Soraia tinha uma vidinha pacata... parte II
Soraia decidiu não contar nada a ninguém até que conversasse com Playboy. Queria saber se aquilo era mesmo real. E era. Walter chegou 48 horas depois das tratativas telefônicas. Seriam mesmo R$ 200 mil e mais alguma participação nas vendas da revista. Soraia ficou de pensar.
Reuniu a família. Contou tudo. A mãe não se pronunciou. O pai foi pragmático. “Filha, sabe quando você terá outra oportunidade como esta? Nunca. A revista vai ser vendida durante um mês e depois você será esquecida. Talvez esse seja o pontapé inicial da sua vida de casada com o Ramon. O início de uma caminhada com um pé-de-meia como esse não é para qualquer um”, ponderou. O irmão ficou furioso. Disse que quem posava para a Playboy era puta de luxo. “Só tem vagabunda posando pelada, porra!”, gritava.
Soraia não deu ouvidos ao irmão. Ponderou o que o pai lhe dissera e colocou todas as questões ao namorado. Ramon, supreendentemente, ficou orgulhoso e levou tudo numa boa. “Porra, eu vou ser namorado de uma capa de Playboy? Fantástico!”, disse, ao hesitar apenas quando pensara nos amigos refestelando-se com sua garota. Com o apoio geral, Soraia topou a empreitada. Dez dias depois, estava em Maragogi, onde posaria em uma praia semideserta. De início, ficou um pouco nervosa, mas depois se soltou e as fotos ficaram fantásticas.
Um mês se passou e Soraia estava exposta em todas as bancas de jornal do país, na lateral dos ônibus públicos, nas passarelas do metrô e nas oficinas mecânicas. Foi um sucesso. Ela lançou a revista no Jô Soares, na Hebe, no Faustão e no programa do Gugu. Foi chamada para participar de festas, recebeu convites de grandes boates do Rio e de São Paulo, logo estava no camarote de grandes carnavais fora de época daquele mês.
Ramon estava tranqüilo até então. Sua namorada viajava o Brasil lançando a revista, mas ele não podia acompanhá-la. O trabalho não lhe permitia ficar mais de dois dias fora da cidade. Ele e Soraia falavam-se todos os dias.
O mês terminou e outra Playboy foi lançada. Era a hora, como dissera o pai, de voltar a ser uma anônima e seguir com sua vidinha pacata. A musa, no entanto, gostou daquele frenesi. Prosseguiu aceitando convites para festas, boates e eventos de grande porte. Foi neste segundo mês de balada que ela e Ramon começaram a se distanciar. As ligações já não eram mais diárias. Falavam-se a cada 48 horas. Ela não voltava mais para casa com a mesma freqüência.
Soraia caira no mundo sem que ninguém percebesse. Nas últimas duas semanas, dormira com seis homens diferentes: um milionário do setor de energia, um empresário das telecomunicações, um ator bonitão brasileiro com carreira internacional, um renomado craque dos gramados, um importante apresentador de programa de TV semanal e um governador bem sucedido e solteirão.
Era a garota da moda dentro da high society brasileira. Aparecia em todas as edições de Caras, sempre ao lado de ex-BBBs, atores globais novatos e jogadores em ascensão. Alugava um flat fixo no Rio de Janeiro, onde dava festinhas privês aos novos amigos e amigas. Certa feita, o pequenino apartamento se transformou em um
grande bacanal. Eram seis amigas e quatro garotões. Soraia deu para três dos quatro caras, além de chupar e ser chupada pelas seis garotas.
No dia seguinte, Soraia repetira a dose com outros homens e com as mesmas amigas. Sorviam champagne desenfreadamente. Aos poucos, a musa da Assembleia Legislativa passara a manter suas orgias apenas com as amigas. Reduzira o grupo para apenas três mulheres: ela, Monique e Paola, duas modeletes de sucesso no cenário nacional.
Com Ramon, falava apenas uma vez na semana. Mantinha o namoro não sabe bem por quê. A cada cobrança do namorado, mudava de assunto. Ramon decidira tirar a questão a limpo depois de mais um bate papo truncado. Pegou o primeiro vôo para o Rio de Janeiro e batera na porta de Soraia. Era domingo de manhã. A moça acordara de ressaca. Duas moças lindíssimas dormiam no sofá de sua sala.
“Soraia, o que está acontecendo? Volte pra casa. Vamos colocar em prática nossos planos de casamento. Você já curtiu essa vida que lhe caiu no colo. Vamos voltar para a nossa vidinha de sempre”, dizia um abatido Ramon, prestes a ouvir a revelação mais chocante de toda a sua vida. “Meu amor, não dá mais. Virei modelo e quero seguir a carreira de atriz. Mesmo que eu voltasse, não poderíamos mais continuar. Eu e você gostamos da mesma fruta. Nada é melhor nesta vida do que sentir o gosto de uma bela mulher em minha boca. Enjoei dos homens. Peguei asco.”










Lá vem uma 


