quinta-feira, 28 de maio de 2009

Budapeste ou Nova Délhi

Avião. Ponte aérea Rio-São Paulo.


A aeronave está prestes a levantar voo.

De repente, a pergunta, em alto e bom tom:
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"Capital da Índia! Qual é a capital da Índia?", perguntou alguém na cadeira 29C.
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O sujeito tentava resolver uma cruzadinha.

O perguntante viajava acompanhado de mais alguns amigos. Houve demora em responder.
Burburinhos entre os amigos davam conta de que estavam a pensar.
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- Nova Délhi!, disparou um deles. "É Nova Délhi, porra", enfatizou.

- Ah, é? Porra, eu coloquei Budapeste e a cruzadinha começou a não funcionar.

Silêncio constrangedor de dois segundos. Alguns passageiros, ao ouvir o despautério, se entreolharam.

O vácuo sonoro foi estuprado por uma gargalhada colossal de um dos amigos do perguntante.

- Hahahahahaha... Porra! Budapeste? Você errou até o continente!
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- É, né? Viajei. Mas Budapeste é capital de onde, então?

Outro silêncio. Agora, motivado por ignorância até dos amigos do paspalho.

Mais burburinhos ouvidos. Nada de respostas. Um passageiro os socorreu: "Hungria, gente! Hungria!"

Ao retomar as cruzadas, o idiota questiona o amigo salvador sobre a grafia da capital indiana.

- Mas, porra, não cabe. Falta uma letra. É com dois eles?

- Claro, seu burro, é com dois eles. Nova Délli. Dê, é, ele, ele, i. Assim mesmo, com dois eles.

No saguão do aeroporto, descobriu-se quem eram as figuras. Tratava-se da banda (sic) daquele cantor Vavá, do finado Karametade. Os dois interlocutores geniais eram músicos (sic) do grupo.
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Tava explicado!

segunda-feira, 25 de maio de 2009

O universo masculino



Lembram do Mister M? O Senhor de Todos os Segredos enfrentou a tudo e a todos ao revelar os mistérios do mundo mágico. A cada aparição, mostrava os bastidores de truques consagrados e que até então intrigavam plateias ao redor do planeta. Pelas mãos do polêmico mago, se sabe agora como a gostosa presa na gaiola de ferro desaparece por debaixo do pano vermelho ou como o mágico some de um lado do palco e reaparece como por encanto do outro.

Agora você se pergunta: o que o Mister M tem a ver com este texto? Absolutamente nada. O Príncipe de Todos os Sacrilégios serve apenas de exemplo para o que virá a seguir. Afinal, o Totalmente Sem-Noção, o blog que mais enlouquece a mulherada (no bom sentido), o usou como inspiração para se lançar na perigosa tarefa de revelar segredos íntimos do universo masculino. Ao enfrentar críticos e derrubar mitos, o TSN lança à luz seis mistérios guardados por séculos de dominação do macho-alfa. Que Deus nos proteja!

* Homens precisam de silêncio absoluto para tomar decisões importantes. É por isso que todo macho-alfa abaixa vertiginosamente o volume do som do carro sempre que precisa localizar um endereço complicado. A machalhda também exige o fim da barulheira a cada planejamento em busca do melhor caminho ou rota a se pegar. Nesses momentos, o melhor é ficar calada se não quiser recorrer a uma bússola para voltar para casa.

* O macho-alfa pensa em sexo 24 horas por dia. Em épocas de solteirice aguda, então, só se salvam parentes com laços sanguíneos diretos – ou seja, a mãe, a irmã, a vó e a tia. Prima certamente está no páreo, principalmente se o sujeito estiver na adolescência. Portanto, aquelas que se achavam protegidas de possíveis botes por conta do papel de melhor amiga, esqueça. Se der mole, o sujeito ataca. Agressivamente. O lema é como o clássico Retroceder nunca, render-se jamais. Afinal, arrependimentos, só pelo que se deixou de fazer.

* Não importa a idade. Dez, 20, 40, 50, 70, 80 anos. Para desespero e loucura femininos, o homem jamais deixará de ser criança. Videogame, jogo de botão, carrinho de ferro, tubarões de plástico, imãs de geladeira: jogos, coleções e brincadeiras acompanharão a machalhada por toda a vida. A maioria esconde o hobby do público em geral. Mas investe pesado na luta por acrescentar mais um item inédito na loucura pessoal.

* Chegamos ao banheiro, local de preservação e adoração masculinas. Pois bem, é considerado um desrespeito ao colega usar o mictório (aquele vaso preso à parede, muito comum em banheiros reservados aos cavalheiros em bares e restaurantes) exatamente ao lado do dele. É lei manter um reservatório cerâmico de distância para que nenhuma parte do instrumento sexual de outrem seja visto ou respingue líquido amarelado. Possível infração é taxada de ato extremamente homossexual.

* Casado ou não, todo homem que se preze tem em casa revista de mulher pelada ou filmes de sacanagem. Se a mulher tirar o dia para para dar uma revirada nas coisas da casa, tem 100% de chance de encontrar um exemplar da Playboy ou da Sexy por baixo de alguma pilha inocente de revistas ou recortes de jornal. O sujeito não faz por mal. Bem pelo contrário. Trata-se de um vício adquirido ao longo da puberdade. E incentivado ao longo do desenvolvimento sexual do macho-alfa.

* O raciocínio do homem é singular. Tem memória seletiva. Ou seja: lembra só daquilo que lhe interessa. Horário da partida do time do coração, quantidade de títulos conquistados pelo clube nos últimos anos, escalação do Brasil na Copa de 1962, os gols feitos pelo Nilson no Gre-Nal do Século em 1989, o estoque de cerveja de casa e o número de telefone da vizinha gostosa têm espaço cativo no cérebro masculino. Não que datas de casamento e de aniversário da amada e dos amigos tenham menos relevância. Mas...

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Carolina, parte II

Aeroporto Internacional do Galeão, 23h55


Passaporte pronto, mala feita. Mario está à frente do portão de embarque número 7. Há tempos não ia ao Galeão. Só Carolina mesmo para fazê-lo pegar um voo internacional sem qualquer intenção de ir a Paris. O avião era enorme e Carolina não viu Mario. A aeronave decolou, o café da manhã começou a ser servido e nada de os dois se cruzarem.

Quando o voo chegou naquele momento mais entediante, perfeito para bate-papos na parte de trás do avião, Mario colocou em campo a estratégia traçada. Era a hora de ter uma conversa mais longa com Carolina. Encontrou-a fazendo um pequeno lanche. Ela o reconheceu.

- Olá, como vai o senhor? Indo a trabalho a Paris?, perguntou.

- Não. Dessa vez são apenas alguns dias de folga. Dois grandes amigos moram na França, inventou Mario. Não conhecia absolutamente ninguém na cidade mais linda do mundo.

O papo seguiu. Apresentaram-se. Foi irônico quando a comissária disse “Meu nome é Carolina Bueno”, como se Mario já não soubesse. A atuação dele estava primorosa. O encontro havia sido o mais casual possível. Ela gostava da conversa. Ria, sorria, chegou mesmo a gargalhar em uma história contada. O mais importante nessas horas é o termo “fluir”. A conversa precisa, desesperadamente, fluir. E assim foi.

Mario voltou para a cadeira. Estava exultante. Sabia que dera uma bela cartada para conquistar a mulher de sua vida. Mas nem tudo seria flores naquele voo 8054.

Horas mais tarde, voltou à cauda do avião. Carolina Bueno estava lá novamente. Tornaram a conversar. Ele, então, fez a pergunta fatídica: “Você é casada?”

Aí, meu amigo, a casa caiu. “Sim, sou casada. Não uso aliança por ter uma alergia muito grande a ouro e a prata. Não posso usar nenhuma jóia”, disparou Carolina, sem saber que atingira como uma bala de escopeta o coração de Mario. Ele se descontrolou.

- Não pode ser.

- Como assim?

- Você não pode ser casada. Não pode!, elevou a voz.

Ela se assustou.

- Sim. Sou casada. Há três anos. Eu e meu marido namoramos desde a adolescência, respondeu, na defensiva.

Mario não sabia nem mais onde estava. Não conseguia raciocinar direito. Estava obcecado por Carolina.

- Não pode! Não pode! Não pode! Eu te amo! Quero você pra mim. Estou aqui só pra isso, esbravejou, colérico. Alguns passageiros acordaram e reagiram com muxoxos.

- Como assim, está aqui só pra isso?, perguntou uma incrédula Carolina.

- Sim. Eu vi você pela primeira vez há quase dois meses. Me apaixonei no primeiro voo. Só penso em você 24 horas por dia. Descobri os as rotas nas quais você trabalharia para seguir os seus passos, lhe admirar, tentar conhecer essa mulher linda e simpática.

Carolina não sabia o que dizer. Estava com medo de Mario. Não poderia ser tão psicótico.

- Você é maluco. Como faz uma coisa dessas? Eu sou casada. E saiba que sou muito bem casada. A-M-O o meu marido. AMO!

Mario se descontrolou. Ao ouvir essas palavras fortes, deu um tapa na cara de Carolina.

- Cala a boca! Cala a boca! Não fale mais nada!

Alucinado, saiu correndo pelo avião. Passageiros e comissários tentaram segurá-lo, sem sucesso. Mario rumava para a cabine do piloto. Deu um chute na porta. O co-piloto, inocentemente, abriu a cabine para ver o que acontecia. Mario forçou a entrada, mas o tripulante resistiu.

Pânico no aviam. Mulheres gritavam. Crianças choravam. Um padre começou a rezar. Aeromoças corriam desesperadas. Máscaras de oxigênio caíram sobre a cabeça das pessoas. Passageiros corriam em direção ao tresloucado apaixonado. O caos instalara-se naqueles poucos segundos.

- Abre! Abre! Eu vou jogar este avião no mar! Se eu não puder ter Carolina, então ninguém mais terá, bradava Mario, ao esmurrar a porta da cabine.

Um comissário e um passageiro o alcançaram. Um belo mata-leão apagou o psicótico. Foi amarrado pela tripulação. As pessoas se acalmaram. Carolina chorava. Era amparada por colegas de trabalho e passageiras.

Chegaram a Paris e Mario foi entregue a agentes da Groupe d'Intervention de la Gendarmerie Nationale, a polícia federal francesa. Foi extraditado dias depois. Em São Paulo, a Justiça o condenou distúrbios causados no avião. Privou-o de voar por dois anos. Teve de fazer três meses de trabalho comunitário e se apresentar à delegacia de mês em mês. Nos próximos dez anos, teria de manter distância regulamentar de Carolina Bueno. Nunca mais voltaria a vê-la.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Carolina, parte I

Voo 3932, TAM, 14h

Era uma viagem qualquer. Um vôo despretensioso para uma viagem de negócios ao Rio de Janeiro. Mario entrara no avião como sempre fizera. Puxava sua pequena mala na qual estavam sua calça do pijama, sua nécessaire, um ou dois documentos do escritório e Enterrem Meu Coração na Curva do Rio – lido pela terceira vez. Sua poltrona era a 22D. Sempre viajava no corredor para trabalhar ou ir ao banheiro sem incomodar os demais.

Quando chegou perto da 22D, percebeu a presença de uma aeromoça bem à frente de sua poltrona. Normal. Sempre tem uma comissária no meio do avião para dar um alô aos passageiros. Mario logo percebeu, porém, que não se tratava de uma comissária qualquer. Era simplesmente a comissária mais linda que Mario vira em toda a sua vida.
Uma coisa de louco. Cabelos levemente alourados. Olhos cor de mel, cativantes. Lábios finos, como ele gosta, bem desenhados. A delicadeza do rosto parecia retirada de uma tela de Monet. Uma minúscula presilha dava o toque especial no cabelo da moça. Mario sorriu para ela. Foi retribuído.

- Boa tarde, disse ele.
- Seja bem-vindo, respondeu ela.

Mario sentou-se. A comissária posicionara-se exatamente atrás dele. O rapaz não entendeu aquilo, mas o coração começou a disparar. Pensou consigo mesmo: “Puta que pariu. O que é isso? Meu Deus do céu. Que mulher linda. Que rosto, que cabelo, que corpo. O que é isso?”. Começou a ficar nervoso com a presença dela. As mãos suavam. Percebeu que a moça não usava aliança.

Ela passou pela cadeira de Mario, que reparou na silhueta da moça. Era fantástica. O corpo curvilíneo aguçava a curiosidade do passageiro.
Mario precisava descobrir o nome dela. Quando a comissária voltou para o fundo da aeronave, conseguiu mirar o crachá da TAM usado por ela: Carolina Bueno. Era esse o nome daquele furacão que não deixava o coração dele parar de bater aceleradamente. Ela voltou oferecendo balinhas. Ele aceitou, claro, e agradeceu. Ela retribuiu o sorriso, profissionalmente.

O Rio de Janeiro chegou e Mario teve de ir embora. Antes, porém, deu uma última olhada naquela lindíssima Carolina. Lembrou-se da música de Seu Jorge.

Ô Carolina isso é muito natural
Ô Carolina eu preciso de você
Ô Carolina eu não vou suportar não te ver
Carolina eu preciso te falar
Ô Carolina eu vou amar você

Deixou o voo e foi direto trabalhar. Na reunião, não parava de pensar em Carolina. Com o taxista, só falava de Carolina. Em tudo, via Carolina. O nome de uma loja, o nome de uma padaria, o nome da garçonete do restaurante. Tudo era Carolina. Tratava-se, tinha certeza, de uma conspiração cósmica. Quando voltou a São Paulo depois do dia de labuta, ficou na expectativa de reencontrar sua musa aérea. Ela não estava lá.

Nos dias que se seguiram, Carolina não saía de sua cabeça. O iPod parecia travado na música de Seu Jorge. No carro, só ouvia o CD do Mané Galinha. Estava apaixonado. Nos dias que se seguiram, viajou mais dez vezes a trabalho. Optou pela TAM apenas em busca de um novo encontro com Carolina.

Aquilo virou uma obsessão. Não conseguia mais se concentrar no emprego. Pediu férias. Usou as economias para comprar trinta passagens da TAM para os próximos dez dias. Faria três viagens ao dia apenas para encontrar Carolina. Na primeira, nada. Na segunda, nada. E assim as coisas foram acontecendo.

As férias terminaram. Ele estava exausto. Não havia mais visto Carolina Bueno.

Mario começou a ficar deprimido. Tinha certeza de que o grande amor de sua vida aparecera e ele deixara escapar. Poderia ter conversado com ela ao final daquele fatídico voo.

São Paulo, fim de férias

Voltou ao trabalho. Em seu primeiro dia, saiu para um happy hour com dois colegas. Conversaram sobre a vida, sobre Ronaldo Fenômeno, sobre a mudança na poupança, sobre a crise das passagens aéreas na Câmara dos Deputados. Quando falaram de mulheres, Mario se calou. Os amigos – ao perceberem o emudecimento do brother – questionaram-no. Mario, então, se abriu. Contou toda a história.

- Porra, se você tivesse me falado antes! Minha irmã é diretora na TAM. Pode te ajudar!, disparou Jonas.

- Como ela poderia me ajudar?

- Acho que ela não teria problemas em conseguir o número do telefone da Carolina.
- Mas eu não quero ligar para ela do nada. Quero um encontro casual. Ela vai pensar que eu sou psicótico se ligar assim, sem mais nem menos.

- Então vou conseguir com ela as rotas da Carolina toda semana, que tal?

- Você faria isso por mim? Tenho mais dez dias de férias para tirar. Poderia encontrá-la muitas vezes!

A irmã de Jonas, de fato, ajudou. Passou a escala da moça. Seriam seis vôos na ponte Rio-São Paulo e um internacional, para Paris, em uma semana. Era a chance de ouro. Mario, então, comprou a passagem em três das seis rotas nacionais e, claro, na transoceânica.

Aeroporto de Congonhas, 9h31

Mario estava nervoso. Suas mãos tremiam e suavam frio. Foi ao banheiro. Reforçou o perfume. Estava de terno e gravata, como se fosse viajar a trabalho. Entrou no avião. Nada de Carolina. Desesperou-se. A informação da irmã de Jonas estaria errada? Que nada. Mal o avião decolou e Carolina saiu da parte de trás para oferecer balas aos passageiros. Mario, então, pegou três balas.
- Você não vai querer?, ofereceu o rapaz à aeromoça de sua vida, fazendo uma brincadeira. Ela riu gostosamente.

- Não, senhor, muito obrigada.

Era o contato que ele queria. No meio do voo, levantou-se para ir ao banheiro. Logicamente, esperou o momento em que a moça estaria por perto do lavatório. Usou o toilete e, ao sair, pediu alguma coisa para ela. Um suco ou coisa do tipo. Mera desculpa para se falarem.

No mesmo dia, Mario pegou o voo de volta, no qual Carolina também estaria a trabalhar. Ela o reconheceu.

- O senhor aqui de novo? É bom saber que prefere a TAM, disse ela, simpática.

- Viajo muito a trabalho. Gosto muito do serviço de vocês. É primoroso, elogiou um Mario que tentava parecer calmo, mas suava em bicas sob o paletó.

Dois dias depois, novo voo para o Rio de Janeiro. Carolina Bueno estava lá. Mario torceu para que ela o reconhecesse.

- Mas o senhor viaja muito mesmo, hein?, brincou ela.

- Já nem desfaço as malas. Só troco a roupa suja pela limpa, respondeu.

No dia seguinte, Mario seguiria para Paris. No voo de Carolina.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Caleidoscópio



Lua. Homem na lua. Neil Armstrong. Pequeno passo para o homem. Grande passo para a humanidade. Lua. Sol. Planetas. Mercúrio, Vênus, Netuno, Júpiter, Saturno, Marte, Urano, Plutão, Terra. Terra. Quatro elementos. Terra, fogo, ar, água. (Vamos lá, companheiro, te acalma por aí). Voltando, voltando... Água. Água. Mar. Baleia. Tubarão. Peixinhos, peixões, polvo, caranguejo. Mudando, mudando de assunto. Meses. Meses do ano. Janeiro, fevereiro, março, abril, maio, junho, julho, agosto, setembro, outubro, novembro, dezembro. Dias de semana. Segunda-feira. Terça. Quarta. Quinta. Sexta. Sábado. Domingo. Números, melhor, melhor. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez. (Calma, garotão, te segura, porra). Matemática. Matemática. Raiz quadrada de nove é igual a três. Dois ao cubo é igual a oito. Melhor Física. E é igual a eme-cê ao quadrado. Einstein. Einstein. Gênio. Nome do cachorro do De Volta Para o Futuro. Anos 80. Curtindo a Vida Adoidado. Cinema. Angelina Jolie. Não, Angelina Jolie, não. ET. Freddy Kruger. Jason. (segura, segura, agora não, aguenta mais um pouquinho). Músicamúsicamúsica. Led Zeppelin, AC/DC, Black Sabbath, Metallica. Não. Som mais calmo, mais calmo. Cat Stevens, Bob Dylan, Pink Floyd, Coldplay, Enya, Chico Buarque, Caetano, Djavan, Betânia. (te agüenta, te agüenta). Supermercado! Supermercado! Carrinho de supermercado. Cosméticos. Produtos de limpeza. Sabão em pó, detergente, alvejante, lustra-móveis, óleo de peroba. Banheiro, banheiro. Cotonete, xampu, condicionador, lâmina de barbear, desodorante, sabonete, gel pós-barba. Cerveja, molho de tomate, iogurte, queijo-e-presunto. Frutas! Frutas! Frutas! Mamão, melão, abacaxi, limão, laranja, uva, maçã, banana. (mais um pouquinho, mais um pouquinho!). Verduras, verduras, verduras! Alfacetomatecenouraervilhamilhorabanetebeterraba, caralhoooooo!

(...)

- Hummm... Já?!

- Como assim "já"?

- Pô, você não me esperou!

- Você precisa se tratar, querida. Não tens de ideia de onde eu andei e do que eu passei para... Bom, deixa prá lá. Você não entenderia mesmo.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Madrugada

Madrugada. Ele sai de um restaurante louco por uma trepada. Em direção ao carro, saca o celular e dispara um SMS para uma comida contumaz.

- Pensando nesses seus seios lindos e ficando maluco. Completamente duro...

Passam-se alguns segundos. A tela do celular acende.

- Que delícia. Estou louca para ter sua boca neles, me enlouquecendo. Saudade do Terminator. Estou doida de saudade de cair de boca nele, lamber, chupar, beijar, acariciar, tocar... tudo!

A referência ao famoso filme de Schwazenneger surgiu depois de uma bela gozada, quando o casal ligou a televisão e, juntos, assistiram Exterminador do Futuro 2.

- Quero te comer de 4, puxar seu cabelo, te encher de tapas como você adora... Quero você me chupando loucamente. Te acordei?

Ele já estava no carro, dirigindo na direção de casa enquanto mandava as mensagens.

- Sim. Me acordou. E já me deixou toda molhadinha, subindo pelas paredes. Quero você. Quero ser sua, toda sua.

- Você está sozinha em casa? Seus pais já viajaram? Que você AGORA!

- Não. Eles só viajam amanhã, às 14h30. Aliás, quando minha mãe disse que ia viajar, logo me lembrei de você. Tesão. Gostoso.

Ele não ficou satisfeito. O instinto animal lhe dava urgência em resolver aquele desejo acumulado. Estava para explodir. Mataria por um boquete. Esfaquearia por um SLEA (Sexo Louco Estilo Africano).

- Minha cueca está explodindo. Quero gozar nos seus seios, na sua mão, na sua boca...

- Delicioso. Amanhã você será meu. Não vou conseguir mais dormir. Você despertou um vulcão. Quero você dentro de mim, gostoso, tesudo! Quero o Terminator na minha boca. Quero engoli-lo todo.

O rapaz, então, tem uma ideia insana. Chovia torrencialmente na cidade.

- Quero você me chupando AGORA. No carro, na chuva. Na porta da sua casa.

Ela morava em um condomínio de casas separadas por uma ruazinha bem estreita e muito iluminada. No carro, os dois ficariam bastante expostos. Aquela chuva, porém, seria a proteção ideal.


- Você tem coragem?

- Você é quem precisa ter coragem. Afinal, estaremos no seu condomínio, na porta da sua casa, com chance de sermos vistos pelos seus pais, pelo seu irmão ou pelos seus vizinhos. Quero você AGORA.

- Tenho. Claro. Quero você. Está caindo o maior pé d`água. Ninguém vai nos ver. Só vou te chupar, ok? Transar já é risco demais...

- Chego em 10 minutos.

Ela abriu o portão automático do condomínio e ele posicionou o carro entre a casa dela e a do vizinho, de forma a ficar protegido pelos muros e não muito iluminado pelos postes. Entrou com os faróis desligados para chamar menos atenção. Ela saiu de casa com um pijaminha micro, delicioso. Shortinho minúsculo. Blusinha de alcinha colada naqueles seios fartos e fantásticos. Ele já tinha até tirado o cinto para facilitar o processo. Estava louco para devorá-la.

Mal a moça entrou no carro, só teve a oportunidade de falar “seu louco!” antes de ser agarrada. Ele a beijou como nunca havia beijado. Começaram a se atracar enlouquecidamente. Em segundos, as mãos dela já investigavam o corpo dele, acariciando Terminator por cima da calça, sem abrir os botões.

Ele tirou os dois seios dela para fora e começou a chupá-los ferozmente. Chegou mesmo a mordê-los. Puxava os cabelos da moça enquanto mordia e beijava o pescoço e os peitos dela. Ela o empurrou contra a porta do carro e começou a abrir a calça dele. Chovia muito. Pelo retrovisor, ele monitorava o portão do condomínio. Pelo espelho lateral, mirava a porta da casa dela.

A moça abriu a calça dele e nem tomou conhecimento da cueca, tirada do caminho em milésimos de segundo. Sorveu-o loucamente, como nunca fizera. Colocou todo o Terminador em sua boca, até atingir a campainha de sua garganta. Ele tinha certeza: era a maior chupada de sua vida. Durante 20 minutos, ela só parou de chupar para tirar o cabelo do caminho. Os longos fios negros daquela moça de pele morena sempre entravam no caminho.

Enquanto ela chupava, ele acariciava os peitos dela, massageava o bumbum e o clitóris da moça com as suas mãos, que mais pareciam tentáculos – estavam em todo lugar a todo momento. De repente, um carro entrou no condomínio. Ele tinha perdido o contato visual com o espelho retrovisor e, quando percebeu, o automóvel já estava muito perto do carro deles.

Rapidamente, ele colocou a mão sobre a cabeça dela. Não poderia deixá-la se levantar. Seria óbvio que estaria chupando alguém naquele carro.

- Fique quietinha, meu amor. Não se levante. Um carro vai passar. Mas se você não se mover, ele nem vai te ver.

Ela ficou imóvel. Por alguns segundos, a adrenalina tomou conta dela. Pau na boca, posição completamente vulnerável, torcia apenas para o vizinho passar logo de carro. O carro desacelerou, passou pelo quebra-molas e foi embora.

- Já passou, pode continuar.

Ela nem tomou conhecimento. Continuou chupando o rapaz loucamente.

- Assim eu vou gozar na sua boca. Que delícia...

Ela tirou a boca por um instante e apenas respondeu.

- É isso que eu quero.

E mergulhou novamente naquele que é o pau mais gostoso que ela já chupou na vida. Começou, então, enquanto mantinha o Terminator em sua boca, a bater uma punheta. Ele ficou completamente fora de si. Os vidros já estavam embaçados. Começou a gemer loucamente. Nem percebia “Jeremy” saindo das caixas de som do carro. Puxava o cabelo dela com força, acompanhando os movimentos da cabeça. Chegou ao ápice do prazer ao gozar caudalosamente na boca, na mão e no rosto dela...

- Gostoso. Você é o cara mais gostoso do mundo.

Ela ficava maluca a cada vez que o via gozar. Amava aquilo. Eram 3h52.

- Amanhã, quando minha mãe sair de casa para viajar, te ligo. Venha o mais rápido possível para terminarmos isso.

Ela desceu do carro e saiu correndo, na chuva, de volta para o quarto. Ele foi para casa. Dormiria como um bebê. Antes, porém, o celular apitou mais uma vez.

- Delícia dormir com o gosto do Terminator na minha boca.

Frase do dia


"Você está entre as dez mulheres que eu mais quero comer nesta vida. Mas não vou lhe dizer qual é a sua posição para que você não fique metida",


Nogueira, guerreiro de altas batalhas, para uma gata que ele vinha pegando mas ainda não havia comido. O diálogo deu-se no meio de um bloco de carnaval, com ambos embriagados.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Guia Joselito do Brasileirão 2009


Este texto é dedicado a você, mulher. Como algumas devem ter percebido, o Campeonato Brasileiro de Futebol 2009 está aí. E a bola rola a partir deste fim de semana, quando 20 clubes de oito estados se enfrentarão em turno e returno em busca do caneco mais importante do país. Trocando em miúdos, alegria completa para a machalhada apaixonada pelo futebol. Ainda mais para quem assinou o pacote para a transmissão pela TV de todos os jogos.

Pois bem, como você, mulher, não costuma reagir bem à aproximação do Brasileirão, o Totalmente Sem-Noção (TSN) se lançou em profundo estudo para ajudá-la a conviver mais pacificamente com os companheiros ao longo do campeonato. Anote aí: o certame tupiniquim começa em 9 de maio e segue até dezembro. Parece muito, mas passará rapidinho se você seguir 10 dicas joselitas levantadas especialmente para a harmonia do lar.


1. A maioria dos jogos ocorre na quarta à noite e no domingo. Há ainda chance de as partidas serem jogadas no sábado e na quinta. Portanto, evite agendar compromissos familiares nesses dias, pois existe grande chance de você representar sozinha a família no tal evento. Estude com afinco a tabela do Brasileirão 2009. Ela está disponível no sítio da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), em www.cbf.com.br/seriea/tabela2009.html.

2. Nada impede que você fique por perto do local escolhido na casa pelo marido para assistir às partidas pela televisão (sim, porque Brasília não tem nenhum time na Série A, ou seja, não há chance de o companheiro ir ao estádio). Mas atenção: arrume alguma coisa para fazer. Leitura, crochet, tricot, pintura de unhas, não importa. Quanto menos intromissão e mais passatempo, melhor. Ainda mais se o jogo estiver complicado.

3. Se você optar em acompanhar a partida com o marido/companheiro/noivo/namorado, estude as regras do esporte bretão (lê-se: futebol, atividade desportiva criada na Grã-Bretanha). Aprenda principalmente sobre a regra do impedimento, pois ela não será (mais uma vez) explicada ao longo da partida. Pequenas dúvidas, como o porquê do cartão amarelo ou quantas substituições podem ser feitas em um jogo, são permitidas.

4. Deixe para contar alguma história "suuuuuperinteressante" antes ou depois da partida. A maioria de vocês já comete o delito ao longo dos Gols do Fantástico. O coitado do sujeito espera a p* do programa até o fim só para assistir aos gols da rodada. Após horas de silêncio, é o exato momento em que você, mulher, escolhe para contar "aqueeeeela" história "sensacionaaaal" ocorrida no mês passado e que se esqueceu de contar quando deveria. Enfim, aguarde o momento mais oportuno para falar da vida alheia.

5. Manifestações carinhosas são sempre bem-vindas, mesmo diante da televisão. Mas algo mais agressivo (lê-se: sexo propriamente dito) deve ser deixado para antes ou depois da partida. Isso se houver condições psicológicas de o sujeito se entregar aos pecados da carne. Não entenda isso como rejeição ou algo parecido, mas absorva a informação como duas atividades completamente incompatíveis de serem exercidas simultaneamente.

6. Em caso de derrota do time do companheiro, aguarde alguns momentos para arriscar algum tipo de contato. Deixe-o colocar a raiva para fora antes de qualquer manifestação social. Deixe-o falar mal do (merda do) técnico, xingar o (bosta do) goleiro e execrar (a porcaria do) atacante. Aos poucos, o torcedor começa a esquecer o resultado e está a sorrir novamente. Nem que esse processo dure uns dois ou três dias.

7. Não suma com o controle remoto. O assinante PFC (lê-se: aquele que paga mensalidade para ver TODOS os jogos transmitidos pelo canal SporTv) zapeia insistentemente os canais para conferir os resultados dos adversários. Até mesmo nos momentos em que o próprio time está em campo. Sim, o processo é obsessivo. Portanto, não meta a mão no aparelho portátil de escolha de canais. Por favor. É sério.

8. Se você, mulher, torce para o clube arquirrival do marido/companheiro/noivo/namorado, também faça o favor de se manter equilibrada caso a agremiação preferida fizer um gol. Manifestações exacerbadas contra o time do coração são encaradas como ataques pessoais ao torcedor mais fanático. Pode dar merda.

9. Alguns agradinhos são extremamente bem-vindos. Cervejinha gelada, azeitonas, queijos e salgadinhos podem tornar as duas horas (ou quatro) de futebol mais confortáveis ao companheiro. Lembre-se: tal gesto pode fazer com que você colha bons frutos no futuro, como companhia em idas ao shopping em pleno sábado ensolarado.

10. Também são importantes as jornadas esportivas pós-jogo. Programas de debates esportivos dão o resumo da rodada, classificação, enfim, números essenciais para se ter uma noção clara das chances do time do coração. Nesses casos, a sua paciência pode se esgotar. Evite, porém, desequilíbrios desnecessários. Tudo pode ser conversado. Ou não.

Pronto. Ao seguir essas dicas, você, mulher, pode ter a garantia que precisa para um Brasileirão 2009 recheado de tranquilidade e harmonia. Boa temporada!

Acusada de morte - parte final

Tudo bem. Eu até podia imaginar uma dúzia de medos que ela pudesse ter nesse momento. Toda novidade é assustadora, ainda mais quando é pouco ortodoxa. Cabe a nós, varões (existe expressão melhor que esta?), transmitir segurança a elas. Devemos aparentar que sabemos tudo sobre o assunto. Que sabemos agir em qualquer situação, simples ou inusitada.

- Tá bom, Ricardo. Eu confio em ti. Mas vai devagarzinho, tá?

Bingo. Alcançado o objetivo da noite, me entreguei ao descontrole. Malditos bancos de couro.

- Ri, tem alguma coisa errada.

Errada nada. Eu estava curtindo muito. Como tinha ficado mais gostoso de repente!

- Ricardo, para tudo!

Ela queria parar logo agora? Agora que estava mais quente e úmida a estreita passagem pela qual eu me permiti comemorar minha vitória?

- Tá, Ri. Se tá bom prá ti, então tá.

Bom? Cada vez mais quente e tão úmido que ardia meu pênis. Acho que ela gostou muito, pelo tanto que gemia. Estava era fenomenal! Sequer abri os olhos. Se fosse sonho, eu não queria acordar daquele orgasmo interminável e ardido. Então, percebi algo estranho além do chorinho canino de Amanda.

- MERDA!

Literalmente. Ela havia cagado no meu pau. Não, ela cagou o quarto inteiro! Olhei para ela. Olhei para nós. Estávamos enlameados e fedidos. As marcas marrons desenhavam formas étnicas em nossos rostos e corpos.

Corri para o chuveiro após gritar que ela usasse o outro banheiro. Acho que me esfreguei por 30 minutos e o cheiro não saía. Será que era psicológico? Talvez não tivesse sido boa idéia deixar o jantar servido enquanto buscava a moça no outro lado da cidade. Bosta! Mil vezes bosta! Merda, só conseguia xingar com essas palavras agora?

Saí do chuveiro e assoei o nariz. Saiu marrom. Tinha cocô até dentro do meu nariz! Mas eu ainda sentia o odor colado em mim. Corri para a cozinha pegar um Bom Bril e me esfregar melhor. Foda-se o chão do apartamento. Bom, ao menos já conseguia usar outros palavrões.

Não achei Bom Bril, achei a morte na forma de um esfregão de aço. Fica aqui minha lição para as gerações futuras. O pênis tem artérias de alto calibre que não combinam com alguns produtos excessivamente abrasivos. Rompi uma delas com o esfregão de aço e sangrei no chuveiro até morrer. Depois de escorregar no chão molhado do apartamento e cortar o lábio superior na mesa, Amanda me encontrou desfalecido e chamou a ambulância.

Pobrezinha. Ao repararem no sangue dos lábios dela, acusaram-na de ter me matado com uma mordida. Esta é a razão do meu depoimento paranormal. Ela é inocente das acusações. Mordidas em órgãos seriam só o passo seguinte de nossas experiências. Avisem as autoridades. Não morri de uma mordida da acusada. Morri de uma cuzada mal dada.


Obs: Texto escrito por uma das leitoras mais assíduas do TSN, o blog mais amado do Brasil.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Acusada de morte - parte I


Psicografado por Ricardo Hawk

Conheci Amanda na faculdade de relações públicas. FAMECOS, a faculdade de comunicação da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, assim mesmo, em caixa alta. Ela passava uma imagem doce, carente. Procurava um porto seguro em todo relacionamento que iniciava. Era minha oportunidade para testar como a atenção de um homem pode provocar uma mulher. A teoria era que uma aura de poder e segurança seria o melhor afrodisíaco para as garotas. Era. Mas também foi fatal.

Estava bastante difícil de testar minha tese numa época em que as mulheres faziam de conta que não queriam homens fortes ao seu lado. Elas não deixavam meu personagem sequer se aproximar. Me taxaram de metido. Mas Amanda era diferente. Ela queria o equivalente de um magnata grego, um capo siciliano, um cowboy texano.

A primeira aproximação foi no bar da facu. Ela não conseguia chegar ao balcão. Tomei a ficha da mão dela e fiz o pedido com autoridade, segurando-a com firmeza pela pequena cintura. Entreguei o suco e decidi não esperar pelo agradecimento. Limitei-me a sorrir e admirar-lhe a alma através dos olhos azuis (ao menos era para parecer isso). Funcionou. O frágil corpo tremeu e eu me afastei imediatamente. Não à toa que os romances de banca movimentam milhões por ano. Dez passos depois, ela me alcançava, ofegante.

- Ricardo! Oi! Espera!

Ela se apresentou, desnecessariamente, como sendo minha colega de Teoria da Comunicação ou algo parecido. Agradeceu efusivamente a gentileza, lançando mil olhares, oferecidos, cobiçosos e fingidamente tímidos. Isso me irritou, mas faz parte da dança do acasalamento, não faz? Ela me apelidou de guarda-costas e rapidamente passou a se oferecer e a se socorrer em mim por qualquer coisa, cada vez mais com uma afetação inversamente proporcional à minha sisudez. Contudo, sempre assisti suas demandas.

- Ri, vem cááááá. Só vou naquela festa se tu também for.

- Ri, socorro! Preciso de carona para casa.

Uma semana depois do primeiro contato, levei-a para conhecer meu apartamento. Na verdade, o apê maneiro e o carrão eram de um amigo do interior, mas meu personagem precisava desses itens para passar credibilidade. Nesse mesmo dia, eu confirmei minha teoria. A visão do carro não chegou a abalar a garota. Felizmente, ela não era interesseira. Mas bastou eu abrir a porta do carro para ela que o binômio carrão-abrir a porta arrancou da moça o primeiro gemido, acompanhado de olhos brilhantes.

Estava ficando fácil. Se meu estudo se limitasse à equação abertura de portas versus abertura de pernas, poderia ter a primeira comprovação ali. Os colegas desconhecem o poder desse gesto tão simples. Mas a teoria não era sobre gentilezas e precisei me concentrar no meu gol. No caminho para casa, comecei a perder o controle da situação. O cheiro do couro, talvez?

- Nossa, Ri! Tu dirige tão, tão...

Olhei sério, de soslaio. Ela tinha mudado a voz?

- Não, não é agressivo igual boyzinho. Mas é tão impetuoso, certeiro, sei-lá. Hmmm.

Tudo que ela precisava de mim foi a resposta que dei: minha mão quente na coxa dela e um olhar malicioso. O resto do trajeto fiz com a calça aberta e a cabeça de Amanda no meu colo. Subindo, descendo. O calor e a umidade da boca morna sobre minha pele mais sensível quase me fez arranhar o carro ao estacionar. Ela ainda ia ver o Impetuoso em ação. Ah, se ia!

Desculpem, não queria transformar esse depoimento num filme pornô. Só não consegui evitar as boas lembranças daquela boquinha vermelha no Impetuoso. Gostei do apelido. O importante é que depois do jantar fizemos uma pequena parada pro forma na sala e nos encaminhamos diretamente para a cama. Cama. Cumprimos as várias etapas do acasalamento. Alguém já fez um estudo sobre a progressão comportamental na cama? Do beijo na boca ao 69, do carinho ao SLEA (Sexo Louco Estilo Africano, como dizia meu mestre)?

E quando deixamos de ser humanos e assumimos nossa animalice absoluta é que eu fiz a proposta. Eu queria tanto que ela fosse completamente minha e só faltava a última etapa para a triplice fusione alternada (é, eu curtia a Cicciolina na minha puberdade). Depois desse passo, qualquer outra experiência com a moça seria bem recebida.

- Ai, Ri. Eu nunca fiz isso.

Carinhos sensuais, voz firme, olho no olho. Percebi que, ao menos, ela pensava no assunto.

- Não sei, Ri. Eu tenho medo. E se acontece de...?


Obs: texto escrito por uma das leitoras mais assíduas do blog mais amado do Brasil, o TSN.