quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Aventuras em Santarém, parte 1

Fisher e Botelho são colegas de trabalho e amigos de longa data. Guerreiros inveterados, estão sempre atuando de forma honrosa em diferentes campos de batalha. Fora das baladas, estudam juntos para concursos públicos na área de engenharia. Certa feita, foram fazer um concurso em Santarém. Sabiam da viagem com certa antecedência, o que lhes deu oportunidade de planejar bem todas as etapas da empreitada.

Nesta semana, em troca de agressões gratuitas pela internet – das quais faziam parte Fisher, Botelho e outros amigos –, os dois idiotas-sociais relataram os dois capítulos mais importantes da supracitada viagem. São relatos absolutamente impagáveis que merecem ser postados em nosso prestigioso blog.

A seguir, a primeira parte da viagem, relatada por Fisher, em terceira pessoa:

"Tudo começou em Brasília...

Prévias para a tão sonhada empreitada na cidade quente (o inferno é frio perto do local). Era março de 2007 e Fisher, já sabendo que em breve embarcaria numa viagem para Santarém, tratou de arrebanhar gado nos fóruns de concurso (N.R. – Fisher é viciado em sites de discussão de concursos públicos espalhados pelo país).

Fisher foi rápido e certeiro, pois não tinha tempo a perder. Escolheu a melhor – aos olhos dos foristas. Seu nickname era "Dengosa". Não tinha erro. Com um nickname desses, a trepada é garantida! Sendo carinhosa, então, perfeito! Fisher se apresenta como Luciano no mundo virtual.

Conversa vai, conversa vem (e até sexo virtual já havia rolado), eis que Fisher e Dengosa descobrem que vão para Santarém no mesmo vôo.

Pensou ele: "PERFEITO!"

Assento reservado, tudo combinado! Fisher iria na poltrona 17 C! "O corredor do amor...", pensou. "Nunca uma posição no avião fora tão decisiva para determinar o enlace", prosseguiu.
Já no caminho do aeroporto, longe do lar, Fisher tem uma luz. Um pressentimento. Praticamente uma visão, digna de Chico Xavier: "Essa mulher vai embarcar na escala em Manaus, foi tudo muito fácil, boa coisa não deve ser...", pensou.

Nessa hora, lembrou: "Puta merda. Dengosa sabe o número da minha poltrona... FODEU! Não vou ter como escapar. Ela vai saber quem eu sou. E se ela for a maior mukissa do mundo?"

As mãos suaram frio, passou um arrepio pelo corpo, vontade de desistir... Mas como bom guerreiro, pensou numa solução. E Botelho seria a sua salvação da lavoura.

Ao entrarem no avião, Fisher e Botelho estavam marcados para as poltronas vizinhas. Fisher na 17 C (no corredor) e Botelho na 17 B (entre os dois assentos).

Fisher, então, colocou o seu plano mirabolante em prática. Em um ato de gentileza sem precedentes, oferece o lugar ao amigo. Afinal, a viagem é longa e Botelho, sendo de maior estatura, precisa de mais espaço. O rapaz, claro, aceita a oferenda.

Na mente de Fisher, estava tudo acertado: "Se Dengosa for gata e passar olhando para o 17C, eu me levanto e me introduzo. Se for mukissa... Bem..."

Chegando no Amazonas, o coração acelera. As mãos começam a suar, mas há um alívio. Fisher não está mais sentado na poltrona de origem. Eis, então, que entra Dengosa. Pensem em uma mukissa. Multipliquem por 10 e vocês terão a maior mukissa da região Norte.

Fisher, então, fingiu-se de morto. De olhos entreabertos, observa a filha do capeta desfilar pelo avião com olhar sedutor para o ocupante da poltrona 17 C. Ele passa à frente da cadeira uma, duas, três, sete vezes!

Eis que Botelho pergunta: "Viu que tem uma mulher esquisita que não pára de me encarar?"

Fisher, matreiro, responde: "Nem reparei..."

Eles desembarcam. Na hora de pegar as malas, Fisher avista a Dengosa. Quando ela passa perto dos dois, Fisher dá um tapa nas costas de Botelho e diz, em voz alta, para que a moça escutasse: "E aí, Luciano, nossa mala já chegou?"

Botelho não entende nada. Mas não tem qualquer reação.

Dengosa e Botelho, então, trocam vários olhares pela cidade. Na saída do aeroporto, no dia da prova, na balada que os concursandos foram no dia. Ela, apaixonada. Ele, com medo!
No dia da volta, a surpresa: Dengosa estava no vôo.

Fisher não resiste e conta tudo para Botelho que, desesperado, procura Dengosa entre os passageiros para esclarecer o mal entendido. "Eu não sou o Luciano não! Juro! Luciano é aquele meu amigo ali", diz, ao apontar para o verdadeiro Fisher.

Eis que Fisher se aproxima de Botelho e Dengosa. E diz: "Está falando de mim, Luciano?"
Botelho se desesperou. Sentou-se em sua cadeira e não tocou mais no assunto...

Meses depois, Dengosa mudou-se para Brasília. Depois de muito insistir, Botelho conseguiu convencê-la de que não era o tal amigo virtual. Mas só obteve tal êxito depois de comê-la vorazmente depois de uma dessas baladas baixaria da cidade...

sábado, 24 de janeiro de 2009

Albocresil versus Omcilon

Considero-me um sujeito aberto a novas experiências. Sem preconceitos e corajoso para enfrentar o diferente. Desde, claro, que as novidades não envolvam orifícios obviamente intransponíveis no organismo masculino. Pois bem, após décadas usando um medicamento específico para aftas, resolvi seguir a dica de um amigo joselito e testar uma fórmula alternativa. Pesou na decisão um texto escrito com maestria pelo conviva, que em 29 de abril de 2007 descreveu os benefícios do Albocresil no tratamento das lesões bucais provocadas pela acidez. Entre adjetivos e advérbios, não poupou elogios ao remédio. Disse inclusive que criara uma comunidade no Orkut em homenagem ao medicamento "milagroso".

Fiquei com aquilo na cabeça, também influenciado pela avalanche de 79 comentários dos queridos leitores do blog mais amado do Brasil. Alguns deles exaltados, como o da internauta Rara: "Também sofria com aftas da mesma forma que vc descreveu, até que um dia fui apresentada ao Albocresil por uma amiga. Levei o dela pra casa, ela que comprasse outro. Depois disso já apresentei o remédio pra mais duas pessoas que vibraram tanto quanto vc (sic)". O otimista Rossato seguiu pelo mesmo caminho: "Comprei o Albocresil, usei, e assino embaixo. Mais masculino e eficiente, não existe.. (sic)".

Até então, nunca tivera iniciativa para trocar o Albocresil pelo bom e velho Omcilon em orabase, do laboratório Bristol-Myers Squibb. Como vítima das famigeradas aftas desde a adolescência, sempre mantive em casa um tubo de 10g do produto. Também aprendi, ao longo dos anos, que só há como destruir as aftas se a lesão for atacada logo no início do desenvolvimento delas. É só colocar a pomada amarela e porosa sobre a ferida pulsante e uma noite se faz suficiente para exterminar qualquer resquício do horror bucal.

Há duas semanas, no entanto, o Omcilon acabou. E enxerguei ali a chance de testar o tão bem-recomendado Albocresil. Fui benevolentemente à farmácia mais próxima e pedi ao sorridente atendente um tubo de 50g da medicina curativa. Comprei-o. Ao chegar em casa, logo se revelou a primeira de uma série de dificuldades. Abri a caixa e descobri uma espécie de tubo branco (depois descobri que se tratava de um aplicador) dos mais esquisitos. Li a bula. E me assustei com o uso "vaginal" da coisa (por isso o tal aplicador). Rapidamente peguei o telefone e liguei para o amigo joselito em busca de esclarecimentos.

Ele confirmou que eu tinha comprado o produto correto. "É isso mesmo, mas relaxa. É só aplicar bem em cima da ferida, dormir e, pronto, amanhã não terá mais nada. Vai tranquilo". Ok. Falou, tá falado. Coloquei a pomada esbranquiçada no dedo e apliquei no bicho em formação. Adormeci. Acordei. Qual não foi a minha surpresa, a p* da afta tinha ganho proporções assustadoras. Mandei uma mensagem com requintes de agressividade ao conviva. Ele reagiu. Defendeu o medicamento e ainda contra-atacou dizendo que eu não soube aplicar o troço. "Você é um b* igual ao F*! O Albocresil é um ácido. Tenha cuidado. Coloque-o na ponta de um cotonete e aperte sobre a afta masculinamente. Vai dar certo".

Ok. Falou, tá falado. Mais uma vez... À noite, segui à risca o procedimento sugerido, empolgado e feliz da vida com a proximidade do fim da ferida. Apliquei. Adormeci. Despertei. A coisa ficara gigantesca. Indignado, optei por deixar de lado o Super-Albocresil. Segurei no osso a dor do ferimento em brasa ao longo do dia. Além do incômodo, não conseguia nem falar direito por conta da afta acomodada exatamente atrás de um dente. Qualquer movimento na boca fazia o atrito de uma com o outro piorar o problema.

Saí do trabalho à noite já nauseabundo. Parei na mesma farmácia e pedi OMCILON EM ORABASE com autoridade. Passei-o antes de deitar na cama. Adormeci. Acordei. E a ranhura purulenta finalmente deu os primeiros sinais de derrota. Mais um dia e meio adiante e voltei a comer como os demais mortais saudáveis. Quanto ao Albocresil, ah, certamente irá para o lixo. Pelo bem da humanidade. E do companheiro joselito.

Obs: o texto do amigo joselito pode ser lido em http://joselitando.blogspot.com/2007/04/apaixonado-por-albocresil.html.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Como cagar em locais públicos

Cagar é uma arte. Nem todos conseguem defecar com maestria em locais distintos do doce recanto do lar. Certa vez, me deu vontade de ir ao banheiro quando terminava minha visita pelo Palácio de Versailles, na França. Não tive qualquer constrangimento. Fui ao banheiro e fiz todo o serviço que precisava ser feito. Não é qualquer um que se senta no trono em Versailles.
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Tenho um amigo, o Juliano, que tem um bloqueio e não consegue cagar em locais públicos. Não sei bem o motivo. Na época da faculdade, era muito engraçado. Quando eu saía para o intervalo e me dirigia à lanchonete, procurava Juliano entre os amigos. Quando não o encontrava, era batata. Tinha ido cagar em casa. O sujeito saía da faculdade, pegava o carro, ia até a sua residência, subia, cagava em seu banheiro e voltava. Chegava atrasado para a segunda aula, mas não tinha problema. O que importava era defecar num lugar conhecido e familiar.
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Se você não for tão radical quanto meu amigo Juliano, pode cagar com absoluta dignidade em locais públicos. Sim, porque é preciso dignidade para cagar. Sentar-se em um vaso sanitário que não tem porta, por exemplo, é inaceitável.
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Algumas dicas são fundamentais para manter a dignidade em locais públicos. A primeira e mais importante informação é a seguinte: jamais, em hipótese alguma, cague no andar térreo de locais públicos. No térreo, o movimento é absolutamente superior aos dos outros andares. As pessoas que estão no recinto, de passagem, costumam parar no banheiro do térreo na saída ou na entrada. O ideal é procurar um andar menos movimentado.
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Se a empresa tem um presidente, certamente ele está instalado em um andar isolado, acompanhado de no máximo mais dois ou três vice-presidentes. E cada um desses tubarões têm um banheiro privativo na empresa. Logo, o lavatório público desse andar será usado apenas pelos poucos visitantes da cúpula da empresa. O mesmo serve para órgãos públicos. Basta ir ao andar de ministros, secretários ou seja lá qual for o mandatário daquela repartição.
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Outra boa forma de escolher um banheiro é apostando naquele meio escondido, ainda que fique no andar movimentado. Se o lavabo fica à frente de um elevador, meu amigo, esqueça. É mijo na tampa, no chão, no papel higiênico. É pia sem papel, é sabão escorrendo por todo lado. Esqueça. Procure aquele banheirinho menor, acanhado, menos conhecido. De repente, do lado da copa, naquela curva no final do corredor. Esse ninguém conhece direito, só o pessoal que trabalha ali do lado. Se o prédio tiver uma biblioteca, ótimo. Brasileiro é tudo iletrado. Ninguém vai às bibliotecas. O banheiro delas é sempre impecável.
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Uma vez escolhido o banheiro, é hora de preparar a privada para o cagadão que vem a seguir (se houver tempo para preparar qualquer coisa, né...). Meu amigo Guilherme (que não é o Gotinha), grande cagador público, me ensinou sua técnica: "Primeiro, dê uma boa descarga. Depois, olhe a tampa da privada. Veja se há respingos de xixis alheios. Em seguida, pegue dois papéis daqueles para lavar as mãos, cuspa no ‘sentador’ da privada e limpe bem. O cuspe é um detergente natural. A privada fica brilhando. Depois disso é só se sentar e curtir o momento...", ensina.
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Se você é uma pessoa extremamente neurótica com limpeza, ainda tem a básica teoria do papel. Depois de cumprir as determinações de Guilherme, forre o vaso com papel higiênico. Trata-se de uma prática abominável do ponto de vista ambiental, já que o desperdício se multiplica. Mas, às vezes, não há saída. É preciso proteger sua saúde contra banheiros horripilantes.
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Uma outra dica importante vem do Malucelli, um ex-professor meu da época do cursinho. Ele sempre falava que a pior coisa de se cagar em banheiro público era o respingo do mergulho da bosta. Ele tem toda razão. Sobretudo se o banheiro for público. A dica de Malucelli era colocar uma folhinha de papel dentro do vazo. Uma, apenas. Essa lâmina de papel já é suficiente para impedir que o contato da merda com a água faça subir tantos respingos. Qual é a explicação? Quando a bosta cai, a folhinha de papel "abraça" a dita cuja, reduzindo o impacto e dando suavidade ao mergulho. Coisa de profissional!
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Para se cagar com dignidade, é preciso também de privacidade. Além das portas com trancas, é necessário tomar cuidados para que seus colegas de trabalho não saibam que você está ali no trono. Sim, meu amigo, porque se você entra no cubículo da privada e tranca a porta com um colega sacana dentro do banheiro, fique certo de uma coisa: o babaca vai sacaneá-lo antes mesmo de você voltar para a sua sala, pelas costas. E quando você chegar à sua mesa, a sacanagem será geral.
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O grande lance é o seguinte: entre e saia do vaso sanitário apenas quando o banheiro estiver vazio. Jamais o faça com outros presentes ao recinto. Se o cara for mesmo um babaca, vai lhe dar um apelido desagradável. Sua imagem será arranhada e aquela gostosa do trabalho que você quer pegar vai ficar meio "assim" de sair com você. Afinal de contas, quem quer sair com um sujeito que é chamado pelos colegas de "o cagão"?
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Claro que isso não é um impeditivo para ninguém pegar ninguém, mas vai dizer que uma "marca" como essa não tira qualquer um do sério? O melhor, então, é aguardar o banheiro esvaziar. Se você entrou no banheiro e aquele colega de trabalho babaca está presente, faça qualquer outra coisa, menos cagar. Lave a mão, lave o rosto, mije no mictório. Qualquer coisa. Logo o sujeito sairá do banheiro e você terá caminho livre. É se sentar e cagar.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Frase do Dia


"I once loved a woman, a child I'm told
I give her my heart but she wanted my soul
But dont think twice, it's all right"

Bob Dylan

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Dida, o domador de dragões

Isabel, 15 anos, menina mais mukissa daquela turma que passou o carnaval de 2002 em Goiás Velho;

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Dida, 20 anos, guerreiro tranqüilo, faz algum sucesso entre as mulheres;
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Tito, melhor amigo de Dida. Seu passatempo favorito é sacaneá-lo por qualquer motivo;
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Pablo, dono da fazenda em Goiás Velho e anfitrião da galera. Adora ver os amigos pegando grandes mukissas para sacaneá-los depois;
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Doni, melhor amigo de Pablo, igualmente se esbalda ao ver os comparsas com incríveis mocréias. É superamigo de Isabel.
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Isabel era a menina mais mukissa daquele grupo de amigos que passava o carnaval em Goiás Velho, antiga capital do estado. A família de Pablo tem uma grande fazenda na região. Sempre que pode, Pablo chama os primos e muitos amigos para passar alguns dias por lá. Dessa vez, uns 20 convivas celebravam o carnaval naquele ano de 2002. E Isabel era a mais feinha de todas.
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Tadinha. Ela tinha apenas 15 anos. Sofria com a adolescência: espinhas na cara, aparelho nos dentes. Coisas que traumatizam qualquer ninfeta. O carnaval em Goiás Velho é daqueles de rua, aquela pegação bagunçada, com bandinhas aqui e ali, carrocinhas de cachorro-quente, a galera toda se perdendo. Aquela loucura básica que só ocorre no Brasil.
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No meio de toda essa turma, está Dida, guerreiro mais tranqüilão, amigo de Pablo de longa data. Não é de sair pegando todo mundo no carnaval, mas sempre trabalha com competência em eventos do tipo.
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No último dia de carnaval, Doni – outro integrante do grupo – está ali no meio da praça, observando a bagunça de toda a galera, quando Isabel vem falar com ele. Doni já tinha quase 20 anos e uma relação de primo-irmão com Isabel. Era também muito amigo de Dida. A ninfeta lhe pedia conselhos amorosos e coisas do tipo. Enfim, ela puxa o rapaz para um canto. "Doni, é verdade que o Dida quer ficar comigo?", pergunta a adolescente.
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Doni quase cai na gargalhada. Dida era cinco anos mais velho do que ela. Tinha certo sucesso com as mulheres. Jamais estaria interessado em uma mukissa daquele calibre. Mas Doni não é dado a maldades. "Olha Isabel, eu ouvi dizer que o Dida está meio ligado em você mesmo. Acho que é possível rolar. Vou dar uma investigada e te aviso, tá?", respondeu. Isabel saiu andando, toda animadinha. Claro, afinal, ela era uma megamukissa adolescente prestes a se pegar com um garotão mais velho.
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Doni fica ali pensando mais um pouco. "Isso é coisa do filho da puta do Pablo!!", imaginou. Pablo tem uma mania engraçada: gosta de armar casais inesperados. Adora fazer com que seus amigos mais próximos se peguem com mukissas só para tirar sarro depois. Doni se dirige a um grupo de machos que conversa alegremente. Pablo está entre eles.
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Doni puxa Pablo pelo braço e cochicha: "Moleque, que porra é essa de o Dida querer pegar a Isabel?!", diz, em tom indignado, mas já dando risada.Pablo faz um muxoxo para Doni e revela: "Xiiiiiii. Fica quieto, moleque. Ele vai pegar! Ele vai pegar! Estou convencendo o Dida de que a Isabel é gatinha e pegável! Você tem que me ajudar!" Doni cai na gargalhada. Sabia que aquilo era alguma armação. E topa a sacanagem.
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Dirige-se, então, a Dida. "E aí, meu querido, vai pegar a Isa?", pergunta. "Pô, cara, não sei, o que você acha? O Pablo me disse que ela está a fim. Falou que acha ela bonitinha..." Doni coloca em prática o plano traçado por Pablo e incentiva Dida a pegá-la. "Porra, eu acho a Isabel uma ninfetinha. Ela está com espinha, claro, mas isso é passageiro. Acho que ela é bem gostosinha. Você vai se dar bem", diz Doni, animadíssimo com a história.
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Minutos mais tarde, Doni e Pablo se encontram novamente. "E aí, como estão as tratativas?", pergunta Pablo. "Moleque, eu tenho certeza de que eles vão se pegar. Nós dois já convencemos o Dida de que a Isabel é pegavel. Você conhece ele. Sabe como é influenciável por nós. Ele vai pegar. É batata!"
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E não dá outra. Instantes depois, Dida e Isabel já estão batendo um papo íntimo em um dos becos do centro de Goiás. É nos becos que as pegações ocorrem. Em segundos, Isabel e Dida já estão atracados, se pegando loucamente, para a comemoração de Doni, Pablo e dos demais amigos. Tito, um terceiro amigo presente ao carnaval, está empolgadíssimo. "Caralho, o Dida pegou a Isabel? Isso é fantástico, maravilhoso. O que poderia ser melhor para o meu carnaval?", diz, pensando nas gozações que virão pelos meses seguintes.
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Imediatamente, Tito começa a pedir dinheiro aos amigos. Reivindicava pelo menos R$ 1 de cada. Quando Doni contribuiu, sem saber do que se tratava, tinha ideia de que viria alguma coisa mirabolante por aí. Cinco minutos mais tarde, depois de arrecadados os recursos necessários, Tito volta com um dos bolsos de sua calça cargo bem cheio. Discretamente, ele abre o fecho ecler e mostra a sua aquisição: um dragãozinho verde inflável, horroroso. "É a Isabel. Vou dar para o Dida de recordação do carnaval", dispara, para gargalhada dos demais. O casal de pombinhos, porém, não sabe de nada.
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No dia seguinte, era a hora de voltar pra casa. Isabel foi embora cedo com o pessoal de Goiânia. Dida era da galera de Brasília e só voltaria mais tarde. Ele e Tito viajariam no mesmo carro. Pablo, Doni e outros amigos seguiriam em uma Pajero.
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Dida e Tito deixaram a casa de Goiás Velho antes dos outros amigos brasilienses e rumaram para o posto de gasolina na saída da cidade. Era o ponto de encontro. Em seguida, chegaram Pablo, Doni e os demais. De longe, viram Dida encostado no carro, com cara de poucos amigos. Mão na cabeça, parecia desesperado com alguma coisa. Ao seu lado, estava o sacana Tito. Ao chegar no posto, o gaiato se dirigiu à bomba de ar para encher pneus de carros e inflou o dragãozinho. Era a Isabel!!
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Tito pulava no posto de gasolina de um lado para o outro gritando: "Isabel! Isabel! Isabel!" A galera que chegava de carro caía na gargalhada, enquanto Dida se tocava da grande catástrofe que seria a volta para casa. Durante todo o trajeto, enquanto Tito e Dida iam na parte da frente do Marea, "Isabel" ia no banco de trás. Sim, Tito colocou o dragãozinho inflável no banco de trás, protegido pelo cinto de segurança e tudo. Um grande de um filho da puta. Ao deixar Dida em casa, já em Brasília, Tito tentou dar o "bichinho de estimação" para o amigo guerreiro. "Leva o dragão, São Jorge! Você já domou, agora cuida!", sacaneava.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Sábado no súper

Sabadão. Dia de compras no supermercado. Em gauchês, dia de súper. Acordo lá pelas 10h30. Disposto. Me amarro em andar pelas prateleiras do comércio varejista. Principalmente na parte das cervejas. Feita a higiene pessoal (o que inclui, obviamente, uma lida básica no jornal sentado ao trono), calço o tênis Mizzuno, de épocas mais saudáveis, visto o calção vermelho-sangue do Sport Club Internacional e uma camiseta branca de Porto Seguro. Pronto. Ou quase. Não sou louco de esquecer a lista de compras minuciosamente montada pela minha querida mulher. A estas horas, ela está na manicure/pedicure/cabeleireiro. Certa ela.

Buenas, lá vou eu. Avanço sobre as largas avenidas da capital do país a bordo do Black Diamond, meu Fox 1.0, de quatro portas e um habitante. Led Zeppelin às alturas. Whole Lotta Love. O volante faz as vezes da guitarra. O painel vira bateria. E em 15 minutos estaciono o automóvel no (mais uma vez) abarrotado estacionamento do Wal-Mart. Here I am. Casais com criança, casais sem criança, mulheres gordas, homens magros, jovens de ressaca, a população de Brasília parece adorar um supermercado no fins das manhãs de sábado. Recolho a listinha, o celular e a carteira. Escolho um carrinho de compras. Dos grandes.

De peito aberto, inicio a aventura pela seção de limpeza. Sabão em pó, amaciante, detergente, bom bril, sabão em barra. Tudo tranqüilo. Sinto-me até orgulhoso da bagagem doméstica. Mas logo começam os problemas. A casa pede alvejante. AL-VE-JAN-TE. Fico paralisado entre as prateleiras. Olho em volta. Pho-deu. Não tenho idéia do que seja alvejante. Perco um tempinho dando uma checada geral nos rótulos. Nada. Uns 5 minutos depois, desisto de, sozinho, encontrar o item 12 da lista. Peço ajuda aos universitários, ou melhor, às donas-de-casa. Uma senhora solícita me explica o que é, para que serve e ainda me mostra a marca com melhor custo-benefício. Obrigado, querida, um alô para a família!

Obstáculo vencido, as compras continuam. Coisas de banheiro. Sabonete, xampu, condicionador, creme de barbear, pasta de dente, absorventes (sim, estou craque nesse negócio de abas finas, tipo noturno etc). Sigo pelos biscoitos, agarro uma lata de Farinha Láctea, uma caixa de um tal de Nesfit e, finalmente, alcanço o momento mais esperado: a ala das cervejas. Gasto uns 10 minutos em busca de uma marca diferente, mas, infelizmente, não há novidades. Coloco no carrinho uma pack com seis Brahma Extra, pego mais duas garrafas de Franziskaner e outras duas de Erdinger. Não há Guinness, um absurdo. Aliás, faz tempo que o Wal-Mart não vende a stout irlandesa. Algo extremamente irritante. Babaquice.

Sigo adiante. Passo sem dificuldades pelo setor de grãos e afins. Arroz, feijão, lentilha, açúcar, tudo na paz. Em seguida chego aos temperos. Nunca gostei dessa parte. Sempre rola uma surpresa. Chance clara de passar vergonha. Dito e feito. Leio na lista pi-men-ta-bran-ca-mo-í-da. Nunca soube da existência terráquea de pimentas que não fossem pretas ou vermelhas. Agora me aparece uma branca. E moída. Sacanagem. Da braba. Deve ser pegadinha (minha mulher é assaz engraçadinha), mas mesmo assim procuro por mais informações. Bem ao meu lado, uma loura deveras interessante. Arrisco uma pergunta sobre o tal produto. Ela dá um sorrisinho de canto. E me alcança a p* da pimenta. Vergonha, assim como previa.

Passado o ridículo, as coisas continuam sem tropeços ao longo da seção de laticíneos. Mas voltam a se complicar entre carnes e congelados. Carajo. A listinha básica pede frango sassami. Tá brincando, né? O que diabos é frango sassami? Compra-se vivo? Depois de uma olhada geral no imenso freezer horizontal, descubro uma bandeja da Sadia com o tal franguinho. Legal. Não passam de iscas de frango. Iscas. Para que complicar? Bom, mais dois filezinhos de salmão, meio quilo de guisado, 700g de lagarto, alguns filés de fígado e pronto. Resta apenas o momento mais chato das compras: frutas, legumes e verduras.

Banana, maçã, abacaxi, mamão, uva, limão. Alface, tomate, rúcula. Batata, beterraba e cebola. Minha única dificuldade se aproxima quase no fim do ataque aos hortifrutigranjeiros. É quanto a missão de levar quiabo. Como odeio esse sujeito, deixo-o de lado. E nem me importo com o possível esporro. Ora, quiabos... Esse troço é no mínimo anti-ético. Deveria ser proibido de chegar ao consumidor. Extremamente desagradável.

Buenas, as compras terminam com queijo (amarelo e branco), presunto, pão (francês e de forma) e ovos. Maravilha. Mais meia hora na fila do pagamento e, supimpa, lá estou eu carregando o carro com as famosas sacolas plásticas amarelo-ovo. Aciono o veículo automotor, aumento o volume do som e volto para casa com a sensação do dever cumprido. Apesar dos quiabos.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

A coroa parecia um pequinês

Goiânia, 2005. Armando e Barreto, brasilienses, 22 e 23 anos respectivamente, estão na capital goiana para um fim de semana de guerra. Agendada, uma festa high society promete ser o maior centro de gatas do país naquela noite de sábado. Barreto não é muito chegado em festas do tipo, mas aceitou o convite do amigo. Armando adora, está pilhadíssimo. Antes da balada, os dois enxugam 2/3 de uma garrafa de vodca com schweppes cítrus para animar as cabeças. Chegam à festa por volta das 23h.

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Como previsto, a festa é um aglomerado de gatas (Goiânia não falha). Praticamente um cardume. "É como faz a baleia diante de montes de peixes, apenas abre a boca", filosofa um empolgadíssimo Armando. A pegação de alto nível estava garantida. Em segundos, o galã conversa com um grupo de gatas. Barreto foi ao banheiro. Conversa vai, conversa vem, e uma das gatinhas já está nitidamente dando mole para Armando. Minutos mais tarde, chega Barreto: "Moleque, vem cá. Tem umas gatas ali querendo te conhecer".
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Armando pensou na gata que já lhe dava mole. "Não, Barreto, porra. Estou aqui prestes a me pegar", retrucou. Barreto não desistiu. "Você não está entendendo, elas estão chamando a gente pra uma festinha privê, a maior putaria de Goiânia..." Armando balança. Olha o grupo de gatas que fez o convite. Larga a sua gatinha e vai de encontro às moças do Barreto. "Vamos?", diz uma delas, com ar de safada.
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Os dois deixam a festa acompanhados das meninas. Trocam telefones - afinal, se deslocarão em carros separados. Elas dão o endereço de uma boate pequena, um inferninho de Goiânia fechado há alguns meses. O local só funciona para festas particulares. Os dois garotões chegam à porta da tal festa. Telefonam para as gatas. "Já devem ter entrado", imaginam. Os rapazes adentram ao recinto. Festa estranha com gente esquisita.
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Não encontraram nenhum sinal das gatas da outra festa. Olhavam em volta. Viam gays aos montes se pegando loucamente. Umas mukissas gordonas com estilo roqueiro. Umas patricinhas com roupas no estilo colegial. Ao lado da porta, viam dois punks goianos dividirem uma carreira de cocaína sobre uma mesinha redonda de vidro, com cadeiras altas e desconfortáveis. Um tinha cabelos roxos. O outro, verdes. "Seu filho de uma puta, abandonei uma megagata para vir para essa merda de festa. A não ser que eu resolva dar o rabo a partir de hoje ou pegar uma gordona metaleira, não pegarei absolutamente ninguém", disparou Armando a um calado e decepcionado Barreto.
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Vão ao bar e pedem uma dose de vodca cada um. Miram, do outro lado do balcão, uma mukissinha com peitinhos até gostosos (siliconados, imaginam) com uma amiga até razoável, mas de peitos nitidamente caídos e uma pancinha aparente (com direito a piercing no umbiguinho peludinho). "O que é um peido pra quem tá cagado?", filosofou Armando, tentando se animar. Chegam nas moças. Descobrem que a mocinha de peitos caídos e piercing, de perto, tem um bigodinho no melhor estilo "porteiro". A madame é natural de Santa Maria de Feira, pequena cidade ao sul da cidade portuguesa do Porto.
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Ao conversar com a portuga, Armando começa a se assustar. A moça tinha um tique nervoso inaceitável. A cada cinco palavras que falava, dava uma cuspidinha seca, que vinha acompanhada de um barulho horrível. "Cara, eu não vou pegar essa portuguesa nem fodendo. Não existe a menor possibilidade. Vamos embora dessa merda de festa", cochichou para Barreto, que atendeu às súplicas do amigo.
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O relógio já apontava para às 3h30. A noite estava terminada. Barreto ouvia insistentes reclamações de Armando. Dirigiram-se a um pit-dog desses que existem aos montes na capital goiana. Cada um já come o seu cachorro-quente quando um Audi A3 vermelho pára à frente da mesa dos dois. Dentro do veículo, uma coroa de uns 50 anos. Cabelinho loiro amarelo na altura do ombro. Cara de quem está meio embriagada. Ela pede alguma coisa ao garçom que vai atendê-la no carro.
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Enquanto espera o pedido, a coroa dá uma boa olhada aos dois jovens que estão a se alimentar. Armando a encara. Ela é receptiva. Barreto se antecipa. "Cara, ela é horrível. Não faça isso", dispara, antes que Armando faça qualquer comentário. Silêncio. Nova troca de olhares. Armando olha para Barreto, que já coloca a mão na cabeça, em nítida irritação com a voracidade do guerreiro. "Moleque, eu vou chegar", diz Armando. "Depois não diga que eu não lhe avisei."
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Armando se levanta. Vai até o carro. Papo vai, papo vem. Barreto já terminara o cachorro-quente quando Armando retorna e entrega a chave do carro. "Vou embora com ela, pode ficar com o carro", disse. Barreto ficou em silêncio e foi pagar a conta enquanto o amigo partia.
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Armando, completamente embriagado, entra no carro e se atraca com a coroa. Ela arranca o carro e parte em direção ao motel mais próximo. Nem pegou o sanduíche que já estava pago. Entraram na suíte standart, a mais barata. Começam a se pegar loucamente. Mãos pra lá, mãos pra cá. Armando vai ao banheiro. Quando retorna, a moça está deitada na cama. Traja apenas blusa e calcinha. Ele deita sobre ela e continua a pegá-la.
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As preliminares prosseguem. A coroa já estava sem calcinha e ele, nu. Mas a blusa persistia. Armando tentava tirá-la de todas as formas, mas ela não deixava. Armando não entendia nada. Até que em um dado momento, em um lapso de distração da moça, o rapaz consegue tirar a alça da blusa. Naquele momento, o varão entendeu todo o esforço de Goreth para não se despir completamente. Os seios, que estavam seguros pela blusa, flacidamente se esvaíram para a altura dos ombros, inacreditavelmente. "Ficaram parecendo aquelas bisnagas de requeijão usados em cozinhas de restaurante", disse Armando, dias depois, aos amigos.
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Um silêncio tomou conta do recinto enquanto os seios da moça se espalhavam molemente. As muchibinhas eram constrangedoras à Goreth. Armando não pensou duas vezes. "Catei cada uma das bisnagas, juntei-as no centro e comecei a mamar como um bezerro", conta o caridoso brasiliense. Mandou bala na moça.
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Armando foi tomar um banho. Ao voltar, Goreth estava enrolada no lençol, olhando para o jovem que estava a comê-la. Com as duas mãos embaixo do queixo, ela sorria. Fazia pequenos grunhidos. "Ela tinha uns dentes pequenininhos. Quando sorria, parecia um pequinês, era horrível", reconhece Armando. Ele a abraçou na posição de conchinha. Começou a boliná-la novamente. Em segundos, estava a ponto de bala para uma segunda sessão de Sexo Louco Estilo Africano (Slea). Inacreditavelmente, copularam por mais 30 minutos.
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Às 7h, Armando estava de volta ao hotel. Dormiu por duas horas. Foi acordado por Barreto. Era o momento de partir. Tomaram café, colocaram as malas no carro, fizeram o check out e rumaram em direção a Brasília. Em completo silêncio. Barreto não dirigia nem o olhar ao companheiro de viagem. Depois de dez minutos, Armando se manifestou. "Porra, o que houve? Você não vai conversar comigo?", disparou. "Não conversa comigo. Não olha pra mim. Não encosta em mim. Eu tô com nojo de você. O que é isso, moleque? Que desespero insano para comer mulheres é esse? Você precisa procurar um psicólogo urgentemente. Ontem você passou dos limites. A mulher parecia um pequinês. E se você me contar detalhes, eu paro o carro e você desce."

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

O lar masculino


Casa de macho se reconhece logo na chegada. Mas não por causa das eventuais bagunças e sujeiras. Independentemente se o sujeito é casado ou não, determinados itens são característicos do universo pessoal masculino. Mesmo que as mulherada reclame ou acuse o pobre rapaz de infantilóide, existem objetos, alimentos e iniciativas capazes de identificar a presença do macho alfa na casa. São artigos básicos e obrigatórios, enfim, que revelam a atuação marcante da figura de quem realmente manda no cotidiano familiar. Logo abaixo, alguns deles:

Controle remoto
Trata-se de um objeto de culto do universo masculino. Não importa o dia, não importa a hora, os controles da televisão, DVD, aparelho de som e afins devem estar ao alcance do homem. Reza a lenda que o divino concedeu ao macho o poder sobre a programação audiovisual diária só para não contrariar uma das maiores obsessões masculinas. Afinal, homem que é homem não consegue descansar em um mesmo canal nem com o programa preferido no ar. A idéia é que sempre tem algo mais interessante que se possa estar perdendo.

Pacote Brasileirão
É básico, mais importante do que as compras do mês e o pagamento em dia do condomínio. A assinatura do pacote do Campeonato Brasileiro garante horas extremamente aprazíveis em frente à TeVê por pelo menos 10 meses. De quebra, serve como desculpa para as cervejadas de quarta-feira e de domingo. Pô, nervosismo é nervosimo. E só se cura com um belo gole de cerveja. O pacote também garante reuniões constantes com os mais chegados no aconchego do lar. Lamentam-se pelos vizinhos.

Cerveja gelada
Quase toda geladeira tem um compartimento de tamanho razoável logo abaixo do freezer. Pois então, tal gavetinha, que fique bem claro, serve SOMENTE para gelar cervejas. Toda casa de macho tem de ter pelo menos uma meia dúzia de garrafas ou latas pelo menos resfriadas para consumo próprio ou à espera de uma visita inesperada. Se o espaço de cima for insuficiente, as cervejas também têm todo o direito de assumir um segundo compartimento. Leite, manteiga, queijo, presunto e ovos que se apertem em outro lugar da frigidaire.

Coleção de revistas de mulher pelada
Lembram da Playboy da Magda Cotrofe de 1981? E da Status da Tássia Camargo de 1985? E a edição especial da Bruna Lombardi de março de 1991, então? Macho que se preze mantém intactas as revistas compradas ou herdadas durante o período de prática do onanismo. É questão de ética para com as supergostosas que o ajudaram no desenvolvimento e na maturidade sexuais. Ah, também podem render uma graninha se a coisa apertar. Coleção da Playboy, entre 1990 e 2007, é vendida por R$ 650 no site QueBarato.com.br.

Cuecas e meias sujas no armário
Armário de homem-macho fede a chulé e otras cositas más, pois é anti-ético usar cuecas e meias apenas uma vez. Claro, deve-se seguir um critério pré-determinado, pois senão a mulherada desconfia da porcaria. A reutilização de peças íntimas após uma balada ou partidas de futebol, por exemplo, é predominantemente probida pela covenção. De resto, por que não devolvê-las ao aconchego do armário após um ou outro uso discreto? Um pouquinho de suor dormido faz bem à pele e aumenta os anticorpos.

Chuveirinho
Impossível manter a higiente básica sem um superchuveirinho devidamente instalado ao lado da patente. Alguns, femininamente, o chamam de ducha higiênica. O nome pouco importa. O que interessa é manter as badalhocas limpinhas para que sejam evitadas as vergonhosas e não menos famosas marcas de frenagem nas cuecas mais claras. A molhadeira feita pelos respingos do aparelho na tampa da privada pode provocar críticas e reações adversas da mulherada. Mas até elas concordam que é preferível manter os fundilhos sempre lustrosos.

Calção da sorte
Pode estar todo surrado, manchado e com alguns rasgos, mas o calçãozinho de estimação tem lugar garantido na maltratado coração masculino. Normalmente, é um velho short de futebol ou o que restou da parte debaixo de um pijama bagaceiro dado pela avó. Mas passou por poucas e boas ao longo de décadas de peripécias e merece respeito. Jogá-lo fora? Nem pensar. Substituí-lo por um novilho em folha? Absurdo! O bom e velho companheiro já se adequou ao corpo e levariam muitos e muitos anos para que outra peça alcançasse o mesmo nível de intimidade da primeira.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Rogai por nós, torcedores

Uma espécie de vazio delirante se instalou na vida da maioria dos homens-machos desde o início de dezembro. Mais especificamente às noites de quarta-feira e às tardes de domingo, quando o bom e velho futebol se fazia presente. Televisão ligada, cervejinha ao alcance da mão e refestalado ao sofá, a única obrigação se resumia em torcer - ou sofrer - pelo time do coração. Mesmo que isso representasse reclamações veementes da mulher, namorada, noiva, irmã, mãe, tia, avó, que se descabelavam pela suposta falta de atenção.

Pois bem, com o recesso dos campeonatos de futebol nacionais e sul-americanos, o ritual que terminou no começo deste mês só se reiniciará lá por fevereiro do próximo ano. Ou seja: uma merda. Esse fatídico período, no entanto, serve pelo menos para uma coisa: provar a injustiça da mulherada contra um dos maiores prazeres dos homens.

Partindo do princípio de que a maioria delas é apaixonada por novelas, parte daí a absoluta falta de razão para criticar a atração masculina pelo futebol. Já ouviram falar de uma emissora que, assim como os jogadores , dá férias para todos os seus atores ao mesmo tempo? Já souberam se, nas últimas cinco décadas, a Globo deixou de apresentar uma novela por mais de uma semana? Não e não. Novela é uma praga. E se alastra pelo Brasil há anos e anos.

Levantamento feito com exclusividade pela equipe de técnicos extremamente qualificados do Totalmente Sem-Noção mostra na prática as diferenças entre os sexos diante da TeVê. Vamos aos números. São 365 dias por ano. Cada capítulo de uma novela vai ao ar de segunda-feira a sábado. Em 2008, foram 53 domingueiras. Portanto, as telespectadoras puderam acompanhar 312 filmagens diárias de cada história. Tudo isso, claro, se falarmos somente de UMA novela. A Globo, por exemplo, produz ao mesmo tempo quatro (Malhação, Negócio da China, Três Irmãs e A Favorita) e reapresenta uma (Vale a Pena Ver de Novo). Levando-se em conta que Malhação e a novela do início da tarde torram o saco "apenas" de segunda a sexta-feira, chega-se, assim, à absurda cifra de 1.454 capítulos por ano. É mole?

Tudo isso, obviamente, se limitarmos o universo à maior produtora de novelas do mundo. Cá no Brasil, SBT, Record e Bandeirantes também têm o bizarro hábito de vez ou outra investir em folhetins diários. Nesses casos, a porcaria é maior ainda. Afinal, se não filmam a própria novela, reproduzem por aqui inúmeras chatices mexicanas, a maioria dedicada a crianças e adolescentes (lembram de Carrossel e de RBD?). Aí, nem vale fazer o cálculo de quantos capítulos por ano, pois se entraria em um mundo de contas que nem os mais qualificados cientistas da Nasa poderiam fazer.

Voltando ao futebol, alcançamos o ápice da discussão. Os números, mais uma vez, não mentem. E provam que as mulheres não têm do que reclamar de maridos, namorados, noivos, pais, tios, avôs e irmãos. Por quê? Simples. Os técnicos do TSN descobriram que há, no máximo, 98 partidas transmitidas pela televisão por ano. Sempre às quartas e aos domingos, independentemente se for Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil, torneios regionais ou internacionais (isso também porque não falamos de segunda divisão e Brasília não tem times que prestam na primeira divisão, logo não se vai ao estádio).

Percebem? Um cálculo superficial e arrendondado revela o desequilíbrio no placar: 1.500 x 100. A coisa ainda piora avassaladoramente dependendo do time que o sujeito torça. Se for torcedor do Náutico, por exemplo, quase não terá chance de acompanhar o clube na televisão. É mais fácil o time ser eliminado de uma competição logo de cara. Se for são-paulino ou colorado, no entanto, é partida importante quase toda semana. Mesmo assim, a quantidade de jogos não passa do número anual. Pobres de nós, torcedores.