quinta-feira, 16 de novembro de 2006

Os 10 piores filmes da história - Série Top 10, parte VII

Me dão preguiça essas listas dos 10 melhores filmes de todos os tempos sérias e xaropes de revistas especializadas. É sempre a mesma merda... Cidadão Kane normalmente no topo das listas e etc... Resolvi, então, me lembrar dos 10 piores filmes que já vi. Mas resolvi criar um critério básico: devem ser películas de sucesso, que as pessoas conheçam.

Sem essa de filme iraniano ou produção independente tailandesa que foram vistos por três pessoas naquelas sessões dos cinemas cults. Não, não e não. Esses não precisam ser mencionados. Resolvi tratar de filmes vistos pela maioria da galera, pra apimentar o debate. Se esqueci de algum, por favor, acrescentem à lista nos comentários. Ficou putinho com a inclusão de algum favorito seu? Defenda-o sem dar piti. Eis a minha modesta lista de coisas horrendas:

10 - Mr Bean, o filme
Adorava os quadros de 5 minutos do Mr. Bean que passavam no Fantástico. Confesso que simpatizava com essa figura inusitada e atrapalhada. Mas, por favor, alguém pode me dizer de quem foi a idéia de fazer um longa-metragem com o sujeito? Eu tinha vontade de arrancar a cadeira de tanta aflição. Não é que ele faz uma bobagem aqui outra ali. É uma bobagem em cima da outra e quando você vê o filme se mete em um imbróglio impossível de ser resolvido. O único jeito é tirar da tomada e começar de novo. Horroroso e irritante.

9 - Filme do Casseta
O programa deles é irado. Eles são divertidíssimos. Morro de rir com as maiores barbaridades que eles fazem. Mas, de filme, eles não entendem nada. O filme deles, o primeiro, trata de um lance em relação à taça da Copa de 70, que foi roubada no Rio de Janeiro e tal. Um lixo de filme. Repleto de piadas sem-graça, atuações toscas e ritmo irritante. É aquele tipo de filme que você fica com vergonha pelo cara, saca? Uma amigona minha chama isso de "vergonha alheia". Você pede pra ninguém ver aquela merda só pros caras não se queimarem mais.

8 - Outono em Nova York (Richard Gere)
Pode um filme ser mais chato que Outono em Nova York? Um cinqüentão playboy (com Richard Gere no papel. Quem mais?) que promete nunca se apaixonar por ninguém. Finalmente (que surpresa!) ele se apaixona por Wynona Ryder que... tchã-rã... tem uma séria doença e vai morrer. O que eu mais odeio nesse filme é o estelionato praticado pelo trailler. O trailler mostrava um filme divertido, bem sacado, com uma música legal e um casal maneiro. Um bom programa pra um domingo à noite. Mas você vê o filme, morre de sono com o ritmo tartarugado e se joga da ponte, já que todas as mulheres do cinema choram, metade dos homens escondem a lágrima e a outra metade já dormiu. Pífio.

7 - Alien vs. Predador
Depois do sucesso do maravilhoso "Freddy vs. Jason", o cinema achou que era só misturar dois monstros de filmes de gosto duvidoso para fazer um blockbuster clássico. Não, Hollywood, não! É preciso muito mais pra fazer um filme irado. Enquanto Freddy é um sujeito elegante, maneiro, inteligente, curioso, divertido e Jason é tudo isso de uma forma totalmente diferente, Alien e Predador são tosquíssimos. O filme é até mais bem feito do que Freddy vs. Jason, mas tem um problema grave: se leva a sério demais. Enquanto Freddy vs. Jason é uma clara tentativa de fazer uma chanchada de terror, os diretores de Alien vs. Predador acharam que iam levar o Oscar. Me poupem.

6 - O Encouraçado Potemkin
Participação especial de Felipe Campbell: Quando eu fiz "História do Cinema" na UnB, logo na primeira aula, o professor já avisou: "Olha, não veremos aqui nenhum filme comercial de Hollywood". Putz, já vi que seria foda. Tá bom, quer passar filme iraniano de menino correndo atrás de balão branco e sapato velho ou então películas dinamarquesas co-produzidas com a Suécia e Iugoslávia de uma velha lésbica que é espancada pelo cunhado alcoólatra pedófilo, beleza. Mas o tal do "Encouraçado Potemkin" foi pintado como uma obra-prima. Tipo, um filme em preto e branco com um monte de idiotas subindo e descendo a escotilha de um submarino. A cena durava sei lá, 5, 10 minutos. Não mexia. Estática. E o professor e os alunos mais sensatos (não era o meu caso) quase chorando de emoção, dizendo "Gente, isso é uma obra-prima do cinema mundial!!!". Ou ainda "Reparem no jogo de câmera, revolucionário para a época". Porra, caralho, vá tomar no cu. Eu querendo rever "O Império Contra-Ataca" e tendo que assistir àquele pavor de filme. Não, não nasci pra aquilo. Filme russo em preto e branco do começo do século. Prefiro enfiar o dedo na tomada e jogar água.

5 - O Articulador (Al Pacino)
Sou daqueles que vai ver o Al Pacino até em teatro infantil. Nem quero saber do que se trata o filme dele. Fiz isso com "O Articulador" e me fodi. Me fo-di. O filme parece a introdução à uma grande película. Quando termina, 1h30 depois, você pensa assim: "Ué, mas já acabou? E a história?" Pacino faz um relações públicas decadente, intragável, separado da esposa (se não me engano) e que não tem mais cliente nenhum e acha que tá com a corda toda. O filme se desenrola com ele tentando fazer alguns contatos e resolver o assunto com a ex. E termina sem que ele consiga sucesso algum. Tipo, é isso. Não tem nada o filme. Não tem assunto. E sabe o que é mais incrível? Al Pacino está, como sempre, fantástico no papel de um personagem sem história.

4 - Missão Impossível 2 (Tom Cruise)
O 1 é fantástico. O 3 é bem bom também.
Mas o 2 é miserável. O diretor levou o "impossível" ao pé da letra. Não dá. Se ainda fosse o superman, beleza. O pior do filme é a cena final. Quando ele chuta a arma, que está enterrada na areia, e ela sobe - em câmera lenta - até o nível perfeito da mão dele e apontada para o vilão! Engatilhada!!! Fiquei com preguiça. Fala sério. Ainda tem o fato de o par amoroso dele no filme ser uma mukissa. Porra, as cenas de ação são uma bosta, a história é batida e a mulher ainda é mukissa? Não, não. Troca de canal.

3 - Vanilla Sky (Tom Cruise)
Esse é o famoso filme Scooby-Doo. Alguém se lembra dos desenhos do Scooby-Doo? Acontecem várias coisas legais, aventura, suspense e etc. Ninguém sabe quem é o vilão e como as coisas acontecem. No último minuto do desenho, todos os personagens se reúnem e o Freddy, sempre ele, explica tudo. "Fulano é o bandido. Fulano não tem nada a ver. Tudo aconteceu por isso, por isso e por aquilo e etc..." Vanilla Sky é exatamente assim. Um sujeito surtado começa a viajar. Fica fora de si. De repente, aparece com um problema no rosto. Mas o filme continua. E você não sabe mais o que é sonho do cara e o que é real. E as coisas vão acontecendo, acontecendo e você simplesmente não sabe nem o nome do filme. "Será que só eu não entendi porra nenhuma?" E, no final, você vê que o diretor foi tão infeliz que reúne todos os personagens em cima de um prédio e começa a explicar tudo o que aconteceu. Igual no desenho do Freddy e do Salsicha. Não dá pra ser pior.

2 - Liga Extraordinária (Sean Connory)
Sabe quando um sujeito está tão bem na carreira, tão em alta, tão bem na fita, com a reputação tão incrível que nada pode destruí-lo? Pois Sean Connory, o maior James Bond da história, devia pensar que estava com tudo quando aceitou fazer o ridículo e pífico Liga Extraordinária. O filme é uma tentativa de fazer um roteiro de alguma forma semelhante à Liga da Justiça (aquela do Superman, do Batman, da Mulher Maravilha...). Mas só tem super-herói insosso, as atuações são horrorosas e, pasmem, os efeitos especiais são de quinta. Numa das cenas iniciais, uma bomba estoura em uma mansão na Áfria. A cena é tão mal feita que é possível ver a casa por trás das chamas, intacta! De outro mundo! O pólo de cinema de Sobradinho não faria pior! Em tempo: foi o segundo filme que saí no meio do cinema em toda a minha vida (o primeiro foi Alien-qualquer-coisa mas não deixei a sala por vontade própria).

1 - Doce Novembro (Keanu Reeves e Charlize Theron)
Um dos piores filmes água com açúcar da história do cinema. O exemplo claro de roteiro mal dirigido, atuações parecidas com Malhação e ritmo de elefante. O filme é absolutamente surreal. O sujeito vai renovar a carteira de motorista. Na prova, conhece uma megagata (até aí, beleza. Já imaginava os seios à mostra, cenas tórridas e coisas do tipo. Nem precisava de roteiro se eu visse Charlize nua). Eles conversam no estacionamento. Cada um vai pro seu lado depois de um papinho descontraído de 10 minutos. Três horas depois, os dois se cruzam no meio da rua. Ela vira-se pra ele como se fosse perguntar algo como "onde você comprou essa camisa?" e diz: "Quer morar comigo no mês de novembro?" Ã? Como assim? Não, ele não se espanta. Ele vira pra ela e diz: "Beleza. Vamos lá". E assim começa uma linda história de amor. Ah, por favor, né? Isso é alguma ofensa à inteligência alheia? Filme de merda. Roteiro de merda. História de merda. E nenhum seio da Charlize.


Menção Honrosa
Efeito Borboleta
O aclamado, idolatrado e tido como fantástico Efeito Borboleta não me emocionou. Sabe o que acho desse filme? É o filme vídeogame. Você tenta chegar no final da fase, não consegue e aperta restart! E recomeça de novo, e de novo e de novo. Efeito Borboleta é assim. O sujeito tem a capacidade de voltar ao passado e mudar o futuro. A mensagem até que é legal. Diz que não adianta: a vida nunca é perfeita. Algo sempre acontece de ruim e tal. Então, o sujeito volta no tempo, faz uma cagada e Começa de novo. Aí, faz outra cagada, e volta de novo. Mas podia ser menos repetitivo e apocalíptico, né? Não entra na lista dos 10 piores mas leva uma menção honrosa. Só pra constar.