Tenho me dedicado nas últimas semanas
a organizar no iTunes as milhares de músicas gravadas no computador de casa. Não é tarefa fácil, apesar de o programa da Apple se mostrar deveras eficiente. Tem de ter saco para dar uma filtrada nas canções e, a partir de então, montar as playlists. A minha preferida, que tem consumido mais horas de dedicação, é a que reúne os principais
representantes do rock n´n roll e do heavy metal mundial.
Pois bem, assim que passei a minha discoteca do metal, do progressivo, do melódico etc. para a nova playlist, descobri um problema, ainda em busca de solução. Não por
idiotice digital, mas por falta de tempo mesmo. O iTunes oferece uma lista gigante de informações para uma única música. Nome, duração, artista, classificação do gênero e até quantidade de execuções. A minha “dificuldade” surgiu no
quesito álbum.
Talvez metade das canções gravadas no PC não tinha o nome do disco gravado na memória do arquivo MP3. Como
odeio espaços em branco, aos poucos preencho esses vazios dos títulos. Pode parecer meio sacal, mas é um exercício que tem proporcionado prazer. Além de muita informação, claro. Meu principal parceiro de trabalho tem sido o Google. Jogo ali os nomes do grupo e da música e mergulho na pesquisa até achar o
álbum correspondente à canção. Privilegio sempre a primeira gravação.
Tal busca tem me oferecido
agradáveis surpresas. Algumas informações também chamam a atenção pelos detalhes das gravações de discos clássicos ou até por erros históricos – eles aparecem inclusive nos sites especializados em

download. Para não torrar muito o saco (é muita história para contar), separei
algumas curiosidades encontradas e confirmadas ao longo da pesquisa.
Engraçado, por exemplo, descobrir a
primeira banda da Janis Joplin. O nome? Big Brother and the Holding Company. Ela gravou dois álbuns com o grupo loucamente psicodélico (a capa de Cheap Thrills é sensacional), nos quais estão clássicos como
Down On Me,
Piece Of My Heart e
Summertime. Janis também se destac
ou com a banda Full Tilt Boogie Band, com quem lançou Pearl, seis meses antes de morrer por
overdose de heroína, em 1970, aos 27 anos. Coisdilouco. Ou dilouca.
Outra da Janis Lyn
n Joplin. Mas, desta vez,
não por culpa dela. Não sei como, mas aparece em tudo quanto é canto da grande rede que a canção
Sun Of A Preacher Man é de

la ou cantada por ela. Talvez até tenha gravado a música, mas a versão mais famosa, que aparece na
trilha sonora de Pulp Fiction, do Tarantino, é creditada à cantora britânica Dusty Springfiled. A clássica gravação, aquela que todos conhecem, é de 1969. Confesso que não foi muito fácil descobrir isso, putz...
Outro ponto que intriga o pobre ouvinte passa pelos nomes das canções e os títulos dos álbuns. Em dois casos, sabia dessas
pequenas diferenças antes da pesquisa virtual. Mas vale a pena aproveitar a ocasião. Envolvem Pink Floyd e Led Zeppelin. Primeiro: não existe a música Dark Side Of The Moon. Esse é o nome do álbum. A expressão, porém,
aparece por duas vezes na letra de
Brain Damage, a quarta faixa do lado B do LP Dark Side Of The Moon. “And if your head explodes with dark forbodings too/I’ll see you on the dark side of the moon”. Só isso.

Em outras ocasiões, nem sempre a música de mesmo nome está no
disco homônimo. Isso rola no quinto disco do Led Zeppelin, Houses Of The Holy. A faixa de mesmo nome chegou a ser trabalhada durante as sessões de gravação do álbum, em 1973, mas o lançamento só ocorreu dois anos depois, no duplo Physical Graffiti. Por quê?
Não faço a menor ideia, desculpem-me, de coração.
A coisa não para. David Bowie, por exemplo. Comecei a ouvi-lo faz bem pouco tempo e logo me chamou a atenção a obsessão do cara com o
espaço sideral. Entre odisséias espaciais e aranhas de Marte, o andrógino criou um tal de Ziggy Stardust. Trata-se de um
alienígena rock star que aterrissa em um mundo predestinado a acabar em cinco anos. Barbaridade! É muita substância psicotrópica para um sujeito só. Segundo Bowie, Ziggy é um dos poucos nomes cristãos que começam com a letra Z. E Stardust ele pegou emprestado de um amigo cantor country. Vai entender. Ou melhor não.

Para encerrar, historinha da capa do álbum Paranoid, o segundo disco do Black Sabbath. Uma das grandes canções do disco é a própria faixa-título,
criada e gravada de última hora porque não havia faixas suficientes para fechar os lados A e B. Surgiu em 25 minutos, ´na finaleira do estúdio, a partir de uma dedilhada do guitarrista Tony Iommi. Outra curiosidade do disco, lançado em 1970, fica por conta da capa. A foto de sujeito com espada, escudo e capacete, solto em um cenário obscuro e tremido, foi tirada para ilustrar o nome original do disco, que deveria se chamar War Pigs (nome da música de abertura). Mas o medo de críticas em relação aos apoiadores da Guerra do Vietnam(1959-1970) forçou a mudança do nome para Paranoid. Tudo improvisado no último segundo. Como
também pode e dever ser o rock n´roll.