terça-feira, 30 de junho de 2009

Por um instante

- Te quero.

Ela vivia uma crise no casamento. Loura, linda, de olhar curioso e rebelde, enviou a mensagem pelo telefone celular às 3h45. Desejava, instintivamente, uma noite de entrega com o homem por quem nutria um carinho de todo especial - mais do que isso, ela não sabia. Agora, após cinco anos de casada, ainda confiava nele como nunca. E não era apenas pelo sexo do passado. Mas pelos eternos zelo, aprendizado e, acima de tudo, paixão.

Antes da mensagem enviada pelo celular, o então casal - jamais casal de fato - se encontrara horas antes. Marcaram de se ver em um bar escondido em um canto obscuro da cidade. Haviam se conhecido em épocas de solteirice aguda. Casaram-se com outros. Mas construíram e mantiveram intimidades que nenhum dos parceiros imaginava. Mesmo sem transar há anos.

O encontro fora marcado pouco antes da ida dela para a festa de despedida de solteira da melhor amiga. Começara como tantos e tantos outros. Sorrisos envergonhados, olhares de mistério e de tesão e o sempre presente frio na espinha. O receio do proibido e o medo da descoberta criavam uma atmosfera atraente. Nada parecido com os e-mails quase diários e as ligações fortuitas. Apesar da distância, parecia que o tempo não passara. E que ontem mesmo estavam juntos.

Falaram de tudo um pouco. A vida de solteiro, a vida de namoro, a vida de amante, a vida de casado, a vida de casada. Sucessos, decepções, inseguranças, alegrias, orgias, confidências, trabalho, banalidades. A cada palavra, frase ou piada, o eco da dúvida. Nem precisava falar. Mas como seria se tivessem coragem de ficar juntos? Duas pessoas diferentes em tudo... Gostos, projetos, sonhos, entusiasmos, nada parecia se encaixar. Pelo menos ao longe. Mas bastava se encontrar para surgir o calor, o ardor e a vontade de se abraçar como bicho-preguiça.

A ligação de uma amiga dela, porém, revelara o inevitável: o tempo se acabara. Ela tinha compromisso. Ele precisava voltar para casa. Urgentemente. “Tenho 10 minutos”, sentenciou a loura, de corpo capaz de se admirar o dia todo. Correram para o carro dela. Ele a segurou pela nunca, trouxe a boca dela para perto da dele e beijou-a com extrema dedicação. Que beijo... A mão logo passeou pelas seios, as coxas e alcançou o meio das pernas da moça. Ela gemia; ele gemia. Sairiam dali para um lugar mais calmo? Sim. Se não fosse pelas insistentes ligações das amigas. E talvez um pouco de culpa dos dois.

Gastaram o restante do tempo sem se importar com as pessoas que passavam rente ao veículo. Se algum conhecido os reconhecesse, o mundo de quatro pessoas desmoronaria como geleiras do Ártico. Era hora de ir embora. Mais dois ou três beijos sofridos, e ele a largou com os olhos espremidos. “Te amo. Sempre. Seja feliz”, desejou ele. Ela baixou os olhos e sorriu. Pediu, apenas com o olhar, que ele fosse embora. Antes que desse merda.

Às 3h44, a loura deixou a festa de lado. Pegou o celular e, segura de si, escreveu o que o instinto mandou: “Te quero”. Se a tão esperada noite de saudade e de entrega realmente ocorreu, ninguém sabe. Nem os amigos mais íntimos souberam. Mas, se o amor e a paixão um dia caminharam juntos, estiveram ali, diante daquele casal, em um momento único e especial.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

O sonho americano de Eleonora

Eleonora e Orácio namoravam há dois anos. Era um namoro com futuro incerto diante da promessa feita pelo rapaz quando passou no vestibular: no decorrer da faculdade, juntaria o maior volume de dinheiro possível. Ao se formar, viajaria de mochilão por Estados Unidos, México e Canadá sem data certa de retorno ao Brasil. A moça se entregou totalmente ao relacionamento já ciente da aventura vindoura do moço.

Quando a formatura de Orácio se aproximou, Eleonora percebeu a movimentação do rapaz. Programava a empreitada. Ela não tinha qualquer objeção à aventura e, em nenhum momento, pediu para ir com o amado. Sabia muito bem: tratava-se de um plano individual. E ela, muito independente e empreendedora, também tinha responsabilidades e afazeres profissionais. Não havia a menor condição de deixar o país por tanto tempo.

Certa feita, depois de um SLEA histórico do namoro, Eleonora resolveu tocar no tema.

- Como será quando você viajar?

- Como será? Como assim? Não entendi.

- É. Como será. Nós vamos continuar namorando à distância?

- Ah, sim, entendi. Ué, meu amor, acho que não há motivo para terminarmos o namoro. A viagem não tem qualquer conotação guerreira. Quero conhecer a América do Norte. Podemos continuar juntos. Não devo ficar mais do que seis meses fora.

A conversa terminou com um abraço apertado e um grande alívio no coração de Eleonora. Não queria perder Orácio.

Duas semanas depois do baile de formatura, no qual Eleonora atuou como a protagonista da festa do namorado – dança de valsa, foto para posteridade, organização de apitaços, abraços carinhosos do sogro e da sogra –, Orácio partiu rumo Cancun. Começaria a viagem da pontinha do México e seguiria de ônibus até a fronteira. O trecho chicano duraria aproximadamente dois meses. Iria a vinte cidades do país.

Eleonora programou a visita para dali três meses. Seria a parte mais divertida do roteiro: cruzar o mapa estadunidense numa Harley-Davidson, antigo sonho de Orácio. A moça chamou a irmã, Isabel, e o cunhado, Alfredo, também motociclista, para irem com ela visitar o amado. Toparam na hora. Passariam um mês a viver o sonho americano.

O casal trocava e-mails constantemente. Quando ele estava em cidades com mais estrutura, as conversas eram diárias. MSN, Skype, Gmail. Tudo era usado para manter os laços afetivos intactos. Eleonora só pensava na viagem aos Estados Unidos. Planejavam à distância todos os detalhes.

O belo dia chegou. Eleonora embarcou para Chicago, de onde parte a Rota 66 e de onde sairiam as motocas. As economias dos últimos meses lhe dariam conforto na viagem para comprar o que quisesse – sobretudo em Los Angeles, onde não precisaria mais se preocupar com o peso da mochila. A metrópole californiana era o ponto final da empreitada.

O reencontro com Orácio não foi exatamente o que esperava Eleonora. Ao invés de um abraço-prolongado-daqueles-de-novela e um beijo caloroso, foi recebida com um abraço menos empolgado do que a situação merecia e um beijo... protocolar. Talvez fosse coisa da cabeça dela. Talvez não.

Ela, ao lado de Alfredo e Isabel, chegou no final da manhã. Apenas deixaram as mochilas no hotel e foram dar uma volta na belíssima Chicago. Caminharam pela cidade, foram ao Museu de História Natural, tomaram sorvete no Millennium Park. Orácio era carinhoso, mas Eleonora estava com um pé atrás. Queria mais toque. Mais chamego. Mais beijo. Mais daquele cafuné na nuca que só ele fazia, despretensiosamente. Enfim, mais carinho mesmo.

No fim da tarde, quando ainda terminavam o tal sorvete no Millennium, a irmã e o cunhado foram dar uma volta. Combinaram, então, de se encontrar dali a meia hora. Seriam os primeiros minutos a sós.

Orácio sentou Eleonora em um banco (é isso mesmo, ele sentou a moça como quem coloca uma criança de castigo ou ajuda um idoso a se acomodar na poltrona velha).

- Precisamos muito conversar, disparou o rapaz, sem enrolar.

- É, meu amor? O que é?

- Não vai rolar. Sua chegada aqui foi o tira-teima necessário para eu descobrir o que já vinha sentindo há algumas semanas. Não quero mais. Não sinto mais nada por você, disse Orácio, seco, sem gaguejar, firme como um arqueiro em final olímpica.

Eleonora ficou pálida.

- Ã?

Foi tudo o que conseguiu dizer.

- Me desculpe dizer isso agora. Mas eu precisava vê-la para saber o que sentia. E é exatamente isso que eu lhe disse. Não rola mais.

Os olhos dela se abarrotaram de lágrimas.

- Você me deixou vir até os Estados Unidos para dizer isso? Eu planejei essa viagem por três meses. Guardei todas as minhas economias. Sou estagiária. Ganho R$ 600,00. Peguei dinheiro com meus pais! Como você pode fazer isso?!

- Talvez não tenha sido a melhor forma ou o melhor momento. Mas eu senti isso agora. Tinha de lhe dizer. Não seria justo comigo e com você passar todo o mês juntos e terminar no último dia de viagem. Seria falso.

Um silêncio se abateu. O cunhado e a irmã de Eleonora voltaram antes do combinado. Haviam esquecido o dinheiro na bolsa da ex-namorada-abandonada-em-plena-viagem. Eleonora foi confortada pela irmã. Alfredo conversou com Orácio e ouviu as explicações do rapaz.

Orgulhosa, Eleonora não quis voltar ao Brasil. Estava tudo pago. Seguiria viagem.

No dia seguinte, alugaram as motos. Duas Harleys. Os rapazes guiariam as máquinas. As moças curtiriam o vento da garupa. Pegaram a estrada rumo a Los Angeles. Embora fosse valente, Eleonora ainda não entendia o fim do namoro. A ficha parecia não cair.

Não chorou nenhuma vez na frente do ex-namorado durante o mês inteiro. Dormiam em quartos separados, enquanto a irmã e o Alfredo viviam uma lua-de-mel. As lágrimas, no entanto, surgiam na estrada. Escondidas sob o capacete, protegidas pelo barulho do vento. Agarrada ao namorado para não cair da moto, Eleonora chorava. No asfalto, era a hora de sofrer.

terça-feira, 23 de junho de 2009

A(s) estagiária(s)

Primeiro dia de trabalho. Melissa, estudante de comunicação social de uma faculdade particular de Brasília, logo mostrou a que veio. Decotinho perverso, coxas de fora, pezinhos docemente acomodados em sandálias de salto acrílico. Como se estivesse em uma passarela, a mocinha de 19 anos (recém-feitos) desfilou pela redação, a balançar e a balançar os quadris bem-conjuntados. Para lá e para cá, para lá e para cá. Cada banda de bundinha lembrava bochechas de nenê de tão arredondada.

A chegada de Melissa ocorreu no início da tarde. Menos da metade dos jornalistas se fazia presente. Mas os poucos representantes da fauna masculina não decepcionaram a matilha. Viraram pescoço até a apresentação da loura-violão ao chefe. Todos acompanharam com extremo ardor e atenção o primeiro boa-tarde cantado da mais nova estagiária da editoria de Internacional. Suspiraram ao pousar da bundinha arrebitada na privilegiada cadeira que a sustentaria nos próximos seis meses. No mínimo.

Melissa, como era de se esperar, precisou de exatos dois minutos para virar assunto por todo o dia. E uma semana para alcançar status singular no ambiente jornalístico. Era odiada pelas mulheres. E amada pelos homens. A estagiária tinha o dom de despertar paixões. Tanto para o bem quanto para o mal. Fazia-se o tipo de mulher que não passa despercebida. Apesar da juventude, se revelava segura e independente. Jamais dava ponto sem checar o nó de marinheiro. Sabia o que fazia, essa Melissa.

Para a mulherada, o mais irritante da mocinha era... tudo. Tudo mesmo. Acusavam-na das palavras mais vis. Criticavam-na pela arrogância, pelo "narizinho empinado". "Quem pensa que é? Não passa de uma estudantezinha de meia tigela", vociferavam algumas. Outras inventavam fofocas e a detonavam por conta das roupitchas demasiado abertas. Era sainhas com fendas de um lado e blusinhas (extremamente) decotadas do outro. O sexo feminino pós-25 anos não aguentava tamanha concorrência. Não davam mais conta.

Se dependesse dos homens, Melissinha tinha lugar assegurado no céus de Júpiter, Urano, Netuno, Saturno e que deus mais se apresentasse. A machalhada venerou a estagiária desde os primeiros segundos. Era um tal de favor para cá, favor para lá , que até ficava meio chato. "Se precisar de alguma coisa, é só falar, viu?". "Olha, meu ramal é esse. Se tiver alguma dúvida, não pense duas vezes". Melissa respondia com sorrisos e mais sorrisos. Simpaticíssima, a moça. Agradou em uníssono a gregos, troianos, romanos, casados, persas, esquimós e tupinambás.

Melissinha tinha um único defeito: o namorado. Ou pelo menos dizia que tinha. Ninguém nunca soube a verdade. Talvez o tal do João Paulo existisse apenas para manter os mais afoitos à distância. Melissa respondia com delicadeza a qualquer dúvida sobre a existência do ser. Dizia, fazendo biquinho, que ele era "tímido e muito caseiro". Na verdade, a moça era da ala das mais espertas. Se desse para alguém (publicamente), talvez não voltasse para a redação depois de formada - pelo menos pelas mãos de uma editora. Novinha, mas sábia. Bastante sábia.

Um belo dia - ou nem tão belo assim -, Melissinha sumiu sem se despedir. Parece que o contrato do estágio acabou ou ela se formou, não se soube ao certo. Certeza mesmo era o vazio deixado pela loura-caliente. As mulheres respiraram aliviadas. Alguns homens choraram pelos cantos. E a cadeira dela logo recebeu a visita de uma bunda menos atraente. A mocinha, porém, logo seria esquecida. A morena Roberta, estudante de comunicação social de uma universidade pública de Brasília, deu ontem o ar da graça. É a mais nova estagiária da editoria de Economia.

O amigo


"O verdadeiro AMIGO é aquele que comparece aos eventos dos AMIGOS"
Aniversariante José Thiago, ao agradecer a presença do conviva Guilherme ao convescote realizado no último sábado.

P.S.: Por onde andarão os Campbell?

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Dois idiotas

Antes de deixar vocês lerem o diálogo impagável travado na manhã de hoje entre Felipe e Zé Gotinha, via e-mail e comigo copiado, contextualizo toda a questão.

Dia 20 de junho é meu aniversário. Reunirei pouquíssimos amigos para comemorar. Felipe sairá de férias exatamente no dia 20 e não poderá ir ao evento. Por conta disso, hoje, dia 19, eu e ele marcamos um almoço.

Convidamos para o almoço o companheiro Zé Gotinha. Enrolado, Goutas tem o costume de não ir em parte dos eventos sociais para os quais é chamado. Porém, dessa vez, Goutas vai ao meu aniversário acompanhado de sua esposa, Maria Gotinha.

A ausência de Felipe - sempre a sacanear Zé Gotinha pelas ausências em eventos afora - foi o motivo para o início do e-mail, uma tiração de onda do Goutas. Divirtam-se como eu me diverti, ao checar meu e-mail e me deparar com 33 trocas de ofensas hilárias:

Eis o diálogo:

De: Guilherme Rieth Goulart
Enviada em: sexta-feira, 19 de junho de 2009 10:26
Para: Thiago Vitale; Felipe Campbell
Assunto: Dúvida pertinente
Caro AMIGO Zethi,
se AMIGO é aquele que comparece aos eventos dos AMIGOS,
o que sobra para quem não participa dos convescotes realmente importantes para o AMIGO?


De: Felipe Campbell
Enviada em: Friday, June 19, 2009 10:27 AM
Para: Guilherme Rieth Goulart; Thiago Vitale
Assunto: RES: Dúvida pertinente
Amigos vão ao almoço de hoje? Eu vou.

De: Guilherme Rieth Goulart
Enviada em: sexta-feira, 19 de junho de 2009 10:28
Para: Felipe Campbell; Thiago Vitale
Assunto: RES: Dúvida pertinente
"convescotes realmente importantes para o AMIGO".
Lê-se: aniversários.
Almoços acontecem todos os dias.


De: Felipe Campbell
Enviada em: Friday, June 19, 2009 10:30 AM
Para: Guilherme Rieth Goulart; Thiago Vitale
Assunto: RES: Dúvida pertinente
O moleque comparece a um evento por ano e tira onda. Não tire onda antes da hora. Pode ser que o plantão de hoje seja cansativo e o Sr. necessite de repouso amanhã à noite, para se recuperar do golpe que lhe foi aferido no Estádio Paulo Machado de Carvalho por um Obeso Pegador de Traveco na última quarta-feira.
Cordialmente


De: Guilherme Rieth Goulart
Enviada em: sexta-feira, 19 de junho de 2009 10:31
Para: Felipe Campbell; Thiago Vitale
Assunto: RES: Dúvida pertinente
Calma, companheiro.
Estou apenas com uma dúvida, que considero pertinente.
Farei-a novamente para que o AMIGO Zethi possa respondê-la sem interferências.
"Caro AMIGO Zethi,
se AMIGO é aquele que comparece aos eventos dos AMIGOS,
o que sobra para quem não participa dos convescotes realmente importantes para o AMIGO?"


De: Felipe Campbell
Enviada em: Friday, June 19, 2009 10:33 AM
Para: Guilherme Rieth Goulart; Thiago Vitale
Assunto: RES: Dúvida pertinente
Almoços com os realmente amigos são muito mais importantes para o aniversariante. A comemoração posterior, de caráter obrigatório e compulsório, trata-se apenas de uma fachada para manter o social com os coleguinhas distantes que mantêm um relacionamento formal e frio com o que chamam de AMIGO.
“Ô, o Coringão voltou, o Coringão voltou, o Coringão voltou!!!”

De: Guilherme Rieth Goulart
Enviada em: sexta-feira, 19 de junho de 2009 10:38
Para: Felipe Campbell; Thiago Vitale
Assunto: RES: Dúvida pertinente
Continuo a aguadar o posicionamento do querido AMIGO Zethi, aniversariante do dia 20 de junho.
A festa, aliás, contará com a presença dos mais próximos.
Quem não for AMIGO, não estará presente.


De: Felipe Campbell
Enviada em: Friday, June 19, 2009 10:42 AM
Para: Guilherme Rieth Goulart; Thiago Vitale
Assunto: RES: Dúvida pertinente
A personalidade senil e antissocial de nosso conviva Gaúcho o faz referir-se a um simples encontro em boteco como “festa”.
“louco por ti corinthians, nunca irei te deixar!!!”

De: Guilherme Rieth Goulart
Enviada em: sexta-feira, 19 de junho de 2009 10:44
Para: Felipe Campbell; Thiago Vitale
Assunto: RES: Dúvida pertinente
AMIGO Zethi, estarei lá na tua festa, companheiro!

De: Felipe Campbell
Enviada em: Friday, June 19, 2009 10:46 AM
Para: Guilherme Rieth Goulart; Thiago Vitale
Assunto: RES: Dúvida pertinente
Tudo isso é culpa porque não irá (mais uma vez) ao almoço conosco?

De: Guilherme Rieth Goulart
Enviada em: sexta-feira, 19 de junho de 2009 10:48
Para: Felipe Campbell; Thiago Vitale
Assunto: RES: Dúvida pertinente
De novo:
"convescotes realmente importantes para o AMIGO".

De: Felipe Campbell
Enviada em: Friday, June 19, 2009 10:49 AM
Para: Guilherme Rieth Goulart; Thiago Vitale
Assunto: RES: Dúvida pertinente
O que a culpa não faz...
Lembro-me bem de convescotes importantes para o amigo Carlos Emanuel, para o amigo Carlão, para o amigo Zethi no ano passado e para o amigo Demetrius este ano.

De: Guilherme Rieth Goulart
Enviada em: sexta-feira, 19 de junho de 2009 10:52
Para: Felipe Campbell; Thiago Vitale
Assunto: RES: Dúvida pertinente
O amigo Carlos Emanuel contou com a presença da família Gotinha no aniversário dele, em janeiro deste ano.
Os Campbell não se dignaram a comparecer.
O amigo Carlão contou com a presença da família Gotinha em um convescote na casa dele.
Os Campbell não se dignaram a comparecer.
O amigo Zethi contará com a presença da família Gotinha no aniversário dele, nesse sábado.
Os Campbell não se dignarão a comparecer.


De: Felipe Campbell
Enviada em: Friday, June 19, 2009 11:00 AM
Para: Guilherme Rieth Goulart; Thiago Vitale
Assunto: RES: Dúvida pertinente
O amigo Carlos Emanuel conta com a presença de Felipe para encontros informais, particulares e individuais em situações diversas, sem o peso de encontros obrigatórios em que você é apenas mais um dentre tantos conhecidos que não conseguem trocar 5 minutos de conversa com o verdadeiro amigo.
O mesmo se deu com Carlão, Quito, Demétrius e outros tantos, amigos que o Sr. Somente encontra quando de ocasiões cabalísticas em que, por ossos do ofício, eles convidam a todos – inclusive os inimigos e gayuchos – para o convescote. As vezes nem isso, como se pode conferir mais uma vez no aniversário do Quito.
Colega, colega, colega!!!


De: Guilherme Rieth Goulart
Enviada em: sexta-feira, 19 de junho de 2009 11:03
Para: Felipe Campbell; Thiago Vitale
Assunto: RES: Dúvida pertinente
Tenho certeza de que o AMIGO Zethi ficará extremamente feliz com o comparecimento da família Gotinha na festa de aniversário marcada para amanhã.
Assim como ele marcará para o resto da vida aqueles que não se dignarão a colocar os pés no convescote.


De: Felipe Campbell
Enviada em: Friday, June 19, 2009 11:04 AM
Para: Guilherme Rieth Goulart; Thiago Vitale
Assunto: RES: Dúvida pertinente
Culpa, culpa, culpa.
O almoço?


De: Guilherme Rieth Goulart
Enviada em: sexta-feira, 19 de junho de 2009 11:05
Para: Felipe Campbell; Thiago Vitale
Assunto: RES: Dúvida pertinente
Putz, muito enrolado hoje.
Muito mesmo.

De: Felipe Campbell
Enviada em: Friday, June 19, 2009 11:07 AM
Para: Guilherme Rieth Goulart; Thiago Vitale
Assunto: RES: Dúvida pertinente
Hahahahaha... Huey Lewis And the News????

De: Guilherme Rieth Goulart
Enviada em: sexta-feira, 19 de junho de 2009 11:09
Para: Felipe Campbell; Thiago Vitale
Assunto: RES: Dúvida pertinente
E amanhã?
Vamos à festinha do AMIGO Zethi?


De: Felipe Campbell
Enviada em: Friday, June 19, 2009 11:13 AM
Para: Guilherme Rieth Goulart; Thiago Vitale
Assunto: RES: Dúvida pertinente
Uma vez em cada 50 eventos ele consegue ir – e saber disso com dois dias da antecedência, o que é extremamente feminino – e aí fica tirando onda.
Como é a resposta mesmo: “enrolado, muito enrolado”, hahahahaha


De: Guilherme Rieth Goulart
Enviada em: sexta-feira, 19 de junho de 2009 11:15
Para: Felipe Campbell; Thiago Vitale
Assunto: RES: Dúvida pertinente
AMIGO Zethi,
I´ll be there.


De: Felipe Campbell
Enviada em: Friday, June 19, 2009 11:17 AM
Para: Guilherme Rieth Goulart; Thiago Vitale
Assunto: RES: Dúvida pertinente
Beleza. 12h30 nas americanas do Brasília Shopping para almoço!!

De: Thiago Vitale
Enviada em: Friday, June 19, 2009 11:19 AM
Para: Guilherme Rieth Goulart; Felipe Campbell
Assunto: RES: Dúvida pertinenteBeleza. 12h30 nas americanas do Brasília
Caralho, abri meu e-mail e passei mal de rir. Vocês são dois idiotas. Me perguntaram aqui se eu estava com algum problema, tamanhas as gargalhadas!! hahahaha!

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Malandragem dá um tempo

Tempos atrás, escrevi um texto neste mesmo espaço sobre a malandragem do brasileiro, sobre a coisa da ocasião fazer o ladrão, etc. Pois bem, passados alguns anos, é fácil perceber como a criatividade de todos – eu, tu, eles, nós, vós, eles – continua trazendo à tona mecanismos cada vez mais surpreendentes para se dar bem. Tirar vantagem. Encostar nos outros. Na cara dura mesmo. Algumas das situações abaixo são específicas e podem até criar uma certa “jurisprudência” do mal. Outras, contudo, certamente se passam, passaram ou vão passar também com você que está aí, lendo estas linhas. Ou com algum (a) malandrinho (a) próximo a você. A saber:

1) Telefonema a cobrar. Ou a variação no estilo “liga, deixa tocar uma vez e desliga”, para que você retorne e o malandro não tenha de arcar com o “pesadíssimo” custo da ligação. Parece egoísmo e mesquinharia ficar puto com isso - e seria mesmo, caso isso não fosse algo recorrente e, curiosamente, sempre com a (s) mesma (s) pessoa (s). Mas, numa boa, se você parar para ver, o amigo ou amiga que tem esse irritante hábito não é nenhum morto de fome. Pelo contrário. Via de regra, é um sujeito bem empregado, que come bem, compra suas roupas, tênis, sapatos, vestidos, programa viagens bacanas, vai para festinhas onde gasta horrores com cerva e smirnoff ice e o caralho a quatro. Só que quer transferir para você, "o amigão" e pras outras pessoas em volta dele (a) o caos financeiro criado pela total e irrestrita incapacidade de organizar suas contas. Eu já paguei o foda-se: ligou a cobrar? “END” nele (ou nela). Sem chance de eu retornar.

2) "Meu carro tá falhando, não vai dar para ir no meu carro, pode me buscar?”. “Posso ir com você? Tô sem grana para colocar a gasolina”. “Não vai dar para ir, porque vou gastar muita grana com a gasolina”. Quantas vezes você não ouve isso quando tá combinando de ir para algum lugar com um amigo ou amiga? Detalhe: não tô falando de uma viagem ou de um evento nos arredores da cidade. Mas de uma ida a algum lugar que não fica nem a 15km de onde a pessoa está. Ou seja: com dois litros de gasolina, numa estimativa conservadora, a pessoa chegaria ao local. Não dá nem R$ 5, dependendo de onde você abastece. Mas, assim como no caso acima, quem tem que arcar com a desorganização financeira alheia é o bonitão aqui. Você mesmo. Que, gentil e prestativo, até curte levar e buscar a pessoa uma vez ou outra. Porque é legal ter boa companhia para ir aos lugares. Amizade é assim mesmo. Mas, depois de um tempo, você percebe que, curiosamente, o carro da pessoa tá sempre com defeito, a gasolina é um problema eterno. Mas a maquiagem que ela gastou para passar no rosto, a caipiroska de R$ 10 que ele vai tomar, a camisa de marca que ele tá usando, ah, "isso é gasto essencial". Não pode ser cortado. Afinal de contas, amigo panaca é para essas coisas. E chapéu de otário é marreta, né?

3) Essa eu até agora não estou acreditando. Vi outro dia perto do trabalho. Uma menina queria parar o mais perto possível da entrada do prédio. Com o problema crônico de estacionamento em Brasília, a quantidade exorbitante de carros que são vomitados nas ruas a cada dia e a recusa eterna de neguinho a usar transporte público, não tem lugar para todo mundo parar onde quer. Mas a guria nem pensou duas vezes e estacionou seu bólido embaixo de uma placa de proibido estacionar. Até aí, novidade alguma. E aí vem a criatividade em níveis impressionantes: eis que a formosa mocinha saca do bolso uma notificação antiga de multa de trânsito por estacionamento proibido. E coloca no pára-brisa do vidro da frente. Como assim, Bial? É isso mesmo. A lógica dela é: “eu sei que estou errada e já já vem um policial multar. Só que quando ele olhar que já tem uma multa emitida, não vai, efetivamente, me multar”. Detalhe: ela tem vaga garantida na garagem do prédio. Mas prefere fazer essa lambança toda porque vai andar tipo 15 metros a menos para chegar no trampo.

4) Com o cerco cada vez mais apertado nas últimas semanas, a vida de quem toma umas (ou várias) e pega o volante está cada vez mais próxima de um fim trágico. Ou constrangedor e embaraçoso, no mínimo. Em um dos relatos recentemente ouvidos por um sujeito que foi parado numa blitz depois de tomar, digamos, uma quantidade consideravelmente razoável de cerveja, o teatro ganhou as ruas de Brasília. Ao ver o policial se aproximando, o camarada não hesitou e caiu num choro descompensado. O policial, assustado, perguntou o que houve e ele, na maior cara-de-pau, mandou, aos prantos e soluçando: “minha mãe acabou de ligar... um grande amigo meu morreu, cara. Acabou de morrer, eu não sei o que fazer”. O policial, coitado, ficou preocupado, disse pra ele dar um tempo ali, se recompor e ir embora só quando estivesse em condições emocionais de dirigir. Deu todo o suporte. E nem lembrou de pedir para ele soprar no bafômetro ou coisa parecida. É, amigo, eu, definitivamente, vou morrer no amadorismo. Sou escoteiro-mirim ad eternum.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

A incrível história do homem que vomita quando quer



Amsterdão é um sujeito diferente. Vomita quando quer. Vomita onde quer. Jantares finos; botecos pés-sujos; casa de família; feira popular. Não importa o horário, o evento ou a companhia. Amsterdão tem o dom. É capaz de escolher o momento de colocar para fora o que não lhe cai bem. Alimentos em excesso. Bebidas alcoólicas em demasia. Enfim, qualquer ser ou objeto que faça contato de primeiro grau com o suco gástrico do rapaz pode ser regurgitado como capivaras acomodadas nas entranhas de uma sucuri.


A singularidade de Amsterdão alcança o mecanismo do transbordo de toxinas. Ele não força o vômito. Não, não. Amsterdão é masculino. Envia proposidamente um sinal de alerta e as paredes do estômago, auxiliadas pela força do esôfago, expulsam do organismo todo e qualquer vestígio por ora rejeitado. O gesto amador de colocar o dedo na goela para facilitar a vomitada não faz parte do manual de instruções de Amsterdão. O cara é conhecido - e reconhecido - como profissional do vômito. Admirado pelos convivas e respeitado pelos colegas.

Tal qualidade também aparece cercada de mistérios. Nem os mais íntimos sabem o segredo do controle de Amsterdão. Limitam-se a absorver a informação. Também é fácil descobrir quando ele se livra quase que instantaneamente do fardo estomacal. A maioria das pessoas se sente mal depois da golfada inadvertida. Amsterdão não. Não, não. O rapaz se revigora. Deixa a condição de desconforto e alcança o estado elétrico em uma rápida visita ao banheiro ou ao jardim mais próximos - às vezes, nem isso. O cara é definitvamente um fenômeno.

Ao longo dos anos, algumas frases se tornaram clássicas na turma de amigos. A tradicional "Vou ali rapidinho e já volto" era usada sempre que estivesse em alguma confraternização mais discreta ou acompanhado de uma nova namorada. Amsterdão sumia e, em menos de um minuto, estava de volta lépido e fagueiro. O "Peraí, que vou dar uma vomitadinha" ficava reservada para as reuniões da galera. Era capaz de vomitar em meio a uma caminhada com os convivas. Apenas virava o pescoço para o lado e a golfada se perdia no asfalto ou ao pé de uma arvorezinha. Visão esquisita. Mas digna de premiações.

Poucos sabem ou imaginam, mas Amsterdão vomitou na festa de formatura. Atrás do palco, bem rapidinho. Ninguém viu. Também botou o jantar para fora em um show do Iron Maiden. Eram 25 mil pessoas. E nenhum ogro em meio à multidão sacou de quem saíram os nacos de arroz e salsichas mal mastigados sendo expelidos em uma única massa úmida e quente. Amsterdão apenas envergou o corpo e, pimba, o bolo se fué. Um dos maiores feitos dele, no entanto, rolou na pequena pista de dança do Gate´s Pub, em Brasília. Sentiu que a tequila não caiu bem e abriu o bocão sem a menor cerimônia. Recompôs-se em segundos. Se alguém visse a cena, jamais diria que o vomitão relâmpago era um vomitão de verdade.
Apesar do aparente descuido de Amsterdão, nunca fora flagrado no processo de regurgitação alimentícia. Nem em rodovias congestionadas. Uma vez vomitou a 100km/h na BR-101, entre Porto Alegre e Santa Catarina. O movimento fora tão rápido, mas tão rápido, que nem o amigo motorista sacou o arremesso. Pensou em se tratar de um mísero chiclete descaratado. Era o pastel comido meia hora antes. O nosso herói Amsterdão é asssim, um sujeito diferente.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Mais do mesmo

Tava olhando meu iPod outro dia aqui. Mais precisamente o iTunes, o programinha que gerencia todas as músicas da minha vida. Aí entrei numas de clicar na tal “Contagem de Execuções”, que mostra as canções mais tocadas pelo meu apetrecho desde que o adotei como meu brinquedinho favorito, há coisa de um ano.

E o resultado foi ao mesmo tempo previsível e revelador. Algo bastante, digamos, “mais do mesmo”. A líder das paradas do Felipe, com 39 execuções, é Hallowed Be Thy Name, do Iron Maiden. Shot Down In Flames, do AC/DC, vem logo atrás, com 36. Depois, mais três do Iron: Fear Of The Dark (35), The Trooper (35) e Aces High (32). Mais uma do AC/DC, o mais novo powerhit Anything Goes (31), seguida de Fortunate Son, do Creedence Clearwater Revival (31) – uma senhora exceção.

O que vem em seguida é ainda mais “revelador”: Back In Black, do AC/DC, Rime Of The Ancient Mariner e Wasted Years, também do Iron (todas com 29); You Shook Me All Night Long, Rock´n´Roll Train, War Machine e Black Ice, de Angus e Cia. E Iron Maiden e Powerslave, com o sexteto metaleiro inglês de novo. Nem vou publicar o resto das músicas aqui, porque, salvo uma exceção ou outra, tem mais uma cacetada de Iron e AC/DC, com várias menções honrosas ao Metallica, no total.

Terminada a parte “diário do iPod do Felipe” – o que deve levar muita gente a perguntar: “E o que é que EU tenho a ver com isso, caralho?” – , vieram as análises mais esmiuçadas. E a irrefutável conclusão de que eu gosto muito de poucas coisas. E não dou muita bola pro resto. Ou demoro a dar e, quando, começo a dar (a bola, ressalte-se), esta coisa corre o risco de virar vício, ainda que efêmero. Ou de cair no ostracismo. Ou é. Ou não é.

A lista do ipod é só um exemplo. Olhando pra caixa onde empacotei aquele objeto já extinto há alguns anos chamado CD, reparo a mesmíssima coisa. Deve ter uns 300 CDs lá, sendo que uns 200 são apenas de umas 10 bandas (além dos óbvios AC/DC e Iron Maiden, tem um monte do Deep Purple, Beatles, Led Zeppelin, Titãs, Legião Urbana, Rolling Stones e Nirvana).

Basta girar o olho pelo quarto pra ver que a mesmice do mesmo está em todos os cantos. Livros. DVDs. Ou o armário. Os tipos de camisas. As calças. É tudo igual desde que eu atingi a maioridade penal e até mesmo antes do tempo em que adquiri independência financeira.

São coisas de que gosto. E que se repetem. E quase se fecham para o resto. Um passeio pela minha “biblioteca” mostra reducionismo parecido. Biografias de roqueiros ou livros ligados à música (Jimy Hendrix, Paul McCartney, Sexo, Drogas e Rolling Stones, AC/DC, Kurt Cobain, Led Zeppelin, Chega de Saudade, Tim Maia, Noites Tropicais e por aí vai), uma cacetada da coleção L&PM – cada vez mais do Bukowski – e outros tantos de viagens e história. E ponto.
DVDs então, pior ainda: Filmes com sequência? Vários. De Volta Para O Futuro. Senhor dos Anéis. Duro de Matar. Star Wars. Exterminador do Futuro. American Pie. Só clássicos do entretenimento. Para desespero dos que odeiam tiros, fogos e explosões.

As camisas são na mesma linha: nomes de bandas, personagens de desenho animado ou clássicos como Mussum e Seu Madruga, times de futebol ou lugares por onde passei. Calças? Jeans ou de bolso na perna. Da Taco. Trocadas a cada cinco ou seis anos de uso.

Também tenho pouco ou nenhum saco para sair do meu mundo. De noite vou nos mesmos dois ou três lugares sempre. E odeio praticamente qualquer outra coisa que não seja semelhante a esses lugares. Leia-se um pub ou inferninho rolando rock´n´roll ou, eventualmente, um samba ou black music.

Demorei 30 anos para conseguir colocar algo no meu prato que não fosse arroz, farofa, carne e feijão. E só o fiz porque estava 15kg acima do peso, com vários botões de calça estourados por aí.

Bebida? Cerveja, obrigado.

Não sei se é simplesmente uma preguiça gigante pela própria natureza de entrar em novos mundos. Ou se é uma certeza absoluta, até certo ponto teimosa e obtusa, mas sobretudo convicta do que quero da vida. Poderia ter alguma crise de consciência por isso. Por me fechar pra muitas coisas. Por não me abrir tanto para outras. Mas vejo de outra forma. É, sobretudo, uma forma de se conhecer cada vez mais, respeitar isso e, sim, ser muito simples e prático. E simplicidade traz tranquilidade. Como as letras da Legião.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Escândalo em Mato Grosso do Sul

Altamir estava há duas semanas longe de casa. Viagens a trabalho o distanciavam de sua gostosíssima esposa – uma loura de 1m77, seios fartos, batata da perna sarada, bunda desconcertante e barriguinha daquelas. Passara aquele dia em reuniões intermináveis e participava, agora, de um coquetel de fim de ano na sede da empresa em Campo Grande.

Evento com quase cem pessoas. Bebidas, jantar, papos chatos de trabalho. Nessas horas, Altamir não conseguia esconder o descontentamento por não estar a fazer algo melhor – comer a esposa, por exemplo. Ainda teria mais dois ou três dias de viagens para depois voltar à alcova amada.

Já era 1h quando Altamir, um bem sucedido advogado contencioso da companhia merecedor dos rendimentos elevadíssimos percebidos, vai ao banheiro. Não aquele público, no meio da festa, mas um reservado, instalado numa salinha adjacente ao salão onde rolava a bonança. Neste pequeno aposento, alguns dos chefes da companhia tomavam um uísque descontraidamente.

O banheiro tinha duas partes. Na primeira, uma pia e dois mictórios. À frente, uma porta dava acesso a um cubículo onde ficava a privada, dentro do qual havia uma janela modestamente aberta, votada para o telhado de uma casa. Era impossível ser visto ali por alguém de fora. Altamir havia trancado a porta principal do banheiro e deixado a outra aberta.

Depois de uma bela mijada, pensou que teria de voltar ao evento laboral. Seus ombros estavam tensos devido ao volume imenso de trabalho. A vista já pesava. “Como seria bom dar uma bela trepada com Joaquina agora”, pensou, ao se lembrar da esposa. O pau de Altamir, recém-terminado o xixi, começou a enrijecer-se com a imaginação a fluir.

Pensava nos seios indescritíveis de Joaquina. Na boca da amada ao percorrer o corpo dele. A jeba de Altamir já estava completamente rígida quando ele não resistiu e começou a se masturbar. Ao fundo, só ouvia o som alto da festa e um zunido das conversas dos convivas.

Altamir já estava no banheiro há coisa de dez minutos quando começara a pensar em Joaquina. Havia lavado o rosto e relaxado por alguns segundos antes de mijar. A punheta, agora, já atingia ritmo frenético. As lembranças de Joaquina o deixavam maluco. Era louco pela esposa. Só tinha olhos para ela.

Um dos chefes da companhia, então, teve vontade de ir ao banheiro. Tentou entrar. Em vão. Aguardou por alguns instantes. Altamir prosseguia com sua punheta alucinada. Masturbava-se como não fazia desde a adolescência, quando gozava abundantemente com a Playboy da Bruna Lombardi.

A mão direita de Altamir friccionava o próprio pau com tesão maluco. Aquele caralho ovacionado pelas mulheres quando da época de solteiro: 20cm, formato perfeito, grossura elogiada por todas as suas parceiras sexuais em toda a vida. Era sempre elogiado sem nem pedir elogio. Joaquina chamava-o de “o pecado perfeito para uma mulher”.

O vice-presidente da companhia, então, passara a insistir mais fortemente em entrar no banheiro. Com o som da festa e a concentração voltada para Joaquina, Altamir nada ouvia. O chefe começara a esmurrar a porta.

- Algo aconteceu aí dentro do banheiro. Eu bato e a pessoa não abre, dizia o chefe, ao comentar a situação com outras pessoas ao redor.

Um garçom avisou que não havia outra forma de abrir se não na base da força, do arrombamento. Nessa hora, parte da festa já prestava atenção naquela confusão à frente do banheiro. Altamir não ouvia nada. Qualquer barulho era abafado pelo som da festa e pelo tesão louco pré-gozada que sentia.

Com a autorização dos chefes da empresa, o garçom partira para o arrombamento. Pegou impulso, correu e acertou uma pesada certeira na porta, que se escancarou prontamente. A frágil maçaneta foi destruída. Imediatamente, os chefes adentraram o banheiro, preocupados com o que acontecia ali dentro.

Altamir tomou um susto. Pau à mão, calça do terno arriada, camisa e gravata esgarçadas, virou-se para a porta. As três primeiras pessoas a entrar no banheiro olharam-no estupefatas. Eram dois vice-presidentes da empresa e o pobre do garçom. O advogado máster da empresa, jeba em punho, não se movia. Ficara estático diante daquela invasão.

O som foi desligado. Pessoas riam. Outras xingavam o pretenso tarado. A maioria, porém, ainda tentava entender o ocorrido. Altamir, então, só viu uma saída para tudo aquilo. Sem ainda tirar o pau da mão, começou a gritar maluquices e saiu correndo, em disparada. Cruzou todo o salão lotado de funcionários da empresa com o pinto ainda seguro pela mão direita. Foi em direção ao elevador que, por sorte, estava naquele andar. Entrou na caixa de ferro, pressionou o T e rumou para o térreo. Antes de chegar ao piso inferior, vestiu-se novamente.

Saiu a todo vapor pela rua, onde pegou o primeiro táxi.

- Toca para o aeroporto, rápido, ordenou.

Conseguiu passagem em um voo corujão. Ao chegar em casa, encontrou Joaquina dormindo. Acordou a esposa, chupou-a como nunca fizera, transaram a noite inteira. Nunca mais voltou ao trabalho. Virou uma lenda na empresa sul-mato-grossense.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Complexo de lobisomem

Rugas, barriguinha de chopp, cabelos grisalhos. De um lado, detalhes que pouco incomodam o homem. Do outro, problemas à vista para o mulherio, que acrescenta à lista de intempéries celulites, estrias e culotes. Para o macho, as marcas de envelhecimento capazes de atrapalhar o cotidiano surgem dos pêlos. O complexo de lobisomen começa na adolescência, mas é depois dos 30 que o elemento filamentoso, rico em ceratina, parte integrante dos anexos da pele a se distribuir por quase toda a superfície do corpo, surgem em lugares nunca dantes navegados. Coisa chata, enfim.

De alguns anos para cá, tenho notado vínculos do meu ser com personagens como Capitão Caverna. Outro dia tive de passar a gilete na ponta do nariz. E no outro na parte de cima da orelha. Senti-me ridículo. Mas o mais esquisito sai das entranhas nauseabundas do nariz. Esse sujeito é capaz de produzir coisas desagradáveis a cada minuto. Entre elas, claro, pêlos. Ao atingir uma determinada idade, o homem descobre que a substância capilar cresce na extremidade nasal como cipó na selva do Tarzan. Um saco, enfim.

Incomodado com a tomada ilegal de espaço no narigón, apelei à tecnologia. Aproveitei uma (mais uma) visita da minha mulher à Feira do Importados e encomendei o supermegaplusquatro Nose & Earhair Trimmer. Ela pagou R$ 20 pelo dito cujo. E levou um produto barato, eficaz, higiênico e capaz de manter limpa a região mais protumberante da face. Sensacional, apesar do inconveniente de arrancar com extrema agressividade o pêlo mais escondido. Como o aparelhinho portátil - também conhecido como Gentleman´s Personal Trimmer - funciona com pequenas lâminas internas, alternadas como pás de ventilador, elas se agarram no filamento e o puxam a ponto de criar uma bolha de lágrima no olho do macho-alfa. Espartano, enfim.

Mas e o porcalhão que não cuida do tufo de pêlos a dominar o corpo masculino? Em outro momento, quase coloquei todo o almoço para fora ao entrevistar um sujeito que, além de não cortar a pelagem da orelha, mantinha cordialmente uma colônia de cera de ouvido no matagal escuro e obscuro. Era tanta que a bomba de graxa parecia dar uma olhadinha no terreno ao longe do orifício auricular. Extremamente desagradável, não? Será que o sujeito come alguém com aquela porcaria a se desenvolver assustadoramente tão perto da boca? Será que ninguém mais próximo - um familiar, um amigo, um colega de trabalho - não o avisa sobre a floresta de excremento? Difícil, enfim.

Mais nojento que isso só a nuvem de pêlos a se formar nas costas de um anemal sapiens. Houve uma vez - nunca mais a esqueço - que não resisti e expeli os alimentos consumidos ao longo do dia ao esbarrar em um ogro peludo durante um show de rock n´ roll no Rio de Janeiro. O sujeito, certamente com mais de 30 anos, exibia pelagem em toda a superfície das costas. O suor, acumulado sob os pêlos, formava bolhas de sujeira, que explodiram a raspar em um dos meus ombros. A lâmina de pêlos e suor tornou incapaz de fazer com que o meu organismo segurasse o arroz com feijão deglutido no almoço horas anteriores. Nojento, enfim.

Às mulheres que reclamam de varizes e afins, portanto, deviam ser mais solidárias com os machos. O ataque ao avanço de pêlos na base corporal masculina também merece o respeito e a solidariedade femininas. Ao encontrar um exemplar de homem com os elementos filamentosos devidamente aparados, tenham a certeza de que há uma batalha por trás de tal apresentação. Nariz, orelha, virilha, peito, costas, axilas, tudo merece atenção pelo menos algumas vezes por ano. Pelo bem de tudo e de todos. Obrigado, enfim.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Shot down in flames

“... Shout, Shout, Let it aloud, These are the things I can do without…Come on. Im talking to you…Porra. Olho para o lado. 8h10. Boceta. Hora de acordar, não tem jeito. A furadeira começa a girar forte na minha cabeça. Uma dor lancinante. E não é por causa do Tears For Fears que começou a tocar na Rádio Verde Oliva FM no meu rádio-relógio. E que eu acabei de esmurrar. Tá quente para caralho. Meu Deus do céu. O que eu vou fazer? Ligo o ventilador.

Dormir de novo. Domingo de manhã inexiste. Coração tá batendo muito rápido. Merda. Nunca mais vou fazer isso. Eu sei que vou. Então não é por aí. Filho da puta que inventou de botar a cevada numa parada de metal. E gelar. E o mané aqui não aprende. Travesseiro encharcado. Sono. Pegando fogo.

10h37. Tô quase vomitando. Mas não vou conseguir. A hora já passou. A hora agora é de pagar o cagadão. Vou correndo para lá. Pra casinha. Saiu tipo spray. A merda em seu estado bruto. Liquefeita. Jato d’água no cu. De volta à cama.

Que bosta. A cabeça gira muito. Não dá para pensar em muita coisa. Aperta o olho. Quem sabe diminui. Foco. Tento pensar numa gostosona. Na melhor trepada que eu dei na vida. Numa mulher que tá doida pra me dar. Na que me deu há pouco tempo. Na que provavelmente vai me dar de novo. Nem isso resolve. Numa coisa chata. Ou que está me encucando. No campeonato brasileiro. Isso. Tem rodada hoje. Mais tarde. Argghh!!! Porra, tá foda.

Tiros a esmo. 12h27. O telefone toca. Tenho que ir pro almoço familiar. Vou pro banho. A melhor hora. Quero ficar aqui até a morte. Prostrado na quina do box. Caralho. Como isso é bom. Queria estar em Caldas Novas. Melhor que isso agora, só uma Coca-cola. Gelada. Queria mergulhar num tonel de Coca.

Desligo a torneira. Vou sair do box. Opa. Gira. Gira, gira, gira. Tá foda. Antes de me vestir, outro pit-stop na privada. A merda agora saiu tipo bosta de vaca. Parece até cobertura de sorvete de chocolate. Ficou um montinho, ainda longe de ter consistência. Vamos lá.

Ligo a televisão. Caiu um avião. Ou explodiu, sei lá. Parece que viram as chamas no oceano. “Ah, mas só deve ter morrido gente rica...”. O que me faz lembrar que, “enquanto isso, no Sudão...”. Caguei. De novo. Eu vou viajar daqui a uns dias. Tô mais seguro ainda. Se um avião já é difícil cair, imagina dois. Agora eu tô mais preocupado é em sobreviver a esse interminável dia.

Almoço na churrascaria.Foda. Sobrevivendo no inferno, como diriam Os Racionais. Saladinha iria bem. Mas lá vem a obra. A obra-prima. Alicate na cabeça. Entortando a nuca. Britadeira. “Bife acebolado com queijo, senhor?”. Não, obrigado. “Picanha apimentada, senhor?”. Não, obrigado. “Pão de alho torrado na manteiga, senhor?”. Não, PORRA. Tá foda. Meu pai tá tomando chop ainda. Eu não quero ver isso nunca mais na minha vida. Vou batizar a lousa da churras. E vazar.

Puta merda. 15h47. E não passa. No rádio diz que encontraram sobreviventes do tal acidente aéreo. Seis caras velejaram até o Senegal num pedaço da asa. Mole. Quero ver eles enforcarem o Mandela, como eu acabei de fazer de novo. E transformá-lo em magma pastoso.

Mais um banho. Sem força. Dor nas costas. Mão trêmula. Não dá nem pra aliviar a tensão. Isso é foda. Que calor dos infernos. Coração palpita mais rápido. Deita. Respira. Transpira. Maldita cerveja. Puta que o pariu. Trinta e dois anos e nada de conseguir lembrar de parar com isso na hora devida. Verde. Amarelo. Azul. Branco. Abatido. Em chamas.

Frase do Dia

"Se a mulher der mole, passo o trator"
Renato Gaúcho, o fodão nem tão fodão assim.