quarta-feira, 2 de maio de 2007

Lei 10.510, do Código de Casamento Brasileiro. Capítulo I – Do matrimônio e suas peculiaridades

Casar é trocar pronomes. É esquecer o "eu"; e se acostumar com o "nós". Casar é não ter fome – você, somente. É uma dupla fome. Casar não é você e só você querer ir ao cinema. É VOCÊS, talvez, quem sabe, os dois, juntos, saírem para assistir a um filme. Enfim, casar é transformar as vontades do ego em ações solidárias – é quase como participar de uma excursão pela Europa e ter de abrir mão de certos monumentos históricos em favor da maioria.

Mas, claro, casar também tem as suas compensações. É viver um momento diferente e especial. É hora de se fazer projetos, de cuidar com carinho e atenção da pessoa que te ama, de fechar algumas portas e abrir outras. Afinal, casar nada mais é do uma aposta na felicidade a dois. Uma tentativa corajosa ao redor do fabuloso mundo da responsabilidade matrimonial.

E só quem casou ou dividiu teto sabe o real significado do verbete tolerância. Afinal, não há vida a dois sem paciência. Não há vida a dois sem fazer uma vista grossa aqui e outra ali. É o porta-retratos do tio Gumercindo ao lado do Gotardo, o cachorro morto há 15 anos, que TEM DE FICAR logo na mesinha em frente à porta de entrada. É a plantinha verde-e-rosa que não importa quanta sujeira faça, mas que deve participar da felicidade da casa. Por essas e outras, eis aqui uma mostra sobre as aventuras de um recém-casado.

Fio de cabelo no meu paletó
Você adora aquela escova dada pela mamãe. É anatômica, penetra delicadamente ao longo dos cabelos e ainda faz uma massagenzinha básica no couro-cabeludo. Aliás, adorava. Porque essa mesma escova parece ter mudado de dono. E o pior: a nova proprietária é loura e tem cabelos longos. Ou seja: não há dia que as madeixas da querida esposa não circulem Brasília na cabeça de outrem. E que esse mesmo outrem as descubra ao volante ou na reunião do trabalho.

O ataque dos cosméticos voadores
Morar em quitinete é complicado. Principalmente se o sujeito-solteiro foi pego desprevenido e até bem perto da data do casamento morava num apartamento em que o banheiro é mínimo. Neste caso, pho-deu, simplesmente pho-deu. Cosméticos dos mais variados estarão em todos os lugares e a todo o momento. É creme para as mãos, hidratante para os pés, removedor de maquiagem noturno, tira-esmalte vespertino, creme rejuvenescedor, shampoo de aloe vera com rapas de ouro (ou será limão?). Enfim, potes e mais potes passam a fazer parte da paisagem do lar. E ai se reclamar.

O secador de cabelos assassino
Teu banheiro dois por dois nunca enfrentou temperaturas tão quentes. É só ouvir o vuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu do secador de cabelos da garota e em 10 minutos o diminuto quarto de banho sem qualquer sistema de ventilação se transforma numa sauna. Pronto. É só tirar a camisa, colocar a sunga e se acomodar atrás do vidro blindex do box para suar até pelo cu.

Fucking shopping
Onde comprar uma panela de teflon? E uma fita-crepe, então? Ou quem sabe um elástico para o cabelo? Fácil. A resposta correta é sempre shopping center. Incrível como, para as mulheres, toda e qualquer coisa pode ser comprada em shoppings. Desde as coisas mínimas até as mais complicadas. Assim, é simplesmente impossível paral elas ficar uma semana sem ir ao shopping pelo menos uma vez. Qual é a conseqüência? Ora, toda visita aos centros de compras se transforma em sacolas das mais diferentes cores e sabores.

Futebol na Tevê
Prepare-se. A maior diversão de um homem aos domingos poderá sofrer uma forte resistência interna. Afinal, aquelas tardes de domingo tranqüilas e regadas a uma cervejinha não são do agrado do lar. Algumas vezes, a amada esposa será solidária e até tirará um cochilo ao teu lado. Mas não será sempre. Afinal, domingo é dia para o casal se curtir ou se divertir em eventos sociais dos mais diversos. Bom, esse argumento não é meu. Óbvio.

Momento T.P.M.
Oh, fuck, um manual, pelo amor de Deus! O turbilhão de emoções, provocado pelo bombardeio hormonal durante a T.P.M., leva o homem ao sofrimento. Um palavrão a mais ou um gesto a menos do marido são capazes de estabelecer a discórdia no lar. É impossível prever as reações. É impossível acreditar nas reações. O jeito é fazer as vontades, dar um beijinho e um chocolate, deitar do lado e pegar um ótimo livro para ler. Perdoe tudo. Até a estatueta do Che Guevara quebrada.