terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Soraia tinha uma vidinha pacata... parte II

Soraia decidiu não contar nada a ninguém até que conversasse com Playboy. Queria saber se aquilo era mesmo real. E era. Walter chegou 48 horas depois das tratativas telefônicas. Seriam mesmo R$ 200 mil e mais alguma participação nas vendas da revista. Soraia ficou de pensar.

Reuniu a família. Contou tudo. A mãe não se pronunciou. O pai foi pragmático. “Filha, sabe quando você terá outra oportunidade como esta? Nunca. A revista vai ser vendida durante um mês e depois você será esquecida. Talvez esse seja o pontapé inicial da sua vida de casada com o Ramon. O início de uma caminhada com um pé-de-meia como esse não é para qualquer um”, ponderou. O irmão ficou furioso. Disse que quem posava para a Playboy era puta de luxo. “Só tem vagabunda posando pelada, porra!”, gritava.

Soraia não deu ouvidos ao irmão. Ponderou o que o pai lhe dissera e colocou todas as questões ao namorado. Ramon, supreendentemente, ficou orgulhoso e levou tudo numa boa. “Porra, eu vou ser namorado de uma capa de Playboy? Fantástico!”, disse, ao hesitar apenas quando pensara nos amigos refestelando-se com sua garota. Com o apoio geral, Soraia topou a empreitada. Dez dias depois, estava em Maragogi, onde posaria em uma praia semideserta. De início, ficou um pouco nervosa, mas depois se soltou e as fotos ficaram fantásticas.

Um mês se passou e Soraia estava exposta em todas as bancas de jornal do país, na lateral dos ônibus públicos, nas passarelas do metrô e nas oficinas mecânicas. Foi um sucesso. Ela lançou a revista no Jô Soares, na Hebe, no Faustão e no programa do Gugu. Foi chamada para participar de festas, recebeu convites de grandes boates do Rio e de São Paulo, logo estava no camarote de grandes carnavais fora de época daquele mês.

Ramon estava tranqüilo até então. Sua namorada viajava o Brasil lançando a revista, mas ele não podia acompanhá-la. O trabalho não lhe permitia ficar mais de dois dias fora da cidade. Ele e Soraia falavam-se todos os dias.

O mês terminou e outra Playboy foi lançada. Era a hora, como dissera o pai, de voltar a ser uma anônima e seguir com sua vidinha pacata. A musa, no entanto, gostou daquele frenesi. Prosseguiu aceitando convites para festas, boates e eventos de grande porte. Foi neste segundo mês de balada que ela e Ramon começaram a se distanciar. As ligações já não eram mais diárias. Falavam-se a cada 48 horas. Ela não voltava mais para casa com a mesma freqüência.

Soraia caira no mundo sem que ninguém percebesse. Nas últimas duas semanas, dormira com seis homens diferentes: um milionário do setor de energia, um empresário das telecomunicações, um ator bonitão brasileiro com carreira internacional, um renomado craque dos gramados, um importante apresentador de programa de TV semanal e um governador bem sucedido e solteirão.

Era a garota da moda dentro da high society brasileira. Aparecia em todas as edições de Caras, sempre ao lado de ex-BBBs, atores globais novatos e jogadores em ascensão. Alugava um flat fixo no Rio de Janeiro, onde dava festinhas privês aos novos amigos e amigas. Certa feita, o pequenino apartamento se transformou em um grande bacanal. Eram seis amigas e quatro garotões. Soraia deu para três dos quatro caras, além de chupar e ser chupada pelas seis garotas.

No dia seguinte, Soraia repetira a dose com outros homens e com as mesmas amigas. Sorviam champagne desenfreadamente. Aos poucos, a musa da Assembleia Legislativa passara a manter suas orgias apenas com as amigas. Reduzira o grupo para apenas três mulheres: ela, Monique e Paola, duas modeletes de sucesso no cenário nacional.

Com Ramon, falava apenas uma vez na semana. Mantinha o namoro não sabe bem por quê. A cada cobrança do namorado, mudava de assunto. Ramon decidira tirar a questão a limpo depois de mais um bate papo truncado. Pegou o primeiro vôo para o Rio de Janeiro e batera na porta de Soraia. Era domingo de manhã. A moça acordara de ressaca. Duas moças lindíssimas dormiam no sofá de sua sala.

“Soraia, o que está acontecendo? Volte pra casa. Vamos colocar em prática nossos planos de casamento. Você já curtiu essa vida que lhe caiu no colo. Vamos voltar para a nossa vidinha de sempre”, dizia um abatido Ramon, prestes a ouvir a revelação mais chocante de toda a sua vida. “Meu amor, não dá mais. Virei modelo e quero seguir a carreira de atriz. Mesmo que eu voltasse, não poderíamos mais continuar. Eu e você gostamos da mesma fruta. Nada é melhor nesta vida do que sentir o gosto de uma bela mulher em minha boca. Enjoei dos homens. Peguei asco.”

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Soraia tinha uma vidinha pacata... parte I

Soraia tinha uma vidinha pacata. Durante a semana, trabalhava na Assembleia Legislativa como assessora técnica da Comissão de Constituição e Justiça. Formada em Direito, atuava com discrição no apoio ao trabalho dos deputados. À noite, revezava-se entre ir para casa estudar e visitar o namorado, Ramon, com quem estava há cinco anos. Era um desses relacionamentos monótonos, com sexo protocolar, sem muita emoção.

Soraia, no entanto, era feliz. Não tinha muita ambição na vida. Como a maioria esmagadora das mulheres, queria ter um emprego estável com salário digno e horários fixos, se casar com o namorado da adolescência, ter dois ou três filhos, fazer ações beneficentes e envelhecer em paz. Enfim, uma vida comum.

Um belo dia, o deputado que Soraia assessorava viu-se em meio a um gigantesco escândalo de desvios de recursos públicos. Fora preso na Operação Pedra sobre Pedra, da Polícia Federal, acusado de desvio de tijolos das obras de diversas escolas da região. Soraia apoiou o deputado naquele início, ao elaborar alguns pareceres e tentar evitar a cassação sumária do parlamentar. O trabalho lhe deu certa notoriedade. Os jornalistas passaram a reconhecê-la. No Jornal Nacional, por duas ou três vezes aparecera como papagaia de pirata do chefe, que tentava se defender.

E Soraia era uma baita gostosa. Seios fartos, pernas torneadas, barriguinha acima da média e bumbunzinho em formato de morango. Lábios carnudos, cabelos morenos, lisos e brilhantes davam-lhe o toque final.

Duas semanas depois do início de todo o escândalo – o assunto não saía dos jornais –, o telefone celular de Soraia tocou. Eram 15h de quinta-feira.

- Alô, Soraia? É o Walter, da revista Playboy. Você pode falar um minuto?

Silêncio ao telefone. “Tô atolada de trabalho. Não estou para brincadeiras hoje”, respondeu a moça, ao desligar o receptáculo na cara do interlocutor. Segundos mais tarde, nova ligação.

- Soraia, não desligue. Sou editor-chefe da Playboy. Se você está duvidando, anote um telefone e me ligue aqui na redação. É 11-5555-1717. Estou na espera.

Soraia ficou em silêncio por alguns segundos. Tentava entender a ligação. Àquela altura, já havia se esquecido de terminar mais um parecer pedido pelo deputado bandido. Na mesa dela, onde se apoiava apenas um computador antigo, uma foto da família e um como d’água não mexido, Soraia ficou olhando para o papel com o número da revista masculina mais famosa e admirada do mundo. Um ícone erótico cinquentenário, fundado por Hugh Hefner.

Puxou o telefone da mesinha ao lado e discou. 11-5555... “Revista Playboy, boa tarde.” Soraia tremeu e gaguejou. “Po... por favor, o Wa... Walter?” Ouvia a musiquinha ao fundo e pensava no que o editor de Playboy queria com ela.

- Soraia? Tudo bem? Eu não disse que estava falando a verdade? Então, sou editar de Playboy. Gostaria de lhe fazer um convite. Percebemos a sua grande notoriedade na Assembleia nos últimos dias. Ouvimos maravilhas a seu respeito dos nossos amigos jornalistas. Queremos te encontrar pessoalmente para uma conversa mais séria. Mas, de antemão, gostaria de lhe fazer uma oferta. Queremos você como nossa estrela da edição de junho.

Mais alguns segundos de silêncio. “Como assim?”, perguntou Soraia. “Um ensaio nu?” Ela não acreditava no que ouvia.

- Exatamente. A Playboy adora a mistura de sexo com política. Achamos que você é a pessoa ideal para unir essas duas coisas neste momento. Como não és famosa – atriz, estrela do cinema ou coisa do tipo –, te oferecemos, então, nosso pacote básico de pagamentos. São R$ 200 mil e mais alguns contratos extras para os meses seguintes ao lançamento da revista.

Silêncio.

- (risos) Eu sei que é tudo meio surpreendente. Posso reservar a passagem para conversamos um pouco? Eu vou até BH e batemos um papo sem compromisso.

Soraia não soube o que dizer. No susto, consentiu a conversa ao vivo. Estava passada. O que diria ao namorado? O que falaria aos pais? E ao irmão, tão ciumento? Ela tinha uma rotina mansa que ganhara certa movimentação nos últimos dias. Daí a posar na Playboy era demais. Uma hecatombe em sua vidinha pacata. Ela nem sabia o que pensar...

Continua na próxima semana...

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Punheteiros Anônimos

Álvaro era o maior punheteiro de sua turma de amigos já na infância, quando tinha lá seus 12, 13 anos. Não tinha um só dia em que o rapaz não batia duas ou três bronhas na privada de seu quarto. Uma de manhã, depois de acordar, uma depois do almoço (“pra facilitar a digestão”) e uma antes de dormir, pra relaxar.

Nos fins de semana, quando não precisava ir para a escola, o número se multiplicava. Cinco punhetas aos sábados e mais cinco aos domingos eram uma boa média. Aquilo, no entanto, se tornou uma obsessão. Com o passar dos anos, Álvaro começou a se desafiar. Certa feita, estabeleceu uma meta: bater 15 punhetas num sábado.

Era aniversário de seu avô, que completava 70 anos com um grande churrasco, mas o rapaz optou por ficar em casa. Ficaria o dia inteiro em seu quarto para cumprir a meta estabelecida. Álvaro acordou cedo (colocara o despertador para tocar às 7h30). Às 8h, já gozara a primeira do dia. Faltavam-lhe mais 14 descascadas. E assim, com intervalos de 45 minutos, em média, era uma boa ida ao banheiro. Usava revistas, filmes pornôs (sempre com duas gatas se pegando) e pensava nas amigas e colegas gostosas para se animar.

Com o passar dos anos, ao chegar à idade adulta, a coisa só piorava. No trabalho, pedia licença nas reuniões para ir ao banheiro. Qualquer coisa lhe dava vontade de bater uma punheta. O chefe ligava e lhe dava uma bronca? Punheta. A secretária lhe dava um sorriso mais bonito? Punheta. Ele ganhava um novo cliente? Punheta. O dia tinha sido estafante? Punheta. Quando se tornou chefe, sem que ninguém entendesse, pediu a instalação de uma tevê portátil em seu banheiro. Explicou que precisava ficar o tempo todo ligado nos telejornais. Bobagem. Queria mesmo era ver pornografia pesada.

E a questão não era falta de sexo. Bonitão, Álvaro era o maior comedor do escritório. Estava sempre a bolinar as moças a sua volta. Com Ana, uma de duas namoradas, passava 3 horas no motel. Dava três trepadas. Chegava em casa e, antes de dormir, batia uma punhetinha sagrada. Na vida adulta, sua média eram cinco punhetas diárias, tanto durante a semana quanto aos fins de semana.

Ficou noivo de Clarice, uma gostosa sem precedentes que trabalha num escritório instalado no mesmo prédio do emprego de Álvaro. Transavam como loucos. Mas Álvaro não deixava a punhetinha. Ao contrário. No dia do casamento, a tensão lhe fez bater 9 punhetas. A sexta bronha foi batida 5 minutos antes de Clarice entrar na igreja. Sim, Álvaro bateu uma punhete pré-nupcial no banheiro do padre Augusto.

Durante a festa do casório, Álvaro batera mais duas. Durante a noite de núpcias, entre as duas trepadas daquele noite, outra punhetinha amiga. O casamento, porém, era feliz. Até o dia que Clarice começou a desconfiar da maluquice do marido.

Começou a reparar nos barulhos do banheiro durante os banhos matinais do esposo. Descobriu revistas pornográficas, vídeos escondidos e coisas do tipo. Um belo dia, pegou-o no flagra, às 3h25, batendo punheta em plena madrugada. Tiveram uma conversa séria. “Não sou doente. Apenas gosto de uma punhetinha, meu amor. São 4 ou 5 por dia, coisa pouca”, justificou o marido.

A frase não mereceu qualquer resposta. Dois dias depois, Álvaro estava no P.A., os Punheteiros Anônimos. Chegou atrasado para uma reunião do grupo, num bairro discreto da cidade. Uma sala com iluminação razoável, dez cadeiras postadas em círculo e homens de todo tipo participavam do encontro. Um senhor com barba ruiva de uns 65 anos. Um garoto de 17, com uma camisa do Che.

Um nerd de 30 anos com uma blusa do Atari. Um gordinho de 30 e poucos anos, que trajava um boné do Yankees, estava com a palavra. De pé, falava: “Olá, amigos, estou há 9 dias sem bater uma bronha. Tem sido um grande esforço, mas é reconfortante saber que consigo resistir. Há dois dias, joguei fora todas as minhas revistas de sacanagem. Os DVDs ainda estão lá. Não consegui doá-los, mas sei que é questão de tempo”, falou, para depois receber um aplauso efusivo dos companheiros.

“Boa noite, sente-se conosco”, disse um deles, ao virar-se para Álvaro. Ele obedeceu. Ouviu algumas história semelhantes à dele. Mas nenhuma tão intensa. Quando o rapaz revelou seu recorde de 15 punhetas em um só dia, viu os companheiros boquiabertos. Sentiu-se mal com aquela surpresa. Imaginou que pudesse encontrar ali ajuda e conforto e não incredulidade.

Deixou o P.A. para nunca mais voltar. Procurou, então, um sexólogo. Em terapia de casal com o especialista, Álvaro e Clarice, enfim, encontraram a solução. Todas as punhetas de Álvaro, a partir daquele dia, seriam batidas pela esposa. No trabalho, ele teria de se segurar, mas em casa, em locais públicos, no trânsito, em casamentos, cemitérios, na casa da sogra ou em qualquer outro recinto no qual a esposa pudesse estar junto, caberia à ela o trabalho de tocá-lo. “A bronha, meu amor, agora é por minha conta”, dizia Clarice ao esposo, a cada punheta. Viveram, assim, felizes para sempre.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Em busca do lucro fácil


Uma empresa em busca de lucro e sucesso depende basicamente de organização, investimento, funcionários competentes e um pouquinho de sorte, pois nem tudo são flores no mundo dos negócios. Todos esses fatores juntos certamente reservam um futuro promissor à companhia. Isso, claro, se nenhuma bolha global de mierda atrapalhar os planos do industrial ou comerciante. Pois bem, a vitória na administração empresarial pode ser facilmente adaptada para o lar doce lar. Mesmo que o aconchegante ambiente familiar se resuma ao casal.

Para que as coisas fluam como um rio que naturalmente segue em direção ao mar, é preciso estabelecer, antes de qualquer coisa, tarefas. É simples. Cada partícipe do casamento deve ter – e cumprir – determinadas regras pré-estabelecidas para que a instituição continue atraente por muitos e muitos anos. Por exemplo: o homem leva o lixo para fora de casa, lava a roupa, arruma a cama e passa a vassoura na casa a cada dois ou três dias; a mulher lava e passa roupas e faz a comidinha do dia-a-dia.

Neste momento, no entanto, deve-se salientar que, tal qual uma empresa em busca de uma boa fatia de mercado, as obrigações devem ser encaradas com afinco, pontualidade e seriedade. É exatamente neste ponto que a competência do empregado deve se destacar, desde que a firma garanta a mínima infra-estrutura necessária e os indispensãveis meios de produção. No nosso universo doméstico, falamos de equipamentos como vassoura, balde, pano de chão, máquina de lavar, sacos plásticos, lixeira etc.

Tudo ok? Tudo. Ou pelo menos quase tudo. Afinal, não se deve jamais esquecer o fator surpresa. Acompanhe o raciocínio. O que acontece com a rotina do lar caso algum engraçadinho avance sobre a tarefa alheia sem aviso? Enfim, qual o desfecho para as engrenagens de uma companhia caso o funcionário afoito e sem a menor habilidade (ou credibilidade) para determinada tarefa se lance em jornada desconhecida? Dá porcaria, claro. A consequência é nada além do que a mais pura, fétida e alaranjada merda.

Outro dia, um dos notáveis integrantes do casamento resolveu lançar-se em águas nunca dantes navegadas. Chegou cedo do trabalho, trocou de roupa, vestiu o avental, abriu um vinho e mergulhou na cozinha do dois-quartos-sala-banheiro. A primeira dificuldade se mostrou logo na chegada: localização de ingredientes, molhos, temperos e adereços dos mais exóticos e inusitados. Entre uma abertura de armário aqui e outra acolá, acha-se também uma panela, uma colher, um garfo, enfim, tudo que se precisa para preparar um delicioso jantar romântico à luz de velas.

Para amadores, porém, os percalços aparecem em atropelo. E as dificuldades surgem como mosquitos ao cair do sol. Logo a iniciativa para o bem-estar do casamento (ou da empresa) se vê sufocada pela inabilidade de se garantir bem-feita a tarefa de outrem. Uma rápida auditoria revela que o salmão torrou, o arroz ficou empapado e a batata sautê murchou. E você, caro aprendiz de cozinheiro, descobre do pior jeito que jamais deveria ter se arriscado em águas tão profundas. A solução? Astúcia. Chame uma telentrega e tente salvar a empresa da bancarrota iminente. Melhor recorrer aos mais experientes, como diz a mais básica regra de mercado.

Frase do Dia


"E não importa se não tem lata de cola
Eu quero agora é sestear nos meus pelego
Com meu cavalo galopando campo afora
O meu destino é Woodstock mas eu chego"

Amigo Punk (Graforréia Xilarmônica)

domingo, 8 de fevereiro de 2009

A mulher vampira

Rafaela não era uma trepada qualquer. Não, não. A moça de feições louro-adolescentes tinha 35 anos, mas só na carteira de identidade. O rosto refletia traços delicados e enganava até os mais maduros. Arquiteta, formada pela FAU, de São Paulo, era de beleza tão exótica quanto a das vendedoras tatuadas da Livraria Cultura. Também conhecia como poucas a arte do sexo. Mantinha no portfólio de luxúria uma característica peculiar. Rafaela gostava de morder. Marcava os seus machos com o sólido marfim dos dentes. E mirava sempre o mesmo lugar: o pescoço. Era batata. Todo homem que a fazia gozar recebia uma dentada certeira logo acima do trapézio. Vez ou outra um filete de sangue se seguia ao grito abafado de dor imposto pelo ataque vampiresco.

A reação masculina à agressão fortuita era o que mais excitava Rafaela. Sentia-se superior e especial ao enxergar o parceiro revoltado e ridicularizado. Nem ela conseguia explicar o porquê de tamanha crueldade. Tratava os homens, enfim, com um certo desprezo. E agia na cama como os criminosos especializados. Deixava o rastro na anatomia alheia como um assassino em série abandona pistas com o desejo inconsciente de ser descoberto. Desenhava na carne as oscilações da dentura como um assaltante que, com a intenção de se tornar famoso, sempre larga um objeto no local do crime ou escreve mensagens em espelhos e paredes. Definitivamente, Rafaela não era uma trepada qualquer.

Há pouco mais de uma semana, a aprendiz de Nosferatu se preparou para mais uma investida sanguinária na noite brasiliense - trocara São Paulo pela capital do Brasil ao ser aprovada em concurso do Iphan. Como sempre fazia antes de deixar o confortável apartamento de três quartos no Sudoeste, a loura repetiu o ritual de se vestir com extrema calma - um contraste com o sofrimento da próxima vítima. Ao fundo, deixou rolar um tranquilo e adocicado Marvin Gaye. Rafaela, nua e inebriada por duas taças de vinho tinto, saiu do banho, passeou pelo quarto encarpetado, escancarou as portas do armário e se imaginou a desfilar em um vestidinho de cor preta. Diante do móvel em mogno, acariciou um pezinho no outro, mordiscou o lábio inferior, e, mesmo com um resquício de dúvida, puxou a roupa negra e a acomodou na cama com candura.

Rafaela, a cantarolar os primeiros versos de You Are Everything, também escolheu uma calcinha escura. Vestiu-a delicadamente, obrigando o tecido da pequena peça de lingerie a lamber suas coxas como um angorá. Caminhou pelo cômodo até alcançar o espelho que ia do chão ao teto. Admirou a beleza que tanto atraía os homens. Avaliou as pernas grossas, os seios rosados e fartos, o rosto simétrico e mais uma vez se surpreendeu com o próprio olhar agressivo e seguro. Sou uma gostosa, como dizem os canalhas, pensou. Finalmente pôs o vestido, que, moldado ao corpo exuberante, revelava uma fenda até quase à altura dos quadris e um decote palpitante entre os peitos. Calçou a sandália entrelaçada, também preta, deu um leve suspiro e finalmente se viu pronta para o ataque.

A vampira do Sudoeste preferiu um táxi para alcançar a boate do Lago Sul que sempre frequentava. Chegou por volta das 23h. Furou a fila. Afinal, conhecia o segurança, o Paulão, que sempre a agradava com a esperança de um dia comê-la loucamente. Rafaela cruzou a pista de dança e se acomodou perto do bar. Pediu uma dose de vodca, servida sem gelo em um copo curto, e se virou para uma espiada geral. Era rápida nas suas escolhas. E um carinha bronzeado, alto e musculoso logo lhe chamou a atenção. Seguiu em direção ao rapazola, em passos que a fazia flutuar como uma pena perdida ao vento. Agarrou-o pela nuca, aproximou a cabeça dele da sua e soltou um leve sussurro: "É hoje, garotão. Vem comigo". O sujeito fez cara de poucos amigos. Mas devolveu um olhar confiante. "Gosto de mulheres como você. Venha você comigo."

Em meia hora estavam pelados em um motel escondido a caminho de Sobradinho. Beijaram, lamberam, torceram, cavalgaram, transgrediram, pecaram, gritaram, xingaram, suaram. Ao sentir o tesão alcançando o limite do suportável, Rafaela revelou os dentes e, gozando como nunca, cravou-os no parceiro como um pitbull raivoso. Um urro horripilante ecoou no quarto. E a ele se seguiu o estrondo de um corpo rebatido ao chão como uma pedregulho a despancar de uma penhasco. Era Rafaela, que ficara irreconhecível com a força do murro que se chocara com a linda face. O sujeito, indignado e revoltado, se vestiu bruscamente e a abandonou derrotada. Rafaela, nua, imóvel e ensanguentada, abriu com dificuldade um dos olhos e deixou escorregar uma solitária lágrima. Mas, se alguém a visse de perto naquele momento, se espantaria com algo que parecia um sorriso no canto da boca. Era verdade. Rafaela finalmente se apaixonara.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Origens do (meu) rock n´roll


Dia de ócio é assaz interessante. Da última vez que tirei uma folga no trabalho, usei parte dela para (re) conhecer a minha humilde residência. Alguns minutos bastaram para ter uma idéia dos equipamentos eletrônicos e utensílios em geral - a maioria presente de casamento -, que então jamais soube da existência na casa (se houver curiosidade em lê-lo pode ser acessado aqui: http://joselitando.blogspot.com/2008/10/prazer-guilherme-goulart.html).

Buenas, desta vez usei o fim de um domingo preguiçoso para dar uma vasculhada nos empoeirados vinis dos tempos de adolescência. Que coisa. Acho que não mexia na minha coleção de LPs (pelo menos o que restou dela) havia uns 10 anos. No mínimo. Reparei que a maioria dos bolachões conserva os plásticos das capas. Mas, claro, com uma espessa camada de poeira. Nada que um pano úmido não desse jeito.

Pois bem, vencida a operação limpeza, deu para ter idéia de quanto tempo tenho aafinidade com o rock n´roll e o heavy metal. Tirando alguns discos do Chico e do Caetano, de clássicos infantis (até Trem da Alegria eu achei) e de exemplares do tipo House Remix, 80% da minha discoteca se ergue por clássicos do metal e do rock brazuca. À exceção de um Black Sabbath (Paranoid) todos são dos anos 80. Isso porque sou eu o irmão mais velho. Ou seja, não herdei nenhum Pink Floyd, Led Zeppelin, Beatles, The Clash, David Bowie etc.

Empolgado com o tesouro recém-desenterrado, separei os discos em dois grupos. Os daqui e os lá de fora. Na seção estrangeiros, descobri que preservei algumas coisas deveras interessantes. Para começar o levantamento com o pé direito, reencontrei-me com o Master Of Puppets, do Metallica. Foi o primeiro disco de metal que adquiri depois de uma fase maluca em que só ouvia Guns N´ Roses. Só, só e somente só.

Por falar em Guns, guardei todos os vinis deles. GN´R Lies, Appetite For Descruction, Use Your Illusion I e Use Your Illusion II continuam perfeitamente conservados. Assim como um dos Ramones, outro do Viper (ok, os caras são da terra brasilis, mas como só cantam em inglês coloquei-os na turma dos não-brasileiros). Engraçado foi encontrar um clássico das festinhas do tempo de escola: Stay On Theses Roads, do A-Ha. Legal tê-lo guardado. Boas lembranças. Só dei por falta do Ride The Lightning, do Metallica, e do Fear Of The Dark, do Iron Maiden. Sumiram. All gone.

Achei melhor não queimar pestana com isso e alcancei a gangue musical brazuca. Não pude evitar um aperto no coração. Tinha realmente muito LP de grupos brasileiros. Mas, infelizmente, não me sobrou quase nada. Tudo bem, achei bem legal ter redescoberto ali o Cabeça Dinossauro e o Õ Blésq Blom, dos Titãs, o Viva, do Camisa de Vênus, o Rádio Pirata, do RPM, e os dois únicos discos decentes dos Engenheiros: Longe Demais das Capitais e O Papa é Pop. E o resto, carajo?
Segundos bastaram para lembrar da CAGADA FELOMENAL feita no auge da fase de garoto cabeludo, calças rasgadas e camisas pretas. Imbecilmente troquei toda a coleção do Legião Urbana, Capital Inicial, Plebe Rude (eu tinha o Concreto Já Rachou), Lobão, Ultrage a Rigor e Paralamas do Sucesso por camisas de bandas de metal. Lembro que vendi tudo numa loja do Conic por um preço ridículo. Se não me engano, troquei boa parte da minha superdiscoteca brazuca por camisas e bonés do Metallica, Iron Maiden, Guns N´Roses... Enfim, nem tudo é perfeito no mundo do rock n´roll. Bem pelo contrário.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Aventuras em Santarém, parte 2

Só leia este texto depois de ler o anterior, postado logo abaixo.

Pois bem, entre as duas viagens de avião, nas quais Fisher já nos relatou as aventuras passadas por ele e Botelho, temos uma história tão sensacional quanto aquela, ocorrida no período em que os dois estiveram em Santarém.

Segue a descrição de Botelho, feita em primeira pessoa:

"Era sábado à noite, jantar num restaurante em uma cidade quente deste Brasil – Santarém. Noite que parecia dia, calor escaldante, temperatura de 35º, jantar em um local bem movimentado com muitos jovens e gatinhas alucinadas.

Eu e Fisher jantávamos neste restaurante movimentado quando o colega se aproxima de uma pessoa do sexo feminino, aparentando 23 anos, não mais de 1m52 e, numa visualização rápida e amistosa, com cerca de 75kg. Ao abordá-la, inicia-se uma conversa que não durou mais de 15 minutos. Como a menina-bóia não tinha amiga para que eu pudesse conversar, resolvi observar de longe o bate-papo. Risadinha daqui, sorrisinho dali e volta o colega.

- De quem se trata, disse eu.
- Lindaura, respondeu ele.
- Vai pegar?, retruquei.
- Hahaha... Achei que ela tinha umas amigas para apresentar na cidade.
- E não tem?
- Parece que tem, vai passar lá no hotel amanhã.
- E você deu o nome verdadeiro do hotel?!
- Dei. (Faz um silêncio.) Dei mole mesmo. A mulher vai passar lá. Que merda. Só deve ter amigas horríveis.
- Acho que ela não vai , falei.
- É vai nada.

Pensei comigo: "Claro que ela vai passar. Essa gordinha tá doida para beiçar um bacana de fora".

Passa o dia. É domingo, começo da noite. Computador ligado tentando descobrir qual o lugar com gatas chupantes na cidade. Toca o telefone. Uma voz feminina se apresenta do outro lado da linha, com sotaque Raposa Serra do Sol:

- Por favor, o Luiz está?
- Quem, minha senhora?
- Luiz.
- Ligou errado, tá?
Silêncio na linha. Fisher, que cagava no banheiro, grita: - Peraí, não desliga. A pessoa tá procurando por quem?
- Luiz.
- Sou eu, diz o cagão.
- Pirou é? Tá com dificuldade de auto-conhecimento?, indaguei.

O colega deixa o banheiro correndo e rindo (percebi que não houve barulho de papel higiênico, podendo ser a indicação de que o cu não ficou limpo) e pega o telefone:
- Alô. É o Luiz - e a conversa prossegue.

Dez minutos depois, na porta do hotel, estamos eu e o "Luiz" aguardando pela menina-bote.

Vem vindo um Civic.
- É ela.
O carro passa reto.

Lá vem uma camionete.
- Agora é.
Nada.

Gol básico se aproxima.
- Chegou.
O carro passa devagar e vai embora.

No horizonte, se aproxima um carro mesclado. Daqueles tom de verde e de marrom. Cutuquei o Fisher:
- Tá vindo uma Unera pra cá.
- E ela tá devagar.
- Ela tá procurando o local, falei.
- Vamos vazar. Unera é queimação, diz Fisher.
- Assim, na frente dela?
O carro se aproximava. Sem jeito, ficamos de costas. Procurando algo, fomos saindo, quando vem uma buzina, estilo fucão, e um grito: "Luiiiiiiz?!"
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Aí, eu cresci. Era a minha chance de sacanaer o idiota. "É ele mesmo. Meu amigo Luiz!!"
Mais uns 15 minutos de conversa entre Luiz e moça-bambolê. Ouço a seguinte afirmação da garota:
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- Entra aí e vamos comigo. Tem umas amigas minhas lá em casa.
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Pelo estilo da Unera e da gata, percebi que boa coisa não era, mas como já enfrentei guerrilha, cancan e carnavalzão de Ibotirama, achei que aquilo era uma maravilha. O Fisher também nem pestanejou. Entramos na Unera e assim fomos ao som de Aviões do Forró. A garota ria mais que o Tião Macalé.
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Depois de 15 minutos pelas ruas, chegamos a uma casa em que, de longe, percebi movimentação.
Comecei a me animar.
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Chegamos. É aqui. Vamos descer. O Fisher parecia que era o dono da casa. Já chegou cumprimentando as duas primeiras mulheres que apareceram. Eu, mais tímido, fiquei na minha, achando que pra animar a noite ia ter que pagar um paulelê naquela casa (N.R. – O maluco do Botelho costuma se embriagar e colocar os documentos para fora em festas públicas e grandes multidões).
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As meninas tinham a seguinte descrição:
Menina 1 - 135kg. Qualquer outro elemento é pura perfumaria.
Menina 2 - Até que o rosto enganava. Afinal, já tinha ido para Ibotirama, né? Mas ela era AS/DS - Antes do Sorriso e Depois do Sorriso. Quando deu uma risada, na primeira brincadeira do colega, apresentaram-se três carreiras de dentes. A de baixo, a de cima e uma sobreposta à de cima.
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Nos foi oferecido um suco Gummy com vodka de plástico. O bom guerreiro, naquela situação, não nega. Depois de dois copos do drinque, digerido em dez minutos, Aviões do Forró era o máximo. Mas eu percebia que mais duas pessoas estavam na casa.
Todos somem.
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Em 5 minutos, Luiz está atracado na gordinha Lindaura. Algo como paixão juvenil. A gordinha termina o beijo e dá o maior sorriso da vida dela. Ao ver aquilo, pensei: "Sobraram a gordona e a tridente. Nem em Ibotirama!"
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Aí, vem lá de dentro mais uma menina. Nota 4. Naquela situação, com a gordinha pega, a nota aumentou para 5 pela bundinha arrumada, ainda que o rosto não ajudasse. Gordinha e tridente nem pensar. Essa outra que apareceu parecia colombiana. E assim ficou sendo a Colombiana. Mas quando o festival de bizarrices parecia acabado, eis que se apresenta lá do quarto, gritando, sapateando, batendo palminha:
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- Oi, genteeeeeeeeeeeee.
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"Fodeu geral. Para completar, tem um putasso na festa", pensei (N.R – Botelho é do Sul. Por lá, o termo "puto" significa "viado").
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O hermafrodita me cumprimentou e, em homenagem às minorias, retribuí.
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Aí, vem o Luiz com a gordinha, inocente, apaixonado. Nessa hora, fodeu geral. O hermafrodita em êxtase, ao vê-lo , como se fosse um conjunto de átomos aquecidos, solta a seguinte pérola:
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- Nooooooooooossa, que calor, esse Hércules saiu de que conto grego?
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O quarteto fantástico feminino deu um tapinha no hermafrodita e pediu para que ele se aquietasse. Luiz cumprimentou o rapaz polidamente. Após largar a mão do meu amigo, o hermá se virou e, balançando a mão direita ao lado da cabeça em sentido sul-norte intermitentemente, falou:
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- Tá muito calor aqui, tô na menopausa, o que é isso?! Ele é de verdade?!

Passaram-se mais quinze minutos e alguma daquelas incríveis mentes sugere:
- Vamos a uma festa.
- Que festa por favor?, já me adiantei.
- No Saculejo. É forró.
Como o objetivo era sair logo dali, eu falei:
- Vamos. Luiz vai querer?
- Claro.

Mais cinco minutos se passam e todos estão prontos, na frente da casa. De um lado a Unera da gata do Fisher. Do outro, o Gol da gordona.
Num raciocínio rápido, falei:
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- Eu vou dirigindo o Gol.
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A gordona nem relutou. Imediatamente veio a voz da "gatinha" do Fisher:
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- Luiz, você vai dirigindo o meu.
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Sem deixar cair a peteca, a borboleta falou: - Eu também vou nesse! Eu também vou nesse!
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Eu chamei o Fisher no canto e soltei: - Vai lá Luiz. Se deu bem. Vai com a hermá.
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- Porra, me fodi. Vou com o puto. Deixa eu ir aí, Botelho. Essa biba vai me agarrar!
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Mas a gordona já estava sentada, assim como as outras. E assim saímos. Eu, gordona no banco do passageiro, três dentes e colombiana. No outro carro, Fisher, hermafrodita no banco do passageiro e gordinha, os dois últimos com o maior sorriso que eles poderiam dar."