sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Destruindo mitos: a Seleção de 1982

Publicado ao mesmo tempo em www.bolaetudo.blogspot.com

No dia 5 de julho de 1982, nasceu, por circunstâncias diversas, um dos maiores mitos da história recente do Brasil. Naquele dia, no já demolido estádio de Sarriá, na cidade de Barcelona, na Espanha, a derrota de uma Seleção Brasileira indisciplinada taticamente, irresponsável, inconsciente e preguiçosa ganhou proporções épicas. O time, nada mais que uma equipe mediana e que contava alguns craques – exatamente como outras tantas seleções brasileiras – , ganhou status de representação do “futebol bonito”, do “futebol menino”, alegre e vistoso. “Esse é o futebol brasileiro”, gritam até hoje as viúvas de 1982. As gerações mais novas cresceram ouvindo essa bobagem, essa falácia que de tanto que foi repetida, soa como uma verdade universal. Mas é chegada a hora de botar o castelo de areia abaixo.

Em 1982, já no período final da ditadura, o Brasil estava completamente sem rumo social, político, cultural e esportivo. A política militar de construir estádios gigantes Brasil afora para aquietar os ânimos da população já não estava mais surtindo tanto efeito. Para quem havia conquistado três copas do mundo em uma dúzia de anos, ficar outros 12 sem sequer chegar a uma final era uma porrada e tanto na auto-estima. A carência de ídolos, o patriotismo exacerbado e a ascensão naquele momento de jogadores do Flamengo (representados por Zico, Júnior e Leandro) só serviram para popularizar ainda mais aquele “bando” de atletas treinados caoticamente por Telê Santana e que acabaram equivocadamente transformados em mitos. Se não fazemos nada na economia, nem na política, temos que mostrar ao mundo o que sabemos fazer: jogar bola e meter gols. Não importa o resultado.

O que ninguém conta direito para vocês, caros jovens amigos, é que o “meter gols” daquela época foi em cima da inexpressiva Nova Zelândia. Ou da periclitante Escócia – seleção esta que jamais venceu partida e sequer passou da primeira fase em nenhum dos diversos mundiais que disputou. Brasilzão este que suou sangue para ganhar do mediano escrete soviético, outro selecionado também sem representação histórica alguma no futebol mundial.

A única vitória digna de registro foi sobre a capenga seleção da Argentina, que tinha um Mario Kempes velho, um jovem Maradona caneleiro que só sabia sentar a porrada nos adversários – foi expulso na partida, após violenta entrada em Batista – e que havia perdido da Bélgica, debutante em copas do mundo. O 3 x 1, com direito a sambadinha do displicente Junior, nos deu a vantagem do empate para a partida contra a Itália, criando a ilusão de que os europeus seriam presas fáceis para nós. Ledo engano.

Os italianos, que brincaram de empatar com Camarões e outras tranqueiras na primeira fase, nem precisaram jogar muito para derrotar o Brasil com relativa facilidade. Tamanha foi a moleza que um sujeito que havia ficado um ano e meio sem jogar bola (por conta de escândalos de corrupção no futebol italiano) meteu três gols em nós. A maioria decorrente de erros grotescos da nossa defesa.

Acessem este vídeo para entender melhor o que estou dizendo.



Vejam o primeiro gol da Itália. Cruzamento de Cabrini. Há cinco brasileiros contra dois italianos. O Rossi caminha a passos largos e lentos, sob os olhares letárgicos de Luizinho. Pior que isso só mesmo o gol perdido por Serginho Chulapa na sequencia. Nem mesmo o Ciel seria capaz de tamanha monstruosidade. E o Roberto Dinamite no banco...

Os poucos lampejos de genialidade, restritos ao meio-de-campo deste selecionado, resultaram num gol de empate de Sócrates. Mas como o time do Telê era o time do Telê, o atleticano Toninho Cerezo incorporou as cores da camisa que vestia para acertar um passe primoroso para... Paolo Rossi. Vejam que lambança histórica. A tenebrosa zaga, formada por Oscar e Luizinho, por sua vez, estava tão fora de foco no jogo ou fora de forma física que ficou a ver navios, comendo poeira. Não dá vontade de apedrejar esses caras?

Novamente, para conseguirmos o empate, Zico, Falcão e Sócrates tiveram de suar bastante. Mas para ganhar copa do mundo tem que ter estrela, amigo. E time que tem Zico não ganha copa do mundo. Isso foi escrito há 100 mil anos.

Pior: time que tem Toninho Cerezo não ganha nem par ou ímpar. Vejam outra pérola do ex-meia do Patético-MG: ele dá uma cabeçada ridícula, tentando recuar a bola para Waldir Peres. O goleiro, que já era horrível, não conseguiu pegar a pelota, claro. Escanteio. Na cobrança, a Itália faz tabelinha de cabeça na grande área, ninguém marcando ninguém, até que uma bola sem-vergonha é espirrada para a pequena área do Brasil. Rossi nem precisou ser oportunista nem nada. Chutou para o único lugar que dava e decretou a derrota do Brasil. Detalhe odioso: no maior estilo “Roberto Carlos e a meia de 2006”, Júnior aparece no meio da pequena área, com a mãozinha pro alto pedindo impedimento, dando condição total ao italiano e sem mexer um centímetro no lance. Patético.

Mais revelador ainda: completamente abatido e derrotado em campo, o Brasil ainda tem a ajuda considerável da arbitragem no lance seguinte. Antognoni recebe um passe certeiro de Paolo Rossi e marca o que seria o quarto gol italiano. Talvez por piedade, o árbitro Abraham Klein, de Israel, anula o gol. No fim, como não tínhamos nenhum atacante decente, o pobre do Oscar ainda tentou empatar em cabeçada prontamente defendida por Dino Zoff, um goleiro de 40 anos que disputava sua quarta copa do mundo.

As viúvas de 1982 ainda se remoeram mais quando, 12 anos depois, o Brasil de jogadores menos fanfarrões, mais disciplinados e eficientes fez bonito o que os pseudo-heróis de Telê e Cia não conseguiram: venceram a Copa do Mundo. Execrado pelos cegos da subjetividade, em sua má-fé, cínica e obtusa, o time de Parreira, em uma avaliação sóbria, homem a homem, também leva a melhor sobre os patéticos atletas que foram brincar na Espanha. Vejamos:

Goleiro: Ponto para 1994.

Taffarel é anos-luz melhor que Waldir Peres. Jogou três copas, não falhou em nenhum momento decisivo. Pelo contrário, pegou foi muito pênalti na hora que precisamos dele. Waldir Peres? Vejam a estréia dele na Espanha: http://www.youtube.com/watch?v=1Mq38IEFJHo

Laterais: Ponto para 1982 com um empate.

Jorginho e Leandro? Pau a pau. Considero empate.

Branco e Junior? Bem, apesar de o Branco ter jogado bem as três copas que disputou, de ter feito o gol cala-a-boca, de ter anulado o Overmars, de ter entrado na fogueira e não ter pipocado e de ter estrela de vencedor, ainda vou dar essa canja pro Junior. Mesmo o nosso querido Leovegildo não tendo jogado bem nem em 1982, nem em 1986, já no meio-de-campo.

Zagueiros: Mais dois pontos para 1994.

Não dá pra comparar Aldair e Márcio Santos, nossa melhor defesa em todas as copas, com Luizinho e Oscar. Piada.

Meio-de-campo: Três pontos para 1982 e um para 1994.

Dunga foi muito mais jogador que Cerezo. E não fazias as lambanças que o ex-jogador do Galo fez em momentos decisivos.

Mauro Silva era um tanque, um baita jogador. Mas não há termo comparativo com ele em 1982, pois o lunático time do Telê não tinha volantes do mesmo tipo. Mazinho e Zinho eram horríveis. Então, Sócrates, Zico e Falcão levam essa sem muito esforço.

Ataque: Dois pontos para 1994.

Romário e Bebeto meteram gols decisivos sempre que jogaram juntos, se entendiam em campo e fizeram história na Seleção Brasileira. Já Éder e Serginho Chulapa...

Placar final: 1994 leva a melhor em seis posições. 1982 em quatro. E uma dá empate. Mesmo que haja uma ou outra discordância sobre esta avaliação feita acima, não será suficiente para dizermos que o timeco que apanhou no Sarriá merece muito mais o nosso respeito que a geração campeão em gramados americanos.

Mesmo o técnico de 1982 levou anos para ser reconhecido por alguma coisa. Até conquistar os títulos pelo São Paulo dez anos depois, Telê Santana era visto como símbolo de fracasso, de pé-frio e de sujeito sem estrela, pelos inúmeros campeonatos perdidos quando treinava equipes bem melhores que as outras (vide Atlético-MG em 1987, só para citar um exemplo).

Portanto, garotos e garotas, jovens e não tão jovens, sempre que falarem do time de 1982 com este endeusamento expresso, desconfiem. E retruquem com convicção, argumentação e fatos: não é verdade. Aquele time é uma grande farsa. Valorizem quem foi lá, mostrou o futebol como é que é, como as equipes de 1994 e 2002. E se for para respeitarem devidamente alguém que perdeu copa, olhem com mais carinho para 1998: fizemos bons jogos, perdemos a final, mas chegamos lá e fomos vice-campeões. Nas últimas dez copas do mundo, nosso pior resultado foram quintos lugares. Adivinhem em que posição chegamos em 1982?

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Discoteca do rock


Vez ou outra nos recai sobre os ombros uma tarefa ingrata. Começa como um servicinho básico, mas termina como uma missão da qual dependerá o futuro da humanidade. Ok. Forçada de barra. Ok. Apesar do exagero da afirmação, tais empreitadas não deixam de ter a relevância necessária. Pois bem, a minha se resumia em criar um CD com clássicos do heavy metal (ou hard rock ou hardcore, como queiram classificar os meus gêneros musicais favoritos) para um sobrinho da fronteira do Rio Grande do Sul.

O garoto tem masculinos 7 anos. E os pais do figura identificaram uma tendência prematura e louvável. Ele se amarra em guitarras, gritos, escatologias e histerias coletivas. Nada melhor do que incentivá-lo em torno da maior fábrica de loucuras de todos os tempos: a instituição rock n´roll. Minha dificuldade, no entanto, teve início a partir de uma limitação imposta por mim mesmo. Deveria reunir clássicos do gênero em UM disco. Foda. Muito foda. Fodíssima.

No início, pensei em escolher um clássico de cada deus do rock. Mas, logo na primeira passada de olhos nas listas montadas por mim no iTunes, percebi que seguir tal regra seria uma estupidez. Além, claro, de ser coisa de amador. Principalmente se se leva em conta Led Zeppelin, Black Sabbath, Iron Maiden, AC/DC... Parti, então, por um caminho menos agressivo e mais genérico. Escolhi a dedo mais de uma centena de canções e joguei tudo no Nero, o software de gravações. Ali, deu para enxergar melhor a dimensão da coisa. Conclusão: pho-deu de novo.

A missão, tive de admitir, se mostrou mais espinhosa do que parecia. Saí do escritório de casa, caminhei até a sala e me servi de um cálice de vinho do porto. Sorvi-o em um só gole. E voltei para a frente do computador. Devidamente calibrado, iniciei os cortes. Tirei logo de cara umas duas, três do Led, cortei outras cinco do Metallica, descartei umas seis do Judas Priest e por aí a coisa se seguiu. Passei meia hora debruçado sobre as músicas. E ainda estava longe dos 80 minutos exigidos espartanamente pela mídia ainda virgem.

Uma hora depois, cheguei, a muito custo, a 45 canções megaclássicas do metal. Mas ainda precisava reduzir a umas 15, 16 para fechar um CD - a maioria delas tem mais de cinco minutos. Essa última parte foi como cortar na carne. Até porque, só para dificultar, queria incluir no presente do João (este é o nome do dito cujo) pelo menos uma banda característica dos anos 80 e outra dos anos 90. O restante seria, obviamente, dos anos 60 e 70. Optei por Guns N´ Roses e Nirvana. Mais do quem bom. E me concentrei na época de ouro.

No fim das contas, o guri vai mergulhar no maravilhoso mundo do metal principalmente por meio dos acordes de Led Zeppelin e AC/DC, que tiveram três canções escolhidas cada. Iron Maiden ganhou duas. Black Sabbath e Metallica também. Deep Purple e Judas Priest não podiam ficar de fora e uma música acabou entrando para cada. Logo abaixo, o set list dedicado ao rapazote. Aos pais, muito boa sorte. E bastante paciência. O heavy metal merece.

O CD do João

Immigrant Song (Led Zeppelin)
Highway To Hell (AC/DC)
Back In Black (AC/DC)
Rock N´ Roll (Led Zeppelin)
Smoke On The Water (Deep Purple)
Paranoid (Black Sabbath)
The Number Of The Beast (Iron Maiden)
Black Dog (Led Zeppelin)
Master Of Puppets (Metallica)
Phantom Of The Opera (Iron Maiden)
NIB (Black Sabbath)
You Shook Me All Night Long (AC/DC)
Sweet Child O´Mine (Guns N´Roses)
Enter Sandman (Metallica)
Smells Like Teen Spirit (Nirvana)
Painkiller (Judas Priest)

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Lanterna dos afogados

Muita gente pode estar passando por isso neste exato instante. Outras pessoas estão há um bom tempo sem vivenciar essa situação. Outras ainda vão passar por isso. De toda forma, é algo que cedo ou tarde acontece – e mais de uma vez – com mais de 90% de nós, seres humanos de livre arbítrio. Nas primeiras vezes, é difícil para caralho se tocar da real. Mas, com o tempo, a segurança, a experiência e a maturidade vão fazendo você perceber mais rapidamente e com mais facilidade uma verdade irrefutável: seu namoro / casamento está indo para o saco a passos largos. Se já não foi.

Não é apenas um fator isolado que determina o apodrecimento e a morte lenta de uma relação. Mas a soma de várias coisas que já (não) acontecem há muito tempo. E que (não) deveriam acontecer nunca. Às vezes você nem se toca, mas o mundo inteiro, seus amigos, família e até o parceiro já perceberam que este seu compromisso com outra pessoa já era. Até porque cada um tem seu tempo de perceber e fazer as coisas. E enxergar e aceitar a “derrota” de dentro da relação é muito mais difícil. Mas alguns sinais são cristalinos de que a parada não tem mais como dar certo. Vejamos:

1) O casal só consegue se divertir quando tem a companhia de outras pessoas.

Isso é básico. Os dois não fazem mais planos de ir para uma festa, de saírem para a balada, de jantarem sozinhos, caminharem no parque, viajarem num fim de semana. Só se animam quando algum amigo ou casal de amigos convida para algum evento social desse tipo. Aí até conseguem ir. Mas a companhia de um ou de outro apenas não se basta mais.

2) Brigas e discussões constantes são consideradas normais.

Tipo não tô falando de agressão física nem nada parecido (se chegou nesse nível, já é caso de polícia antes de qualquer outra coisa). Mas chega no fim de semana, qualquer coisa é motivo de irritação – desde cinco minutos que você passou no computador e não com a outra pessoa até um aniversário de criança que você não tava a fim de ir, mas tem que ir – e o pouco tempo livre é gasto para traçar alguma estratégia que apazigue os ânimos do companheiro. Uma tremenda energia despendida e quando você menos repara, vários fins de semana seguidos foram embora nesse esquema. Um tédio, uma aporrinhação, um tremendo pé no saco.

3) Pedir autorização vira rotina.

Uma das partes não consegue fazer nenhum tipo de programa sem entrar num árduo processo de negociação com a outra parte. E não tô falando de um alvará para ir à Micarecandanga ou numa despedida de solteiro. Mas de um simples happy hour, um videogame na casa dos amigos, um lanche depois do expediente. A resignação em não fazer nada sem autorização ainda cria “monstrinhos” porque uma parte fica acostumada a mandar e desmandar e a outra, acomodada, derrotada, não consegue impor sua vontade mesmo que isso não signifique (ou não deva significar) nenhuma crise na relação.

4) Os seus programas só podem ser feitos quando a outra pessoa tiver coisa para fazer no mesmo dia e hora.

É uma variação do item acima. Quando você menos repara, se reprime tanto que só se permite arriscar “pedir” (que vergonha esse verbo...) para ir jogar pôquer na casa de um amigo se a sua mulher tiver alguma coisa pra fazer na mesma hora. Se ela não tiver nada, mesmo que não vá querer ficar com você naquele horário, mesmo que não tenha programado nada para fazer contigo, você vexatoriamente se recolhe e não arrisca fazer o que tava a fim de fazer. E a úlcera vai aumentando.

5) Agressões e discussões em público viram rotina.

Tipo, isso é algo que não deveria acontecer nenhuma vez, nunca. Mas as implicâncias e respostas arrogantes e impacientes são dadas na frente dos parentes em almoço de família, em mesas de bar com amigos presentes e mesmo no ambiente de trabalho, quando é o caso do casal (sem trocadilho) trabalhar junto. É o fim da picada. Onde a relação tá tão desgastada que já entra para a seara do desrespeito e exposição pública. O que é extremamente desagradável, como diria o Zé Gotinha.

6) Quando uma parte viaja, a outra sai praticamente todos os dias.

Chega a ser patético. Uma das partes vai viajar, ficar um tempo fora, a trabalho ou a passeio e a outra já agiliza mil esquemas, avisa todos os amigos para se prepararem para a maratona de baladas (quando não putarias). E quase fica triste quando a data do retorno do companheiro (a) se aproxima. Tipo, a pessoa se meteu numa prisão (mais uma vez, este é uma variação do item 3) de tal forma que não consegue fazer nada que seja de sua vontade se, lá na pontinha da história, vislumbrar que isso possa minimamente causar algum tipo de aborrecimento (injustificado, na maioria dos casos) na outra parte. E então prefere sempre a tática covarde do “evitar o confronto” e cair no ciclo de mentiras (para si mesmo e para a outra parte) a demarcar limites, conversar que nem gente grande, uma vez que seja, para chegar num nível saudável de convivência.

7) A cada ano, uma das partes engorda 10 quilos.

Isso não necessariamente é um sinal de que há diretamente uma crise afetiva. Mas indiretamente, cedo ou tarde, os quilos (para não dizer arrobas) a mais acabam levando a relação para o buraco. A vaidade vai ficando nula, as roupas horríveis, a barba sempre por fazer, o cabelo mal cuidado. O problema é mais grave ainda se apenas uma das partes vai adquirindo um aspecto cada vez mais grotesco e rechonchudo. Existem gordinhos felizes, sim. Mas uma coisa é fato: não existe aspecto positivo, nenhuma vantagem, nada que possa ser motivo de orgulho para uma pessoa que tem 20, 30kg acima do peso.

8) Acham normal transarem uma vez por mês. Ou nem isso.

Ainda mais se o casal é novo, transar uma vez por mês em condições normais de temperatura e pressão é um indício claro que a atração de um pelo outro está indo para o buraco. E pode ter certeza que mesmo esse sexo bissexto será feito de forma tão burocrática que as duas partes vão desejar ficar ainda mais tempo na abstinência. Por que, claro, se fosse bom, não demorariam nem uma hora para fazer novo, correto?

9) Os amigos íntimos sumiram.

Cansados de ouvir desculpas esfarrapadas (veja itens 3, 4 e 6), os amigos mais íntimos já não dão tantas notícias. A carência de informações acerca do mundo real deixa o casal em crise ingênuo. E faz com que simples e despretensiosos relatos sobre uma história vivida no fim de semana encham de saudade os ouvidos do panaca que se meteu nesse buraco. Mas a culpa disso é apenas da outra parte, que massacrou o pobrezinho sem amigos? Não, claro que não é só isso. Grande parte da (ir) responsabiliade por ter deixado a situação chegar nesse ponto é do pastel que não soube se impor e viu os amigos se afastarem. E aí é receita para o fracasso. Porque as mulheres passam na sua vida, cedo ou tarde. Os amigos ficam para sempre.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Será que é isso que eu necessito?

Entre cabos, instalações de decodificadores, de aparelhos de som, DVD, videogame e uma caralhada de parafernália eletrônica, descobri que não tenho mais a TV Globo na minha casa. A über-corporação do clã Marinho tem alguma pirraça com a Sky de forma que não dá pra ver o Zorra Total e o Faustão pelo meu decodificador. Aliás, já tava sem o canal 10 havia algumas semanas. Então, tentei me lembrar da última vez que vi o indefectível, o indefenestrável Jornal Nacional. Não lembro.

Também foi longe o tempo que vi pela última vez alguma novela na nave-mãe. Não tenho nada contra as mesmas (adorava Roque Santeiro, Cambalacho, Um Sonho a Mais, Selva de Pedra e Vale Tudo), mas desde que Ana Raio e Zé Trovão (na TV Manchete ainda) acabou, há uns 15 anos, perdi o hábito noveleiro. Foi bom. Ganhei noites livres, leves e soltas para fazer qualquer coisa que não fosse ver TV.

Também não consigo acordar antes de 12h aos domingos de forma que sempre tento sem sucesso ver as corridas de Fórmula 1, este sim um diferencial considerável do império global. Mas realmente não me recordo da última vez que assisti sem estar de ressaca e na íntegra a uma corrida.

Hoje em dia, do alto de minha serenidade e sapiência, eu chego do trabalho e encaro uma maratona de Pica-Pau na Record. Aí dou uma zapeada nos jornais locais da Record e da Band. E deixo quieto esse lance de ver TV. Minha TV a cabo se resume aos canais 38, 39 e cento e vinte e alguma coisa, que passam os jogos do Campeonato Brasileiro.

Então, voltando ao começo do texto. Para que diabos eu vou querer a Rede Globo? Vai dar o maior trampo puxar o fio da antena, chamar técnico, fazer emenda em cabo. Preguiça total. Nem Olimpíadas mais eles têm. E o Jornal Nacional? Realmente tem algo diferente do que eu li ou vou ler no G1, Terra ou UOL? Pensando nisso e no serviço social que eu estaria prestando a quem forçosamente descobriu que existe vida sem o Jornal Nacional, um amigo extremamente preocupado com o nível de esclarecimento social da sociedade brasiliense, brasileira e mundial, elaborou uma lista do que você pode fazer na hora que a Ótima Bernardes e o William Bonner estão ali, brilhando na telinha – mas bem longe da sua sala de TV.

1 - Elevar seu conhecimento sobre o universo masculino assistindo Two and Half Men no Warner

2 - Ter um flashback dos anos 90 assistndo Seinfield no Sony

3 - Entender um pouco melhor sobre a audiência do Jornal Nacional assistindo os Simpsons na Fox

4 - Participar de um leilão de bois zebu no Canal Rural

5 - Acalentar suas esperanças assistindo apocalipse cósmico no History Channel

6 - Aprender alemão na DWTV

7 - Aprender um novo ofício no clássico Scrittori per un anno na Tv do Sílvio Berlusconni

8 - Ficar mais elegante com conselhos homossexuais em Queer eye for a straight guy no Fox Family

9 - Ver umas modelos anoréxicas no Fashion TV

10 - Acompanhar o pensador Cléber Machado na reprise do Arena Sportv

11 - Chorar com a guerra de Oprah Winfrey contra a balança

12 - Assistir à 330º reprise deste ano de Virgem aos 40 na TNT

13 - Assistir à 1099º reprise de o Exterminador do Futuro 2 em pelo menos 10 canais ao mesmo tempo

14 - Se elevar espiritualmente com a sessão diária da Igreja Ebenézer na Band

15 - Comprar um aparelho para emagrecer sem esforço no Shop Time (aproveite e compre mais um George Foreman Grill e uma super escada maleável)

16 - Adquirir uma jóia parcelada em 48x em algum dos canais eventuais

17 - Desenvolver suas habilidades manuais com a arte do origami dentro do festejado Good
Morning Japan na rede NHK

18 - Se impressionar com o programa As Super Víboras no NatGeo ou a Semana do Tubarão no Discovery (Sem esquecer da Pesca Mortal)

19 - Ria e se envenrgonhe vendo a reprise da reunião do Conselho de Ética do Senado ou de um discurso do deputado Wilson Lima na TV Legislativa

20 - Exercer sua cidadania com o programa Defenda Sua Tese na TV Justiça

21 - Aprimorar seus conhecimentos em filosofia e metafísica com o clássico Sem Frescura de Paulo César Pereio no Canal Brasil

22 - Ver clipes repetidos no Multishow

23 - Saber sobre a situação política no Djibouti no telejornal da TV 5 francesa

24 - Se sentir num "Matrix" assistindo o Bloomberg Channel

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Elderly Woman Behind The Counter In A Small Town

Henrique mora no Guará. Completamente fora de forma, ele sofre para caminhar os 800 metros que separam sua casa, na QE 25, do ponto de ônibus mais próximo. Todos os dias faz esse trajeto para ir ao trabalho. Quando chega na parada, já está suando bicas. Ele esfrega a mão na testa encharcada pra limpar o suor. Sem pensar duas vezes, seca a mão na blusa social que está vestindo. Tamanho extra grande, comprada na C&A e, mesmo assim, com os botões quase saltando de tão esticados que deixam a blusa.

Henrique olha para o lado e vê as obras da estação de metrô do Guará. Ele mal pode esperar pela inauguração deste ponto. “Vou poder me esfregar numas gostosas de manhã”, pensa, sem nem lembrar de quando foi a última vez que fez sexo sem pagar por isso. Henrique é um sujeito nojento. Enquanto espera pelo ônibus que o levará ao Setor Comercial Sul, seu local de labuta diária, ele enfia o dedo no nariz e arranca uma casca de meleca enorme. O clima está seco em Brasília. Ele cola a meleca na parede do ponto de ônibus. Uma jovem olha a cena com cara de repulsa. Henrique não está nem aí.

Seu ônibus chega. É aquele que o levará à rodoviária. Esbaforido e já com duas pizzas debaixo de cada braço, Henrique entra antes de todos no ônibus. “Quero pegar um lugar, sentar do lado de uma gostosa”, pensa. Ele empurra um homem e uma criança para cumprir sua meta. E entrega o vale-transporte para o cobrador, que não deixa de reparar o fedor que tão cedo já emite sujeito asqueroso e obeso que acabou de passar.

Dentro do ônibus, uma secundarista já fecha a cara ao ver Henrique se esgueirando pelo corredor rumo ao assento vazio ao lado dela. Nem de minissaia a moça está. Ela veste uma calça jeans folgada até. Mesmo assim, Henrique, com uma baba escorrendo pelo canto da boca, senta no mesmo banco que ela. “Acho que rende uma punheta tranquilamente”, pensa. Ele se senta. A moça fica espremida na janela. O ônibus segue sua trajetória.

Na altura do Park Shopping, Henrique enfia o dedo no nariz com tanto afinco que sai até um pouco de sangue. É um sangue meio nojento, que vem misturado com meleca. Ele olha para a ponta do dedo melecada e limpa a sujeira na calça. Estupefata, a moça vira o rosto para a janela, procurando refúgio nas paisagens do zoológico de Brasília.

Henrique repara nos peitos dela. São razoavelmente grandes. “Quero chupar esses peitos”, pensa. E arrisca um diálogo: “Me dá seu telefone”. A garota olha com nojo para ele e responde: “Tá falando comigo?”. Ele: “Quero seu telefone, pra te chamar pra sair e talz. Tô querendo trepar e você me atraiu”. Ela se levanta, empurra Henrique, sai para o corredor e desce na parada seguinte, na 515 sul. Não sem antes gritar para ele: “Seu gordo nojento. Vai tomar banho. Coisa escrota”.

Henrique fica calado, sentado no banco. Como se nada houvera. Um senhor de idade, que está em pé próximo ao banco de Henrique olha para o assento agora vazio, mas nem de lolnge cogita se sentar ali. Henrique solta o primeiro botão da camisa. Uma verruga em alto relevo fica à mostra em seu peito. Ele continua pensando de novo no quanto quer comer alguém logo. Ou alguma coisa.

Olha para a janela e vê o setor hospitalar sul. Lembrou-se, com regozijo, da vez em que mandou ver três super x-egg-burguer-max de uma só vez no SOS Lanches depois de ter comido uma puta de 60 anos que morria de frio às margens da W3 Norte. “Aquele sanduba é o melhor de Brasília”, pensou. Foi quando a mosca na janela do baú olhou para ele e disse: “Cara, você é escroto demais”.

Sem entender a agressão gratuita, ele perguntou: “O quê? Por que você tá dizendo isso?”. A mosca posou na calça de Henrique e, enquanto se deliciava com a mistura de sangue e meleca ainda fresca, reforçou: “É, você é um porco inigualável. Tipo, eu vivo de merda. Eu como merda. Me alimento de merda. Mas você, cara, você é uma merda ambulante. Você só faz merda. Você é patético. Olha a cara de todo mundo quando te olha”.

Sem entender o sermão repentino, Henrique retrucou: “Vá se foder, sua mosca de merda”. E esmagou a bichinha com a mão direita em cima de sua perna. Agora, estavam ali todos juntos: sangue, meleca e a mosca morta.

Ser pelo menos uma mosca morta aliás, deveria ser o sonho de consumo de Henrique, um sujeito decrépito capaz de coçar o cu no meio de uma fila de banco e ainda cheirar a mão um segundo depois. E de sempre deixar a tela do monitor do trabalho engordurada de maionese depois do seu almoço corriqueiro no Sky´s da 106 Sul. Ou de se masturbar na pia do banheiro do trabalho sempre que a gordinha da copa passava servindo café às 10h.

Na altura da 506/507 Sul, um monte de estudantes subiu. Vinham da biblioteca do INL. Um deles carregava um cachorro no colo. Era um pintcher zero. Assim que viu Henrique, o pintcher deu uma gargalhada e falou: “Cara, eu sou feio, mas você, você é um zero a esquerda. Olha que nojeira você. Você tá fedendo. Seu porco doente”. Henrique, de saco cheio, ignorou o cachorro, que seguiu no colo de seu dono até o fim do ônibus.
Henrique enfim desceu no seu ponto. Perto do Pátio Brasil. No Setor Comercial Sul.

Caminhou sofríveis 300 metros até o prédio do seu trabalho. Exalando um cheiro de esgoto fétido e com fiapos da pizza de calabresa que mandara ver no café da manhã escorrendo entre os poucos dentes brancos que ainda lhe restavam, ele não pensou duas vezes antes de jogar um caô na recepcionista do prédio. Ela estava atrás do balcão. Uma senhora de 50 e poucos anos bastante feinha, mas “ajeitadinha”, para o padrão Henrique de delírio sexual. “Tô a fim de trepar hoje. E você?”. Ela esbofeteou Henrique e disse: “Coisa escrota. Homem nojento. Safado. Filho da puta. Vai logo trabalhar senão eu fodo a tua vida. Some daqui”.

Henrique soltou um peido bem alto, deu dois passos rumo ao elevador e ainda pensou: “Ela quer me dar. Está só fazendo um doce. Mas vou comê-la um dia. Tenho certeza”. Ao ler os pensamentos de Henrique, o ascensorista falou em alto e bom som: “Chinaski, meu chapa, ainda bem que você existe. O mundo seria menos podre sem você. Mas que graça teria se não houvesse o seu mundo, um mundo bizarro, povoado por gente bizarra como você?”.

Henrique ignorou o comentário, saiu do elevador e enfiou a mão na calça. Ajeitou o saco, enverrugado e semi-necrosado, que estava grudando na cueca. E aproveitou para dar mais uma coçada no cu antes de começar o trabalho. Mas em seu pensamento só havia espaço para uma coisa: “Vou bater muita punheta hoje”. E seguiu rumo ao seu terminal. Antes, porém, pegou o telefone do disk Giraffas. Precisava mandar ver um “Tri Possante” antes de começar a labuta.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

1979

Hoje é meu aniversário de três anos. Teve uma festa na casa da minha prima, na SQS 215. Minha mãe foi ali no depósito de bebidas na 403 sul e levou um monte de casco de Guaraná Antarctica de um litro. Teve muito Guaraná na minha festa. Daquela garrafa grossa, verde. Teve um bolo também. Acho que é de chocolate. Ela mandou fazer na Praliné, perto da nossa casa. Custou 200 cruzeiros.

A minha prima tá fazendo dez anos. Ela é bem mais velha que eu. Mas é a mais bonita da família. Todo mundo que vê ela fica encantado. Eu faço aniversário no dia 27. Ela no dia 28. Na festa de hoje todo mundo tinha que ir fantasiado. Minha mãe quis fazer uma festa tipo festa de carnaval. Eles mudaram do Rio de Janeiro para cá tem pouco tempo. E ela sempre ia pro carnaval de rua lá no Rio de Janeiro. Eu tava fantasiado de índio.

Tá cheio de amigo meu na festa. Da escola. Lá do Branca de Neve. Eu agora estou no terceiro maternal. Sou um dos melhores alunos. Na semana passada eu tinha decorado o hino nacional todinho. Agora eu já sei cantar o Hino da Independência, aquele do Japonês tem quatro filhos. A professora diz que todo dia temos que cantar. Que é porque o presidente Figueiredo manda. Então tá.

Meus amigos do Branca de Neve foram lá na minha festa e da minha prima. Tava cheio de primos e tios e avós também. Mas todo mundo muito mais velho. Tipo sete anos a mais. Eles vivem em outro mundo. Eu nunca vi tanta gente junta. Eu ganhei de presente um forte apache, do Playmobil. É o meu brinquedo favorito. Meu pai comprou nas Lojas Brasileiras, ali do Conjunto Nacional. Ele escondeu o presente no banco de trás do Chevette Branco e eu nem vi. Gostei bastante.

Na festa, no meio da brincadeira com meus amigos, começou a tocar um monte de música legal. A minha mãe gosta muito de música. Ela adora a Elis Regina, principalmente. E tava bem feliz porque no dia do meu aniversário os artistas que ela gosta vão poder viajar para o Brasil. Ela não parava de falar que aconteceu hoje uma tal de anistia.

E botou um disco da Rita Lee que tem ela quase pelada com um cara na capa. Achei meio esquisito. Fiquei até com vergonha. Mas a música é bem legal. Fala de lançar perfume. De virar de ponta a cabeça. De deixar de quatro. Tava todo mundo plantando bananeira na festa. Tava um cheiro forte de perfume na sala da festa. Gostoso. Eu dancei para caramba.

Um amigo do meu tio tava bebendo um guaraná quente. Com um gosto meio quente. Ele diz que menino não pode beber aquilo. Não precisou falar de novo. Tem gosto esquisito demais. Não sei como alguém gosta. Eu gosto mesmo é de algodão doce. Guaraná. Bolo. Vou gostar sempre de doce. Acho que isso não vai mudar nunca.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Brinquedinho

As mulheres são realmente imprevisíveis. Parece lugar-comum, mas está longe de sê-lo. Pelo menos neste caso. Mas isso será revelado mais à frente. Agora, chegou a vez de dizer que os homens jamais perderão a capacidade de se surpreender com elas. Independentemente do assunto ou do momento da vida. O mulherio é único, singular e dotado de gestos e iniciativas capazes de deixar embasbacado e boquiaberto até mesmo um exemplar legítimo de macho alfa.

Pois bem, vez ou outra provoco a mulherada do trabalho ou dos tempos de faculdade na tentativa de cavocar assuntos interessantes para o blog mais amado do Brasil, o TSN. Vale qualquer coisa. De escatologias a papos seriíssimos, de besteiras a questões de vida ou morte. Algumas caem na armadilha e se empolgam. Falam da relação com o namorado, noivo, repolhinho. Escancaram o que fazem nas horas de lazer, descanso e intimidade. Outra pegam no ar a sacanagem e me mandam à merda. Com toda a razão.

Quando elas se abrem (no bom sentido), na maioria das vezes me surpreendo, a ponto de não acreditar que aquela mocinha linda e jovial se encontra anos-luz à frente do meu conservadorismo. Não que eu seja o sujeito mais experiente e descolado do mundo. Beeeem pelo contrário. Mas saber que aquela gracinha de menina dá braçadas mais largas do que as minhas, confesso, dá uma derrubada de leve na auto-estima gaudéria. Prepotência? Talvez. Mesmo assim, serve de lição. E exemplo.

Bom, melhor deixar esse papo chato de lado. Está na hora de dar as boas vindas ao que realmente interessa. O que será lido logo abaixo deve ser encarado como um depoimento sincero e livre das amarras de alguém que não tem frescura para falar de sexo e suas derivações. Pensei em adaptar o textinho - foi com esse título que ela o endereçou a mim - em uma crônica, um conto, sei lá, mas as palavras e a as frases se fazem tão intensas, que preferi deixá-las à vontade no espaço em branco. Com vocês, o Textinho:

"Vergonha? Nenhuma! Afinal, as mulheres devem conhecer o seu corpo, devem saber como e quando chegar ao seu clímax. Por isso, sempre fui “avançada e safada” pelos olhares dos outros. Nunca tive problemas em falar de masturbação e, muito menos, do uso de vibradores. Iniciei minha atividade sexual tarde, considerando os parâmetros atuais. Tinha 19 anos quando transei pela primeira vez, com um namorado. Mas, até os 19, foram pelo menos três anos de masturbação. Então, aos 19 anos já era experiente, pelo menos em atingir o meu clímax. Daí para frente, o sexo e a masturbação eram constantes. Fiquei solteira uns dois anos, nesse período transava com o meu ex e com algum rapaz que aparecia. Mas sentia que faltava algo para me satisfazer. Foi aí que tive a idéia de comprar um vibrador. E que idéia! O brinquedinho é sen-sa-ci-o-nal!!! Uma delícia. Ele parece um pincel GRANDE de blush, mas, como diz o ditado: “as aparências enganam”. Desde então, solteira e namorando utilizo o aparelho. As aventuras são muitas, vendo filme, pensando em algo e até mesmo na hora do sexo...


Sem mais nada a acrescentar, retiro-me à minha insignificância.

domingo, 9 de agosto de 2009

Ode ao gênio

Apesar de você, amanhã há de ser outro dia. E pela minha lei a gente era obrigado a ser feliz. Não sei como fui pra você tão durão, tão mandão, tão sem coração. Se eu fosse o teu patrão, aí, eu tratava como uma escrava.
.
Não sei se espero ou se brigo. Não sei se calo ou respondo. Não sei se fujo ou persigo. Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta. A cidade apavorada se quedou paralisada. As jovens viúvas marcadas e as gestantes abandonadas, não fazem cenas. Vestem-se de negro, se encolhem.
.
A curriola leva um choque, nego não entende e deita e rola e sai comentando. Que grande malandro é você. Zanza na sarjeta, fatura uma besteira e tem as pernas tortas. Como em sonho perde a passada, como quem pisa nos corações eue rolaram nos cabarés.
.
Ele era mil. Tu és nenhum, na guerra és vil. Na cama és mocho. Já chorei sentido de desilusão, hoje estou crescido. Já não choro não. Quero perder de vez tua cabeça. E, quando o seu bem-querer dormir, tome conta que ele sonhe em paz.
.
Por que todos os risos vão desafiar. Por que todos os sinos irão repicar. Agora, falando sério, eu queria não mentir. Não queria enganar, ao lembrar que aqui passaram sambas imortais. Que aqui sangraram pelos nossos pés. Que aqui sambaram nossos ancestrais.
.
Hoje, eu quero fazer o meu carnaval. Se o tempo passou, espero que ninguém me leve a mal. O meu samba assim marcava na cadência os seus passos. O meu sonho se embalava no carinho dos seus braços. Eu não queria jogar confete, mas tenho que dizer: cê tá de lascar, cê tá de doer.
.
Não sei se eu ainda te esqueço de fato. Mas hoje, Maria, pra minha surpresa, pra minha tristeza, precisas partir. E, se tiveres renda, aceito uma prenda. O que eu tenho, eu devo a Deus meu chão, meu céu, meu mar.
.
Que o verdadeiro amor sempre é o que morre. Acho que tudo acabou. Quase que já não me lembro de nada. Vida veio e me levou. E, pros da pesada, diz que vou levando.
.
Ao Chico, com carinho.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

O macho alfa


Um ser misterioso e rude caminha pelas ruas da cidade. Não se esconde. Revela-se. Exibe-se. E jamais se envergonha. Ele é homem. Masculino. É o macho alfa. As mulheres que não o conhecem, o temem. Aquelas que convivem com um exemplar da espécie, se subjugam. Macho alfa não dá espaço para conversa. Não existe diálogo. Dá ordens. E faz com que as normas estipuladas por ele sejam cumpridas, em sistema uniforme e espartano. Não gostou? Lamenta-se.

O macho alfa se apresenta como uma figura moderna. Nasceu para ser herói, apesar da suposta selvageria. Veio à luz para salvar a raça masculina da decadência inciada com a chegada do século XXI. Odeia feministas mal comidas. Ignora mulheres com discursos independentes e retrógrados. Coloca-as no lugar delas. Cobra respeito e dedicação. Não chora. Faz chorar.

O macho alfa se impõe como líder. Em casa, no trabalho, ao volante, em qualquer lugar. Como um lobo, um primata ou um leão, trata as mulheres de acordo com a ordem social dos animais superiores. “Tem força, habilidade para caça, facilidade para tomar decisões, personalidade marcante e bravura”, como se diz por aí. Como numa selva (mesmo que de pedra), o macho alfa se alimenta primeiro e mantém a preferência na escolha da parceira sexual.

Homens à frente de tal posto revelam o domínio com rosnados, rugidos e mordidas. Põem à prova o poder conquistado a quem se imaginar capaz de enfrentá-lo. Mesmo que o adversário seja uma delicada mulher. Macho alfa define o destino das férias da família, a cor do carro novo, o valor das despesas do cartão de crédito, a hora do descanso, o canal da televisão, o cardápio do jantar, os momentos de lazer. Se pudesse, escolheria o sexo do filho.

O macho alfa também não admite frescura entre os semelhantes. Esporte é futebol. Televisão é SporTv. Bebida é cerveja. Comida é carne. Música é rock n´ roll. Roupa é jeans e camiseta. Cueca é uma a cada três dias. Meias devem ser trocadas só em caso de extrema necessidade. O ser dominante também não usa perfume. O cheiro é o natural. Desodorante é subterfúgio, coisa de peroba. Pentear o cabelo? Só no Dia das Mães ou em entrevista de emprego.

O ser primordial entende como poucos o próprio potencial. Sabe que o comportamento agressivo e às vezes intolerante provoca críticas, protestos, manifestações e discursos coléricos do mulherio desorientado. Encara tudo, porém, como tentativas de aproximação. Se cada panela tem a sua tampa, cada mulher tem o seu macho alfa correspodente. Sentem-se protegidas, bem-cuidadas, como as mulheres de atenas do Chico Buarque de Hollanda.

Ditador. Déspota. Autoritário. As acusações proferidas contra o paladino dominante são da mulherada solitária. Tenta lhe denegrir a imagem de todas as formas. Alegam, em discurso, proteger as colegas de sociedade. Mas, no fundo, pretendem que as outras sejam como elas: infelizes. Mesmo assim, o macho alfa entende todas as representantes do sexo feminino. Não se abala nem responde a críticas. É superior e de reputação ilibada.

O macho alfa sabe o que quer. Sabe a que veio. Não perde tempo com bobagens e baboseiras. Trabalha com ação e reação, como na física de Newton. Bateu, levou. Reclamou, estalou. Chegou para restabelecer a ordem natural das coisas. Surgiu para retomar a harmonia do universo. Está aí para reerguer a unimultiplicidade do planeta. Faz valer as normas em nome do bem maior. E pobre de quem diga - ou faça - o contrário.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Desvende um bofe amigo em 8 dicas

Você sabe detectar quando um brother seu começa a dar ré no quibe? Quando um amigão do trabalho está a receber boladas no queixo e umbigadas na testa? Identificar um bofe é uma arte. Não se trata de lugares-comuns, como ver o sujeito de blusa rosa e gritar: “Caralho, a bichona tá usando rosa!”.
.
Não. Nada disso. Não é porque o sujeito tem a foto da avó na mesa do escritório que isso faz dele uma Lulu da Pomerânia. .
Os próximos oito itens são uma pequena ajuda para você avaliar se essa Coca-Cola é Fanta. Se esse machão peida na farofa. Se a moça gosta de cabeçada no céu da boca. Mas, atenção: apenas a reunião de todos (ou quase todos) esses indícios são comprovação cabal da mordiscada delicada na fronha.
.
1 – A descontinuidade de pegações
.
Um dos principais indícios da viadagem amiga é perceptível na guerra. O sujeito não dá continuidade às pegações. Vocês estão na pecuária de Goiânia, aquele mar de mulheres doidas por um pinto-amigo caminha pra lá e pra cá, a se exibir aos rapazes. O instinto animal aflora pelos poros de garotos e garotas. Estão todos atrás de SLEA. Você, seu amigo e mais cinco ou seis brothers estão na batalha. Olho de lince, pata de urso, sensores de tubarão.
.
A noite termina. Dois vomitam. Dois não pegaram ninguém. Você pegou duas mocréias. Uma delas, aliás, arrasta para o carro e manda bala. O seu amigo (o de quem se desconfia) pega a mulher mais espetacular da cidade. O amigo-meio-gay, ao contrário, fica apenas no namorico. Se despede da moça e... NÃO PEGA O TELEFONE! Sim, o sujeito fisga a mulher mais linda do evento e simplesmente não arruma o numero da moça. Não faz qualquer esforço para manter o contato.
.
Isso é indício fortíssimo de boiolagem. A meta do macho alfa (como diz Zé Gotinha) é traçar o máximo de bocetas possíveis. Não há tempo ruim. Não há frescura. No pain, no gain. O brother semigay não dá continuidade às pegações.
.
2 – A falta de uma namorada
.
O amigo sobre o qual pesam as desconfianças nunca namora. Se namorou, foi há muito tempo. Atualmente, está solteiro há um, dois anos. E nada. Zero. Nenhum sinal de continuidade de uma pegaçãozinha sequer para engatar um namoro.
.
Como eu disse, um indício desses isolado não quer dizer nada. Há machos solteiros simplesmente pelo prazer de pegar todo mundo a todo tempo agora. Mas, dentro de todo um contexto, esta pode ser uma pista importante.
.
3 – A timidez
.
Aquele-de-quem-se-desconfia até pega uma mulher aqui e outra acolá. Mas se ele já tem convicção sobre a escolha sexual, jamais será um guerreiro a chegar desvairadamente nas gatas. É um sujeito que não costuma abordar as gatas que lhe dão mole.
.
Muito importante neste quesito é não confundir com figuras tímidas. Receio de chegar em mulheres não tem nada ver com viadagem. Pelo contrário: o tímido trata as mulheres com tanta importância, com tanta pompa, com tanto garbo que acaba por travar no momento de conversar com as moças. É um sujeito excessivamente masculino.
.
4 – A gatinha do escritório
.
Quando os amigos apenas desconfiam do brother mas não tem qualquer certeza sobre o assunto, insistem na pergunta fatal: “E aí, meu querido, está pegando alguém?”
.
A resposta é sempre evasiva. “Ah, moleque, tenho ficado com uma aqui, outra ali. Mas nada de mais.” Ou é preenchida com informações difíceis de serem checadas: “Porra, tô ficando com uma gatinha lá do escritório. Mas é foda. Ela tem namorado e não posso sair com ela por aí. Tem de ser um esquema na mocó”.
.
É sempre assim.
.
5 – O sumiço
.
O brother, sempre amigo de todos, irmão de infância, presente em qualquer evento daquele grupo, começa a se distanciar. Quando chamado para uma balada em Goiânia já tradicional dos comparsas, diz que “tem uma rave irada para ir com o povo da minha pós” ou “tenho um aniversário de uma amiga”, sem dizer direito quem é a aniversariante.
.
É um processo natural. O sujeito começa a se envolver com gays e a sair para eventos majoritariamente purpurinados. A agenda, pois, torna-se incompatível com a dos amigos machos-alfa, homofóbicos por natureza. Os programas tornam-se cada vez mais distantes.
.
Quando o bofe se assume e os amigos descobrem a escolha sexual do brother (e o aceitam), as coisas melhoram e há uma reaproximação.
.
6 – Os amigos lado B
.
Essa é uma subdivisão do item anterior. Além de ter programas novos, o brother de quem se desconfia tem novos amigos. Vez ou outra você encontra o sujeito no shopping com um amiguinho muy suspeito. Blusinha grudadinha rosa pink, topetinho com gel, fino trato no andar, delicadeza de Dalmata. Uma mona. E está a almoçar despretensiosamente com seu amigo.
.
Onde há fumaça, há fogo.
.
Mas, lembre-se: o fato de o sujeito ter amigos engolidores não é sinal de viadagem. Mas dentro do contexto geral de desconfianças, é mais um indício.
.
7 – O visual
.
O brother-quase-sister era um desastre em termos de vestuário durante toda a vida. Combinava rosa com laranja, azul com verde e coisas do tipo. Moletom do Hard Rock cinza-sem-graça era seu uniforme preferido há até poucos anos. A mescla de calça jeans com camisa regata chegou mesmo a ser usada certa feita.
.
De repente, o sujeito começa a se vestir de forma impecável, estilosa e de muito bom gosto. Saem os resquícios de uma infância recente e entram as grifes internacionais famosas. O investimento em roupas – antes reduzido a 0,02% dos rendimentos – salta para enormes 10% do salário. Um investimento altíssimo em boiolagem na veia. Não há nada mais out do que viado mal vestido. É quase uma excrescência.
.
8 – As viagens
.
O candidato a bofe sempre arruma o primeiro “namoradinho” fora de sua cidade natal. Não à toa, muitos desses baitolas moram longe de casa. Apaixonam-se por um ragazzo distante, mudam-se para se encontrarem consigo mesmos e se realizam além-mar. Volta e meia alguém pergunta: “Cadê o fulano?” E a resposta se repete: “Tá em São Paulo”. E o comentário geral: “De novo?”.

Tem ânus no meio.