminação. Perto da meia-noite, então, não havia mais ninguém na rua. Sobravam apenas os becos e os prédios descoloridos. Às vezes, a linda garçonete deixava a imaginação correr solta. Via-se como uma atriz em meio a uma cena de filme de suspense. A presença fictícia de câmeras, diretor, produtores e figurantes apareciam como uma forma de amenizar o medo e passar o tempo de uma vez.

Naquela noite, no entanto, Scarlet estava mais nervosa do que o normal. Sentia um aperto no coração, sensação que a acompanhara desde Picadilly Circus. Assim, precisou de cerca de 10 minutos para criar coragem e subir os degraus que a levariam até a rua. Depois de avançar sobre a escadaria da estação, olhou em volta com extrema atenção. Nenhum vulto. Nenhum barulho. Nada. Só ela, a escuridão e o medo de ser atacada por um assassino, um estuprador ou coisa parecida. A lembrança da última tentativa de ataque a fazia tremer até os ossos.
Scarlet enfim tomou fôlego e iniciou a caminhada até o conforto de casa. Era, aliás, só nisso que pensava. Um banho quente, um baby doll limpo e cama... Esboçou um leve sorriso, mas em seguida voltou as atenções aos seis quarteirões que precisava vencer. Passou o primeiro e o segundo cruzamentos sem que nada lhe tirasse a determinação. Ao atravessar a rua e alcançar a terceira esquina, porém, a bela ruiva percebeu que alguém a seguia a poucos metros de distância. O corpo gelou, o coração disparou e uma lágrima lhe escorreu pela face. Eram os primeiros sinais de arrependimento por conta da promessa quebrada.
Naquela noite gelada de dezembro, no entanto, Scarlet ficara sem muitas alternativas. A garçonete trabalhava em um restaurante em Picadilly Circus, um dos pontos mais procurados pelos turistas na capital inglesa, mas o baixo movimento da segunda-feira não rendeu gorjetas suficientes para o táxi, um dos serviços mais caros de Londres. Para piorar a situação, se atrasara a ponto de perder o último ônibus direto a Elephant & Castle (clique na imagem abaixo). Vivia, assim, um dilema: ou seguia até Trafalgar Square e pegava um ônibus noturno ou corria até a estação de metrô mais próxima para, talvez, subir no último trem. Ficou com a segunda opção, apesar dos riscos.
Scarlet enfrentara a viagem com suor nas mãos. Estava nervosa, desconfiada e, com angústia, viu se repetir a cena do início ao fim do trajeto. Era sempre assim: a cada parada, uma boa leva de trabalhadores e bebuns descia dos vagões, deixando-a praticamente sozinha até o fim da linha. Suspirou com resignação ao alcançar Elephant & Castle e perceber que, mais uma vez, enfrentaria o caminho até em casa sem companhia. Nessas horas, ela mantinha os cabelos presos em um coque, apesar de os olhos verdes se realçarem ainda mais. Também tentava
esconder o volume dos seios com a bolsa, mas, mesmo assim, continuava atraente. Temia provocar frenesi parecido ao da clientela do restaurante, que ficava mais interessada nela do que nos comes e bebes. O patrão não gostava da ideia, mas era uma boa funcionária.Apavorada, Scarlet seguiu em frente. A jovem subiu a primeira leva de escadas rolantes e estancou no saguão da estação, que dava duas opções de saída. Uma para o leste do bairro, a parte mais habitada da região. O apartamento alugado por ela, desde que trocara a litorânea Brighton pela agitada Londres, ficava no lado oeste. Não tivera muito tempo para procurar algo melhor, pois tinha de arranjar emprego logo. O imóvel ficava a seis quarteirões de distância dali, o que tornava a chegada de táxi ou de ônibus bem mais segura. A parada ficava quase na porta de casa. E os taxistas sempre a aguardavam entrar no prédio antes de desaparecer dali.
A partir do metrô, o caminho até o prédio tinha pouca ou quase nenhuma iluminação. Perto da meia-noite, então, não havia mais ninguém na rua. Sobravam apenas os becos e os prédios descoloridos. Às vezes, a linda garçonete deixava a imaginação correr solta. Via-se como uma atriz em meio a uma cena de filme de suspense. A presença fictícia de câmeras, diretor, produtores e figurantes apareciam como uma forma de amenizar o medo e passar o tempo de uma vez.

Naquela noite, no entanto, Scarlet estava mais nervosa do que o normal. Sentia um aperto no coração, sensação que a acompanhara desde Picadilly Circus. Assim, precisou de cerca de 10 minutos para criar coragem e subir os degraus que a levariam até a rua. Depois de avançar sobre a escadaria da estação, olhou em volta com extrema atenção. Nenhum vulto. Nenhum barulho. Nada. Só ela, a escuridão e o medo de ser atacada por um assassino, um estuprador ou coisa parecida. A lembrança da última tentativa de ataque a fazia tremer até os ossos.
Scarlet enfim tomou fôlego e iniciou a caminhada até o conforto de casa. Era, aliás, só nisso que pensava. Um banho quente, um baby doll limpo e cama... Esboçou um leve sorriso, mas em seguida voltou as atenções aos seis quarteirões que precisava vencer. Passou o primeiro e o segundo cruzamentos sem que nada lhe tirasse a determinação. Ao atravessar a rua e alcançar a terceira esquina, porém, a bela ruiva percebeu que alguém a seguia a poucos metros de distância. O corpo gelou, o coração disparou e uma lágrima lhe escorreu pela face. Eram os primeiros sinais de arrependimento por conta da promessa quebrada.
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N.A.: Promessas e arrependimentos terá três finais. Experiência inédita no Totalmente Sem-Noção (TSN) ofereceu a três leitores do blog mais amado do Brasil o privilégico de dar um fim a um texto escrito por um dos joselitos. Neste caso, a história de Scarlet. Cada parte final será publicada em sequência: domingo à noite (7/2), terça à noite (9/2) e quinta à noite (11/2). Divirtam-se!!!



