quarta-feira, 22 de novembro de 2006

Uma ode aos filmes de sacanagem


Quando eu era mais novo (long time ago), no auge hormonal da adolescência, curtia muito filme de sacanagem. Não tinha nada melhor para bater uma punheta do que ver um filme de sacanagem. Sim, fornicação, putaria. Nego metendo a jeba na mulher, esta urrando e ouvindo safadezas ao pé do ouvido. Mulheres dando “mais fácil que chuchu na serra”. Diálogos picantes. Era muito maneiro. Lições de vida. Principalmente para um atrasado sexual como eu, que aos 14, 15 anos, não tinha muito o que fazer a não ser jogar – muito mal – bola, futebol de botão, WAR, Master e por aí vai.

Pois bem, o tempo foi passando, a quantidade de autoflagelação seguiu aumentando em doses gradativas até que o mundo real foi descoberto. Sim, sexo ruim, sexo bom, sexo mais ou menos, sexo louco estilo africano, sexo tântrico, sexo tosco, sexo animal, sexo sentimental, sexo casual, sexo triste, sexo apaixonado, sexo sem envolvimento, sexo com muito envolvimento. Tudo isso foi deixando o filme de sacanagem um pouquinho de lado. Empoeirado, ali na estante. Mas não totalmente esquecido. Afinal de contas, não tem nada melhor do que a conjunção carnal. Trepada é trepada.

Mas, mesmo em tempo de vacas gordas, bater uma punheta é sempre bom pra dormir. Cura a insônia. É relaxante. Só é ruim porque fica uma crosta grossa de porra no lençol que depois dá muito trampo lavar. Tosco demais.

Mas estou enrolando demais para chegar ao ponto principal: sacanagem pra mim tem que ter interatividade. De uns tempos para cá, criou-se um mundo politicamente correto na putaria que me dá preguiça. Você abre o seu e-mail e vem a porra de um Power Point (NR: eu já tenho preconceito em abrir Power Point porque 90% deles são mensagens cândidas e positivistas do tipo “amigo, você é muito especial para mim” ou “já deu um abraço em quem você ama hoje?”. ARGH!!!) com uma chamada “Sensacional, ensaio fotográfico da Luana Piovani na Playboy”.

Beleza, a mulher é descomunal. Fantástica. Deliciosa. Deve enlouquecer qualquer um na cama. É legal ver mulher pelada sim. Mas 678 slides seguidos dela nua entupindo a sua caixa não dão para bater punheta mais. Ou seja: não têm utilidade. Se é para exercitar o imaginário, prefiro ver a Pamela Anderson chupando a rola do baterista do Motley Crue num barco. Ou a Xuxa pedindo pro moleque mostrar que é de chocolate em “Amor, Meu Grande Amor”.

Da mesma forma, nos idos dos anos 90, no começo da TV a Cabo, quem assinava a Net sabia que todo dia tinha Sexy Time no Multishow às 0h30. No começo, parecia divertido. Deslumbrante. Encantador. Mas, sem sacanagem – e LITERALMENTE sem sacanagem –, depois de um tempo, perdia a graça ficar vendo uma mulher rebolando numa pista de dança. A velha e boa Sexta Sexy da Bandeirantes era bem mais bacana. Ou então o programa da Manchete que passava em duas partes no sábado (esqueci o nome, mas sei que o primeiro era de sacanagem e o segundo, já de madrugada, era algo do tipo “o nome do primeiro VÍRGULA mais forte ainda” e era apresentado pelo Wilson Cunha). Ali até dava para bater punheta. Ainda que fosse “bonitinha, mas ordinária”.

Revista de mulher pelada é legal para apreciar a gostosura da mulher. Mas, na hora de espancar o macaco, sinceramente, quem povoa o meu imaginário são as mulheres reais que me propiciaram as melhores transas da minha vida. A parada (ou porra, como preferirem) flui com muito mais facilidade. Viva a sacanagem real. E interativa. Pro inferno com Power Points e ensaios do Paparazzo. Sexo tem grito, tapa na coruja, suadeira, boquete, peitos deliciosos balançando e sendo chupados, arranhões e, sobretudo, muita troca. De todo o tipo de fluido. 50% homem. 50% mulher. E na época das vacas magras, o que resta é a lembrança das vacas gordas. Nessa hora, o velho e bom filme de sacanagem vale muito mais que mil Power Points ou programas cabeça-eróticos da TV a cabo. Tenha sempre um a mão.